Iniciativa propiciou a aprendizagem, fomentou parceria entre as instituições e a elaboração de projetos interdisciplinares. Em outubro, será a vez dos estudantes mineiros irem para a França
“Vivenciamos o dia a dia de um estudante brasileiro e foi possível compreender como a diferença entre Brasil e França se aplica na população. Foi uma transformação cultural”, diz Matéo Martins. O francês, de 15 anos, participou, juntamente com outros três alunos, do intercâmbio entre o Colégio Liceu, situado na cidade francesa de Montepellier, e a Escola Estadual Pedro II, em Belo Horizonte. Além de promover a interação e a troca de conhecimento entre os jovens, a iniciativa, realizada pela primeira vez, objetivou propiciar a aprendizagem, fomentar a parceria entre professores das duas instituições e a elaboração de projetos interdisciplinares.
E foi durante um encontro internacional entre educadores, estudantes e gestores escolares que surgiu a ideia do intercâmbio. “A Escola Pedro II é parceira e a representante brasileira no projeto da Pompano Beach High School, que promoveu, no início do ano, o Congresso Internacional Summit, na Flórida, Estados Unidos. No evento, nos reunimos com representantes de instituições de ensino de vários países e firmamos a parceria com o Liceu”, afirmou Cristiane Justi, diretora do Pedro II.
Segundo ela, a experiência movimentou toda a comunidade escolar. “A escola inteira se voltou para recepcioná-los e fazer com que se sentissem em casa. Dançaram quadrilha durante a festa junina e tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da nossa cultura”, comentou Cristiane, acrescentando que a iniciativa modificou a maneira como enxergavam a educação brasileira. “Diferente da França, aqui os professores são mais abertos e próximos dos alunos e das famílias. Além disso, estimulam a participação em sala de aula”, destacou.

Durante a visita, que ocorreu entre os dias 2 e 17 de junho, os jovens franceses acompanharam todas as atividades desenvolvidas na Escola Pedro II. “Cada estudante ficou em uma turma diferente e participou, juntamente com nossos alunos, das oficinas e ações pedagógicas promovidas pela Educação Integral”, explica Cristiane.
Cientes de que para aprender uma nova língua é fundamental conhecer a cultura dos falantes do país visitado, as professoras Barbara Fernandes e Nívia Galvão, respectivamente, de Língua Inglesa e Espanhola, organizaram, em conjunto com os estudantes do 3º ano do Ensino Médio, uma apresentação sobre o Brasil aos visitantes. “Falamos sobre as danças, músicas, comidas típicas; sobre o sistema educacional, língua portuguesa e suas diferenças em relação ao português de Portugal, sobre a linguagem jovem e o ‘mineirês’”, relata a professora Nívia Galvão.
A educadora conta que a interação propiciou uma aprendizagem mútua. “A linguagem mais informal e o mineirês divertiram os visitantes. Eles aprenderam com nossos alunos o significado de ‘trem’, ‘oncevai’ e ‘dionceé’ e de algumas gírias, como ‘veio’ e ‘demorô’, muito presentes na comunicação dos mineiros em geral”, conta. Durante a apresentação oral, os estudantes do Pedro II também abordaram os galicismos, que são as palavras de origem francesa como abajur, baton, bibelô, boate, entre outras, que foram incorporadas à língua portuguesa.
Matéo destaca as mudanças proporcionadas pela viagem a Belo Horizonte. “Consegui aprender o português de forma mais rápida, pois estava interagindo, diariamente, com pessoas que não falam a minha língua materna. Passar esse tempo na cidade, me fez mudar e ter uma visão de mundo mais ampla. Volto para França uma pessoa melhor”, disse.

Integração
Além da convivência com a comunidade escolar e participação nas atividades desenvolvidas na Escola Estadual Pedro II, o projeto proporcionou a integração dos estrangeiros com as famílias dos estudantes da instituição de ensino. “Eles foram acolhidos por familiares de quatro alunos e ficaram surpresos como nós, mineiros, gostamos e temos o costume de nos reunirmos e sentarmos à mesa para fazer nossas refeições”, conta a diretora da escola.
“A minha família adorou a Luna. Ela é muito carinhosa, aberta a conhecer e provar vários tipos de comidas, como pão de queijo e açaí. Foram dias especiais e muito divertidos, pois visitamos diversos lugares da cidade”, disse a estudante Anna Thereza Rodrigues Oliveira, do 2º ano do Ensino Médio, que recebeu, em sua casa, a jovem Luna Nicot.
Cristiane Souza, mãe de Ana Thereza, compartilha da opinião da filha. “A experiência foi maravilhosa, um aprendizado para todos nós. A Luna é uma menina extremamente educada e ficou apaixonada por feijão roxo. Nos divertimos muito e fizemos o impossível para que ela se sentisse bem. A Ana ganhou muito com o projeto, pois ela está fazendo inglês e, durante a estadia, as duas aproveitaram para reforçar e treinar o idioma”, conta.

A escola também promoveu, durante os quinze dias de intercâmbio, estudos de campo e passeios a pontos turísticos da capital mineira, como o Parque das Mangabeiras, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, o Mercado Central, a Feira Hippie, além da visita ao Instituto Inhotim, na cidade de Brumadinho. “Estas e outras ações contribuíram para o desenvolvimento do educando como um todo, através da integração de culturas, do entendimento e aceitação da diversidade cultural, do desenvolvimento da capacidade de leitura, escrita e oralidade nas línguas portuguesa e francesa”, ressaltou a diretora do Pedro II.
Segundo Cristiane Justi, cinco alunos da instituição vivenciarão, entre 06 e 21 de outubro, a experiência do intercâmbio e terão a oportunidade de conhecer a escola Liceu e a França. Já em abril de 2018, os estudantes brasileiros participarão de um congresso internacional no Liceu. “O projeto é uma ação da Educação Integral. Foram selecionados educandos que apresentaram, durante a oficina ‘conversação em inglês’, uma boa fluência no idioma e cujas famílias puderam custear as despesas com o intercâmbio”, explica a diretora.
Por William Campos Viegas (ACS/SEEMG)