Evento reuniu especialistas e educadores de 4 escolas estaduais que atendem a Unidades do Sistema Socioeducativo de Belo Horizonte e Região Metropolitana

Especialistas e educadores de 4 escolas estaduais que atendem a Unidades do Sistema Socioeducativo de Belo Horizonte e Região Metropolitana participaram, na última quarta-feira (07/06), de reunião com representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte. O encontro, que ocorreu no Parque Professor Amilcar Vianna Martins, objetivou organizar uma proposta para elaboração de projetos de educação ambiental assistida por animais, que serão desenvolvidos juntamente com adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. “É mais uma possibilidade de intervenção educativa com os jovens, por meio de experiência prática”, destaca Poliana de Souza, da Coordenação de Educação em Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Educação (SEE).

Especialistas e educadores de 4 escolas estaduais que atendem a Unidades do Sistema Socioeducativo de Belo Horizonte e Região Metropolitana. Foto: Poliana de Souza.

A educação ambiental assistida por animais é uma prática educativa onde o animal contribui com o educador no processo de ensino aprendizagem. Segundo Poliana, a ideia é que os participantes apresentem a proposta e envolvam todos os demais atores das respectivas escolas. “Esperamos que, em conjunto, articulem e executem projetos temáticos e/ou interdisciplinares que estimulem a aprendizagem dos adolescentes em cumprimento de medida de internação”, disse. Além de representantes da SEE, também participaram do evento analistas da Secretaria de Segurança Pública (SESP), da Subsecretaria de Atendimento Socioeducativo (SUASE), das Superintendências Regionais de Ensino Metropolitanas A, B e C e profissionais das Escolas Estaduais Aurino Morais, Divina Providência e Jovem Protagonista, de Belo Horizonte, e Ensino Fundamental e Médio, de Ribeirão das Neves.

Realizado pela analista de políticas públicas e bióloga, Laiena Dib, o projeto acontece no Centro de Educação Ambiental Centro Sul (CEA/CS), localizado no Parque Professor Amilcar Vianna Martins, e visa promover a aprendizagem e novos processos formativos por meio da interação com os animais. “No contexto das medidas socioeducativas, as atividades de educação ambiental assistidas por animais são relevantes à educação e segurança pública por priorizarem uma abordagem vivencial, baseada na aceitação positiva incondicional do jovem pelos animais educadores, na autenticidade da relação dos animais entre si, destes com as pessoas e de uns com os outros, bem como por propiciar a empatia. O convívio com outras espécies suscita o desejo pela aprendizagem, pelo cuidado e pelo trabalho em prol de valores caros ao binômio liberdade-responsabilidade, que podem ser resumidos pelo respeito à vida em sentido amplo”, afirmou Laiena, acrescentando que as atividades ocorrem ao ar livre, areja a ambiência do trabalho dos educadores, agentes de segurança e professores, contribuindo para melhoria qualidade de vida no trabalho.

Michele Silva Pires, analista educacional da Diretoria de Ensino Fundamental da SEE, reforçou que “a escolha dos animais como mediadores dos processos de desenvolvimento da proposta está sustentada pela convicção de que a empatia é a habilidade que vai possibilitar aos sujeitos a convivência pacífica, construtiva e transformadora", disse.

Além de uma oportunidade de socialização, Edilton Antônio Alves, gerente de formação educacional da SUASE, argumentou que a iniciativa vai ao encontro da proposta metodológica e da política de atendimento socioeducativo no Estado de Minas Gerais. “Buscamos o desenvolvimento dos processos formativos com base nos princípios fundamentais sobre direitos humanos, solidariedade, diversidade, sustentabilidade e promoção social. Nesse sentindo, o projeto nos permite preparar o sujeito, ao longo da medida socioeducativa, para o exercício da cidadania, para conscientização das questões relativas ao meio ambiente e sustentabilidade”, disse.

Carnot Neto, vice-diretor da Escola Estadual Jovem Protagonista, que atende a 7 Unidades Socioeducativas de Belo Horizonte, ressaltou que o projeto também permitirá aos profissionais ressignificar valores relativos à vida, respeito, cuidado, entre outros. “Proporciona em todos os envolvidos, a partir do contato com alguns animais, uma profunda reflexão sobre as próprias as emoções, traz à tona o lado humano de valorização de todas as formas de vida, possibilitando entendimentos sobre si próprio e sobre o outro”, concluiu.

Por William Campos Viegas (ACS/SEEMG)