Durante três dias, supervisores, assessores pedagógicos e diretores de pessoal participaram de debates e oficinas

Diretores, Supervisores e Assessores Pedagógicos das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs) participaram nos dias 23, 24 e 25 de maio, em Belo Horizonte, de encontro onde discutiram ações da educação em Minas Gerais. Foram palestras, oficinas e apresentações de propostas da Secretaria de Estado de Educação (SEE) para a educação pública em todo o estado, inclusive com as redes municipais. Os três dias de encontro aconteceram na Escola Estadual Maurício Murgel e no Instituto Inhotim, em Brumadinho. A ideia é que esses encontros aconteçam pelo menos a cada dois meses, segundo a coordenadora das SREs, Clélia Marcia Costa.

Entre outros conteúdos foram discutidos projetos e esclarecidas dúvidas sobre censo escolar, boletim eletrônico, sistemas avaliativos e organização administrativa. No segundo dia do encontro os Supervisores Pedagógicos conheceram o maior museu de arte contemporânea da América Latina, Inhotim, em Brumadinho. A visita orientada teve como objetivo a apresentação do espaço que estará à disposição para visitação de estudantes da rede estadual, através de parceria com a SEE. Na ocasião, os supervisores participaram de dinâmica sobre a contribuição da arte e da cultura na gestão.

Encontro aconteceu em três dias, na EE Maurício Murgel e Inhotim. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Na quinta feira (29/05), último dia do encontro, a Secretária de Educação, Macaé Evaristo, falou aos presentes no auditório da Escola Estadual sobre vários assuntos, entre eles o momento político e seus impactos na educação. Os planos, Nacional e Estadual de Educação, suas metas e desafios, e como o debate e a mobilização são importantes “num momento de tantas dúvidas”.

Macaé dedicou boa parte de sua fala sobre a importância da Educação Integral e sua interface entre o Estado e os municípios, como forma de garantir a educação de qualidade para todos, incluindo os diversos atores dos territórios onde as escolas estão inseridas. A secretária reconheceu algumas resistências de incorporação à Educação Integral de outros colaboradores que não sejam professores. “Precisamos aprender com as ações de educação popular, a buscar outros personagens que possam contribuir com o aprendizado, como um capoeirista, um contador de histórias, artistas em geral, líderes comunitários”, exemplificou.

O subsecretários da SEE acompanharam a Secretária Macaé Evaristo. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Macaé Evaristo falou da “necessidade de se pensar na agenda de avanço da Educação Integral, na caminhada para construir uma pauta de política educacional para o país”. E recordou a jornada de discussão dos planos Nacional e Estaduais de Educação. “Ainda temos muitos desafios. Apesar de tudo o que fizemos, temos ainda que universalizar a educação infantil, no Ensino Médio, no campo, nos territórios indígenas na EJA (Educação de Jovens e Adultos) e na educação especial”.

Polos de Educação Múltipla

O secretário-adjunto de Educação, Wieland Silberschneider, apresentou o novo projeto de Escolas Polos de Educação Múltipla (Polem), estabelecendo orientações pedagógicas para organização e ampliação da educação integral.
A proposta, segundo o secretário-adjunto, tem com objetivo “assegurar o acesso e a permanência dos estudantes na educação básica, com efetiva aprendizagem, respeitando a diversidade, por meio de gestão democrática e participativa, fortalecendo o protagonismo estudantil e a relação com a comunidade, valorizando o profissional da educação e o trabalho coletivo”.

Wieland explicou que, até 2014, Minas Gerais não tinha uma política de Educação Integral. O que se verificava, segundo ele, eram ações isoladas, com ênfase apenas no Reforço Escolar, com foco na Avaliação Externa, e sem proposta clara de ampliação e permanência com efetiva aprendizagem. A partir de 2015, iniciou-se uma política efetiva de implantação da Educação Integral em Minas, com criação de vagas e foco no desenvolvimento dos diversos saberes. “Criamos uma diversidade de macrocampos e atividades ofertadas, alinhadas às demandas dos territórios, com significativa parcela de investimento do Governo Estadual. Além disso, focamos no desenvolvimento das diversas dimensões formativas do estudante, tivemos uma ampliação planejada com foco na garantia da permanência com efetiva aprendizagem e uma política estruturada para a adesão ao Programa do Governo Federal”, afirmou o secretário adjunto. “A Educação Integral vai crescer ainda mais e tornar-se Educação Múltipla”.

O Secretário Adjunto Wieland Silberschneider, apresentou a proposta do projeto Escolas Polem. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

De acordo com ele, as Escolas Polos de Educação Múltipla vão potencializar e implementar ações pedagógicas em torno de quatro principais eixos formativos da Educação Integral e Integrada: Cultura e Artes, Esporte e Saúde; Ciência, Tecnologia e Empreendorismo; e Desenvolvimento das Aprendizagens.

A seleção das escolas será pautada pela diversidade na oferta de ações pedagógicas e pela cobertura de estudantes na Educação Integral, explicou Wieland. “Futuramente, tais características de cada escola poderão servir como base para uma proposta de classificação entre diferentes níveis de Escolas Polem”. A partir de critérios estabelecidos previamente, já estão listadas 269 escolas em todo o Estado que podem se transformar em Polem. “Nelas estão inseridas as escolas que possuem mais de 50% dos estudantes de Anos Finais na Educação Integral; as escolas que iniciaram o Ensino Médio Integral em 2017, as escolas polivalentes e as escolas com Educação Profissional”.