Capacitação ocorreu nos 8 polos e contou com a participação de profissionais das 47 Superintendências Regionais de Ensino

“A formação amplia o olhar do professor, que precisa ser diferenciado para atender às especificidades dos estudantes, e também complementa a carga pedagógica, com dinâmicas e outras ações que inovam as aulas”. Esse relato foi feito por Tatiana Ribeiro, supervisora itinerante da Superintendência Regional de Ensino Metropolitana A, durante a 1ª Formação do Projeto ‘Elevação da Escolaridade – Metodologia Telessala’, realizada entre os dias 28 e 31 de março, no Othon Palace Hotel, em Belo Horizonte.

Professores, supervisores itinerantes e representantes das SRE's participam de formação. Foto: William Campos Viegas ACS/SEE

Direcionada a professores, supervisores itinerantes, gestores e representantes das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SRE’s), a qualificação ocorreu, simultaneamente, em todos os oito polos do Projeto – Belo Horizonte, Divinópolis, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros, Teófilo Otoni, Uberaba e Varginha. Na capital, participaram 250 profissionais. Em todo o Estado foram 2.085 participantes, somando-se todos os encontros.

“Além de desenvolver oficinas para trabalhar o conteúdo em sala, a capacitação também tem como objetivo discutir a qualidade do ensino, a formação e as particularidades dos alunos, que apresentam distorção idade/ano de escolaridade”, explica Eleonora Xavier Paes, Superintendente de Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental da Secretaria de Estado de Educação (SEE).

No primeiro dia, as atividades foram voltadas aos gestores escolares. “A formação é fundamental para o gestor, pois ele tem que entender todo processo e toda a metodologia da Telessala, para guiar e assessorar o professor no acompanhamento dos estudantes”, ressalta Eleonora.

Na dinâmica 'Corpo em Movimento', participantes dançam carimbó. Foto: William Campos Viegas

Já os três dias restantes foram destinados à formação específica dos professores, supervisores itinerantes e representantes das SRE’s, que receberam material didático e participaram de oficinas, dinâmicas, debates, exibição de filmes, entre outros. “Reunir todos os profissionais é importante para que todo o processo caminhe perfeitamente, ou seja, o alinhamento das propostas, ideias e modos de ação reduzem problemas ligados à metodologia e implantação nas escolas”, afirma Sylvia Mesquita, supervisora itinerante que atende 13 turmas de 9 escolas da SRE Metropolitana B.

Valorização

Lançado em 2016, o projeto “Elevação da Escolaridade – Metodologia Telessala Minas Gerais” ampliou de 12 mil para 20.576 o número de estudantes atendidos no Estado. Atualmente, estão sendo contempladas 904 escolas estaduais de 486 municípios mineiros. “Agora, essa metodologia chega a todas as regionais. Os estudantes se sentiram valorizados com a oportunidade de aprendizado e a relação professor e aluno ficou muito fortalecida”, destaca a Eleonora.

Para Laura Márcia Dias, professora nas Escolas Estaduais José Bonifácio e Maria Amélia Guimarães, ambas em Belo Horizonte, o projeto melhora a autoestima e estimula os educandos. “O aluno percebe que ele tem uma oportunidade, que é capaz e que pode ser protagonista também nesse processo”, afirma ela, acrescentando que as atividades curriculares, muitas vezes lúdicas, tornam a aprendizagem mais interessante. “Eles assimilam as matérias com mais facilidade, fazem uma conexão maior entre o conteúdo e a realidade em que vivem”, conclui.

Segundo Tatiana Ribeiro, supervisora itinerante da SRE Metropolitana A, a formação contribui para motivar e valorizar os estudantes. “É um resgaste da autoestima, da confiança. Com o correr do processo, eles passam a vislumbrar uma nova perspectiva de futuro. Além de suprirem a defasagem educativa, os estudantes passam por uma formação cidadã, cultural, entre outras”, afirma.

Foto: William Campos Viegas.

Graziela Gomes Ferreira, professora da Escola Estadual Cristiano Chaves Oliveira, em Igarapé, destaca que as atividades desenvolvidas pelo projeto atraem os alunos. “Eles se identificam, sentem-se em casa, acolhidos, quebra a monotonia das aulas”, conta. A professora também destaca que o educador e o educando acabam estabelecendo uma relação de amizade. “Eles percebem o professor como amigo, pois o tempo de convivência em sala é maior comparado ao ensino regular. Nós estamos mais próximos e conseguimos perceber as dificuldades, a carência afetiva dos estudantes”, diz.

O projeto

A iniciativa destina-se a estudantes maiores de 14 anos e menores de 18 anos que apresentem pelo menos dois anos de distorção idade/ano de escolaridade e estudos parciais nos anos finais do Ensino Fundamental. O aluno também deve saber ler e escrever. Há possibilidade de alunos até os 20 anos serem atendidos pelo projeto caso, por exemplo, no município em que vivem não seja ofertada a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Com uma metodologia diferenciada, o projeto tem como foco a unidocência. Os alunos que atendem aos requisitos estipulados são agrupados em turmas específicas e contam com um professor responsável por trabalhar todos os conteúdos.

O projeto é dividido em três módulos e cada um trabalha um eixo temático. No módulo I, os alunos estudam “O ser humano e sua expressão”, com foco nos componentes curriculares: Língua Portuguesa, Ciências e Educação Física. No módulo II, o eixo “O ser humano interagindo com o espaço” trabalha prioritariamente os componentes curriculares: Geografia, Matemática e Ensino Religioso. Já no módulo III é trabalhado eixo “O ser humano em ação e sua participação social” no qual são enfatizados os componentes curriculares: História, Língua Estrangeira Moderna Inglês e Arte.

A cada módulo, os componentes curriculares são abordados a partir de teleaulas que duram em média 15 minutos e são contextualizados seguindo atividades orais, escritas, de leitura e práticas, coletivas e individuais, adequadas às dúvidas surgidas em sala de aula.