Atividades incentivaram o convívio social e estreitaram a relação entre a escola e os moradores

Estudantes participam de jogos na Escola Estadual Tenente Felismino Henriques de Souza. Foto: arquivo escola.

Em 2016, diversas atividades movimentaram a rotina dos alunos, professores e funcionários da Escola Estadual Tenente Felismino Henriques de Souza, localizada em Santa Cruz de Salinas, município da região Norte de Minas Gerais. Envolvendo pais e demais moradores, a instituição realizou, ao longo do ano, projetos e ações interligadas ao currículo escolar para estimular os valores culturais e sociais, a reflexão crítica nos estudantes e a integração com a comunidade local.

“Eles se envolveram em atividades artísticas como teatro, dança, pintura, música, leitura e produção de texto, palestras, competições esportivas, feiras de cultura, entre outras, que incentivaram o convívio social e estreitaram a relação entre a escola e os moradores”, destacou Renaldo Teixeira da Silva, diretor da escola.

Além dessas ações, os professores levaram para a sala de aula assuntos que permeiam o dia a dia dos alunos – ética, cidadania, meio ambiente, diversidade, orientação sexual, entre outros –, que foram abordados de maneira transversal e interdisciplinar. “É importante discutirmos temas atuais para que os estudantes reflitam sobre o seu papel na sociedade”, explica Renaldo, reforçando que a ideia é manter os projetos e ações. “É uma demanda dos alunos prosseguirmos em 2017. Vamos analisar o que deu certo, o que precisamos melhorar e buscaremos mais parcerias”, conclui.

As iniciativas, que contaram com a participação dos 405 alunos e 37 funcionários da escola, seguiram as orientações pedagógicas da Secretaria de Estado de Educação (SEE) e foram pensadas de acordo com as necessidades da comunidade escolar. “O projeto ‘Leitura e Escrita’, por exemplo, foi criado após identificarmos que alguns estudantes, do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, apresentavam dificuldades no aprendizado de português e matemática e precisavam de reforço”, explica o diretor.

Alunos participam atividade de pintura na Escola Estadual Tenente Felismino Henriques de Souza. Foto: arquivo escola

Segundo Renaldo, os estudantes, apesar de serem supervisionados pelos professores, são os protagonistas no desenvolvimento das ações. “A escola é um espaço democrático e nós estimulamos a autonomia dos alunos permitindo que eles decidam sobre a forma como algumas atividades devem ser realizadas”, diz.

Para Edna Sheila Rodrigues, professora de língua portuguesa e responsável pelo projeto ‘Memórias Literárias’, que estimula o gosto pela leitura, essas iniciativas promovem o sentimento de pertencimento, ampliam o interesse pelos estudos e melhoram a autoestima dos participantes. “Na escola, temos uma estudante com Síndrome de Down que, após participar da oficina de pintura, percebeu era capaz de interagir com os colegas e que a sua arte também poderia ser exposta para a comunidade”, conta.

Selo Unicef

O trabalho desenvolvido na escola também contribuiu para que o munícipio conquistasse, em dezembro, o Selo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), pelos avanços alcançados nas áreas de saúde, educação, proteção e participação social e pela redução das desigualdades que afetam os jovens da região. Em parceira com a Secretaria Municipal de Assistência Social, a escola realizou o Seminário ‘Ser Adolescente’, uma das etapas para a certificação. “Foi o momento de os estudantes falarem sobre suas expectativas, demandas, os problemas que a juventude enfrenta na cidade. Esperamos que o Selo reverta em mais ações para os nossos jovens”, afirma Renaldo.

Estudante Camila Costa Amaral (dir.) recebe Selo Unicef concedido ao município. Foto: arquivo escola

A estudante Camila Costa Amaral, do segundo ano do Ensino Médio da Escola Estadual Tenente Felismino Henriques de Souza, representou a cidade e recebeu, em Belo Horizonte, o certificado do UNICEF. “Fiquei muito nervosa, mas muito feliz por ter feito parte desse processo que durou quatro anos, por representar o lugar onde moro e o Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (NUCA)”, relata.

Mobilização

Em 2016, o município de 4.397 habitantes enfrentou uma epidemia de dengue. Diante dessa situação, a escola mobilizou os alunos a realizarem a passeata ‘Juntos contra o Aedes aegypti’ para conscientizar a população sobre a doença. Neste dia, os alunos também realizaram apresentações teatrais e musicais. “Foi uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e os estudantes foram às ruas orientar os moradores sobre prevenção e combate ao mosquito”, explica Renaldo.

Estudantes participam da passeata ‘Juntos contra o Aedes aegypti’. Foto: arquivo escola.

A passeata foi mais uma das ações que a escola promoveu para integrar a população local. “Estamos, constantemente, em contato com os moradores e pais, seja nas datas comemorativas, seja em atividades mais amplas. Essa interação é importante, pois é a oportunidade para reforçarmos o que a escola tem proporcionado e contribuído para a educação dos nossos alunos”, lembra o diretor.