Comunidade indígena Xucuru Kariri já realizou a etapa local 

As comunidades indígenas mineiras já estão se preparando para a II Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (CONEEI), que será realizada em 2017. No início do mês de dezembro foi realizada na Escola Estadual Indígena Xucuru Kariri Warkanã de Aruanã, no município de Caldas, a etapa local de preparação.

Durante a etapa local, foram repassadas para a comunidade orientações sobre o tema da Conferência e discutidos os cinco eixos temáticos: Organização e Gestão da Educação Escolar Indígena; Práticas Pedagógicas Diferenciadas na Educação Escolar Indígena; Formação e Valorização de Professores Indígenas; Políticas de Atendimento à Educação Escolar Indígena na Educação Básica; e Educação Superior e Povos Indígenas. “De cada eixo discutido são elencadas cinco propostas que serão reunidas em um documento e levadas para a etapa estadual. É nesse momento também que são escolhidos os representantes das comunidades para a etapa estadual”, destaca a coordenadora de Educação Escolar Indígena da Secretaria de Estado de Educação, Célia Xakriabá. A preparação para a Conferência é dividida em três momentos: a etapa local, também conhecida como Comunidade Educativa, etapa estadual e etapa nacional.

Comunidade indígena Xucuru Kariri já elecou as prioridades que serão apresentadas na etapa estadual. Foto: Divulgação Coordenação de Educação Indígena

O Cacique Jal, da Aldeia Xucuru Kariri, ressaltou a importância da Conferência como espaço para discutir a concepção de Educação Indígena, que passa pela necessidade de ela ser diferenciada; de que a estrutura da escola atual não é adequada e que é preciso um projeto e um currículo que atendam à especificidade desta cultura. “Nós não ficamos satisfeitos quando não estamos com o nosso cocar, como o nosso colar, com a nossa cultura. Esse é o momento de dizer qual escola que queremos e como queremos.”

Na Aldeia Maxacali, ainda estão sendo realizados os preparativos para a realização da etapa local. Além da Secretaria de Estado de Educação, nesse território também participam representantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Nacional do Índio (Funai). Segundo Célia Xakriabá, essa atenção especial ao povo Maxacali se deve às especificidades da comunidade. “Tendo em vista a dimensão do território, estamos nos debruçando muito para fazer com que a etapa local faça sentido não apenas para um cumprimento de agenda, mas também para organizar a vida escolar deles.

Aldeia Maxacali está realizando fase preparatória para a etapa local. Foto: Divulgação Coordenação de Educação Indígena

 

Que essas propostas realmente venham contribuir para as demanda do dia a dia da comunidade. Estamos aproveitando a mobilização também para pensar o currículo da escola Maxacali”, conclui.

A Conferência

Durante a conferência serão avaliados os avanços, impasses e desafios da Educação Escolar Indígena (EEI) a partir da I CONEEI e elaboradas propostas para a consolidação da política nacional de Educação Escolar Indígena. É objetivo do encontro reafirmar o direito a uma Educação Escolar Indígena específica e diferenciada e bilíngue/multilíngue e ampliar o diálogo para a construção de regime de colaboração específico à Educação Escolar Indígena, fortalecendo o protagonismo indígena.

Escolas indígenas mineiras

Minas Gerais conta com, aproximadamente, 4.200 alunos indígenas das etnias Kaxixó, Krenak, Maxakali, Pataxó, Pankararu, Xakriabá, Xucuru-Kariri e Mokurin. O Estado tem 17 escolas indígenas e duas turmas vinculadas a escolas não indígenas. O atendimento escolar indígena é feito em 64 endereços. As escolas estão localizadas em 11 municípios.

Foto de capa: Célia Xakriabá