Ações mobilizam toda a comunidade no entorno da Escola Estadual Fazenda São Sebastião

Mais de trezentas pessoas, entre estudantes e moradores da comunidade, participaram das atividades do programa Escola Aberta realizadas na Escola Estadual Fazenda São Sebastião, no município de Guanhães, durante o primeiro semestre deste ano, aos sábados. A Escola atende cerca de 400 alunos do ensino fundamental. “Do total, uma média de 170 alunos da própria escola estão no programa. Só não há maior participação devido ao fato de grande parte morar em área rural e não haver transporte escolar nos finais de semana”, explica a diretora, Renata Coelho Aguiar. O sucesso foi tanto que as atividades continuam a acontecer neste segundo semestre.

A capoeira está entre as oficinas mais concorridas. Foto: Arquivo da Escola

Em visita à Superintendência Regional de Ensino de Guanhães, em 14 de outubro, a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Augusta Mendonça, conheceu as atividades da escola e se mostrou entusiasmada com o envolvimento da comunidade. “É a escola cumprindo seu papel de espaço público para todos”, declarou a subsecretária.

Segundo a diretora, a escola, que ficaria aberta de 8 às 13 horas, “funciona aos sábados até as 18h, com a colaboração dos oficineiros que se dispuseram a atender todos os interessados”. Grafite, capoeira, fanfarra, futsal e violão são algumas das oficinas oferecidas.

A aprovação à iniciativa é atestada pelos depoimentos dos participantes. Hansmuller Ferreira Gomes diz que a fanfarra lhe proporcionou novos conhecimentos: “Este ano, pela primeira vez, nossa escola teve o privilégio de tocar no desfile de 7 de setembro e fomos muito aplaudidos e em reconhecimento à qualidade da fanfarra, fomos convidados para tocar em cidades vizinhas”.

A fanfarra fez sua primeira apresentação no desfile da Independência. Foto: Arquivo da Escola

Pedro Henrique Fernandes considerou que o projeto Escola Aberta proporcionou várias mudanças em sua vida estudantil. “Tornou nossos sábados mais divertidos e prazerosos, enriquecendo os nossos conhecimentos. Nas oficinas foram desenvolvidos vários trabalhos nos quais aprendemos o respeito, o companheirismo, responsabilidade com os horários, aperfeiçoamos nossas habilidades e criamos um laço harmonioso entre amigos. Com isso desenvolvemos o espirito crítico e criativo nos esportes, sabendo ganhar ou perder, e estimulando nossas práticas esportivas para uma vida mais saudável. Com este projeto conseguimos a nossa fanfarra que agora está sendo o orgulho de nossa Escola e comunidade”, relatou o estudante.

“Minha filha de 10 anos participava das oficinas de violão do Escola Aberta. Ela sempre ficava inquieta, nas sextas-feiras, à espera dos sábados, de tanta empolgação para as aulas. Percebi que minha filha melhorou muito na escola, pois eu condicionava sua participação nas oficinas aos resultados e tarefas extraclasse, como dever de casa sempre bem feitos. Outro fato que me encantava era que quem dava as aulas de violão é um ex-aluno da escola e morador da comunidade e conhecia muito bem da vivência de nossos alunos”, conta Maria Aparecida do Carmo, mãe de uma aluna.

O grafite foi um sucesso entre os estudantes e comunidade. Foto: Arquivo da Escola.

“Sem sombra de dúvidas, participar deste projeto é uma oportunidade singular. Sinto-me extremamente feliz por poder cultivar dentro de nossa comunidade o incentivo à cultura e práticas que propiciem alternativas sociais para os jovens que vivem sem perspectiva com relação a esses conceitos. Além do mais, torna-se indispensável salientar que as oficinas proporcionaram momentos de crescimento e aprimoramento mútuo, sem contar ainda que essa é apenas uma das formas de fazer com que cresça a coesão social da comunidade, e ainda faça com que os membros da mesma possam retribuir os ganhos adquiridos de alguma forma, com o auxílio no desenvolvimento deste projeto”, relata o ex-aluno da escola Rickson Bruno Nunes e Silva.

Segundo a superintendente Erlane Paula Santos, na SRE de Guanhães o Programa Escola Aberta está presente em 12 municípios, em 17 escolas estaduais, com participação de 11.827 alunos e comunidade escolar, “contribuindo na promoção de uma educação de qualidade, considerando todas as dimensões que agregam a formação integral dos sujeitos. Nessa perspectiva, o Programa visa a valorização e participação de diversos agentes profissionais da educação, famílias, instituições e atores sociais que compõem os territórios nos quais as escolas estão inseridas”.