Festa reuniu mais de 1.500 jovens no último sábado (24.9), no Point Barreiro

São 20 anos de intercâmbios e troca de experiências entre alunos de diferentes escolas e municípios. No sábado (24/9) mais de 1.500 estudantes de escolas das redes estadual e municipais de Belo Horizonte, Jaboticatubas, Serra do Cipó e Santana do Riacho lotaram as dependências do Point Barreiro, em Belo Horizonte, para a 20ª edição do Intercâmbio Cultural BH-Jabó.

O evento é de iniciativa de três irmãs educadoras, Ilma Pereira Nunes Moreira, Ana Maria Pereira Siqueira e Patrícia Auxiliadora Pereira. Preocupadas com o desinteresse manifestado por seus alunos no que diz respeito à leitura e literatura, elas criaram, em 1997, um projeto de incentivo à escrita e leitura, através de troca de cartas entre alunos de escolas diversas. “Sentíamos as dificuldades dos estudantes em ler e produzir textos com conteúdo, eles se mostravam desinteressados e quase mecânicos nessas tarefas. Achamos que a troca de cartas poderia quebrar esse procedimento”, explica Ilma.

O evento comemorou 20 anos de intercâmbio. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

No princípio, foram escolas de Belo Horizonte e Jaboticatubas, onde as irmãs lecionavam. O projeto cresceu e, ao comemorar 20 anos, abarcou mais de 1.500 estudantes de cinco escolas da rede estadual e quatro municipais, de Belo Horizonte, Jaboticatubas, Santana do Riacho e do distrito da Serra do Cipó.

Os alunos que se interessam criam um pseudônimo próprio e para sua escola de origem, para que não estraguem a surpresa do encontro pessoal. Entre os inscritos, eles escolhem com quem corresponder e passam a trocar cartas. São em torno de quatro cartas em um semestre, que atendem a um cronograma de conteúdos. “A primeira é uma autobiografia, onde ele se apresenta e diz como acha que é, suas características físicas, seu caráter e seu meio de convivência. O segundo contato é uma carta narrativa, em que contam sobre fatos alegres, engraçados e tristes, podem enviar textos interessantes ou poemas de suas autorias ou de terceiros. Na terceira correspondência, eles discorrem sobre assuntos atuais e emitem suas opiniões; e na última, descrevem sua escola, seu bairro e a cidade onde moram, falam de suas qualidades e defeitos”, relata a professora Ilma Pereira.

Um Rap preparado pelos anfitriões saudou os visitantes. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Como tudo ocorre de forma anônima, o ápice do projeto é quando todos se encontram e se conhecem. “Neste dia eles ficam sabendo a verdadeira escola de origem de seu correspondente, seu nome verdadeiro e conhecem as características físicas do outro”, conta Patrícia Pereira.

É o momento de grande expectativa, animado por shows, apresentações e brincadeiras de confraternização. Às vésperas do encontro, Graziele Fernandes Gonçalves, estudante do 3º ano da Escola Estadual Leônidas Marques Afonso, de Jaboticatubas, conta que teve insônia: “A minha expectativa era muito grande e não via a hora de estar aqui”. Junto com Graziele, os colegas Guilherme Júnior (pseudônimo Cabeludin) e Ihago Leônida (Sagitário), todos da mesma escola, encontraram seus correspondentes Sabrini Cristine (Bina), Alessandra Pereira (Luddy) e Flávia Alves (Bolacha), todas da Escola Estadual Bolívar Tinoco Menezes, do bairro Ribeiro de Abreu, em Belo Horizonte. O entrosamento foi imediato. Os alunos de Jaboticatubas disseram que quando viram os colegas correspondentes passarem no meio de tanta gente, já imaginaram que seriam seus colegas de cartas. Sabrini Cristine disse ter reconhecido Guilherme (Cabeludin) “de cara, ele disse que era alto, negro e cabelo black, não tive dúvidas”.

Maria Eduarda espera continuar contato com os novos amigos. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Maria Eduarda Otoni Viana, da Escola Estadual Leônidas Marques Afonso, de Jaboticatubas, encontrou-se com os correspondentes Fernando de Souza Cruz e Hamilton Gomes, da Escola Estadual Sobral Pinto, do Conjunto Paulo VI: “Estou muito entusiasmada, passei por grandes expectativas nesses últimos dias e espero que continuemos nossa amizade”.

A festa durou todo o dia, com lanche, encontros, apresentações culturais, almoço e confraternização e até desfile de casais de alunos vestindo as camisetas comemorativas dos 19 anos anteriores. Segundo Raniel Florentino, que representou a secretária de estado de Educação, Macaé Evaristo, é um momento de extrema importância que “estimula a convivência entre os jovens, a troca de experiências e, ao mesmo tempo, tem um estímulo pedagógico que é o incentivo à leitura, à literatura e até mesmo ao autoconhecimento, além de promover espaços de convivência, tão carentes entre a juventude”.

A iniciativa partiu, há 20 anos, das irmãs Ilma, Patrícia e Ana Maria. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Participaram desse 20º Intercâmbio BH-Jabó as Escolas Estaduais Leônidas Marques Afonso e Cardeal Arcoverde (de Jaboticatubas), Dona Francisca Josina e Deputado Emilio de Vasconcelos (de Santana do Riacho e Serra do Cipó) e Bolivar Tinoco Mineiro, do bairro Ribeiro de Abreu, em Belo Horizonte, e as escolas municipais de Belo Horizonte Agenor Alves de Carvalho, do bairro Nazaré; Professor Daniel Alvarenga, do Zilah Spósito; Sobral Pinto , do Paulo VI; e Colégio Municipal Belo Horizonte, da Lagoinha.