Evento reuniu povos indígenas de Minas e da Bahia na Faculdade de Educação da UFMG

O auditório da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FAE-UFMG) ficou lotado durante o Seminário Temático Educação Escolar Indígena no Contexto Político Atual, realizado na última sexta-feira (23.9). Durante o evento, foram apresentados resultados da primeira etapa do programa Saberes Indígenas na Escola, um diálogo entre os saberes indígenas e o Sistema Nacional de Educação, que acontece desde 2014.

A primeira etapa do programa, que durou dois anos, discutiu, em Minas Gerais, propostas pedagógicas e produção de materiais para educação indígena dos povos Xakriabá, Maxacali e Pataxó. Apresentado por coordenadores do projeto e representantes dos povos indígenas, os resultados dessa primeira fase apontaram para publicação de revistas, livros, dicionários, catálogos de frutos e frutas existentes nos territórios indígenas, catálogos de saberes em cerâmica e artesanato em osso e madeira, jogos dedicados ao aprendizado indígena, almanaques, livretos e livros. Foram apresentados também exercícios de alfabetização, materiais didáticos específicos e atividades variadas para sala de aula.

Seminário apresentou resultados dos Saberes indígenas. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

A mesa de debates contou com a presença da secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo; pesquisadores da UFMG; representantes dos povos Maxacali, Pataxó e Xakriabá; e das professoras Lucinha Alvarenga, do Curso de Formação Intercultural de Educadores indígenas, e Shirley Miranda, coordenadora do Eixo Escolas e Seus Sujeitos (FIEI-FAE- UFMG).

A secretária falou da trajetória da luta dos povos indígenas pelo direito à educação, com respeito às suas tradições. Lembrou da parceria da FAE nesse processo e exaltou o programa Saberes Indígenas pela articulação na formação de professores indígenas, um direito de todos os povos: “O que fizemos, a partir de muita luta, está consolidado e firme em nossas ideias, corações, história e memória”. Macaé reafirmou a necessidade de estar sempre alerta para que conquistas “tão recentes em nossa história”, não sofram retrocessos. Lembrou ainda do primeiro estudante de medicina indígena, que aconteceu apenas há uma década, e teve que ir a Cuba, através de convênio de intercâmbio, porque ainda não havia espaço para esses povos nas salas das universidades brasileiras. “Só conseguimos sair, em uma década, de um patamar de 12 milhões, para seis milhões de brasileiros analfabetos, devido às políticas específicas. E a maioria dessas pessoas, que estava fora da escola, habitavam as comunidades indígenas, quilombolas e estavam entre as crianças e jovens com deficiência”, apontou. Emocionada, a secretária reiterou a necessidade de resistência às tentativas que apontam para a eliminação de programas e projetos de inclusão e democratização na educação.

Entre as publicações previstas estão catálogos do artesanato indígena. Foto. Elian Oliveira/ACS-SEE

O programa Saberes Indígenas está programando agora uma segunda fase. Essa ação já chega a povos indígenas de Roraima e do Rio de Janeiro, além de Minas Gerais e Bahia. O Seminário foi encerrado com apresentações de canto, danças e poesias produzidos pelos próprios indígenas.