Jogos e brincadeiras utilizam recursos naturais da aldeia e experiências dos mais antigos habitantes

A cacique Pataxó, Sÿanete (Apynaera Pataxó) e sua filha, professora de cultura da Escola Estadual Indígena Pataxo Bacumuxa, Maynan Pataxó, reuniram-se com a subsecretária de desenvolvimento da Educação Básica, Augusta Mendonça, e sua equipe, na segunda-feira (12/9), ocasião em que discutiram as demandas e traçaram diretrizes da Educação na aldeia Pataxó Encontro das Águas, em Carmésia.

Representantes da Aldeia  Pataxó Encontro das Águas se encontraram com equipe da SEE. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Durante o encontro, Maynan Pataxó falou sobre o programa de Educação Integral, executado na aldeia. Trata-se de um enfoque diferenciado que utiliza dos diversos recursos naturais encontrados naquele território indígena. 

A escola atende a 60 alunos da Educação Infantil, Ensinos Fundamental e Médio e Jovens e Adultos (EJA). O aprendizado da Educação Integral abrange todas as modalidades de ensino, com troca de experiências entre os mais antigos e mais jovens alunos. “Chamamos de grupão. É quando há aula interdisciplinar e os integrantes mais antigos contam as histórias de seus ancestrais e ajudam os mais jovens a desenvolver habilidades através de jogos, brincadeiras e materiais encontrados na natureza”, explica Maynan.

A escola indígena Pataxo Bacumuxa tem ensino respeitando as tradições indígenas. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

No conteúdo disciplinar “Uso do Território”, os alunos indígenas aprendem a utilizar e respeitar todos os recursos oferecidos pela natureza dentro dos limites da aldeia. “Eles aprendem quais as épocas de caça, plantio e colheita, observando a natureza, como os períodos chuvosos e de seca e os calendários lunar e solar. Podemos observar que as dificuldades, por exemplo, com a matemática, são superadas com jogos e brincadeiras”, conta Maynan.

Durante o encontro, as representantes indígenas fizeram o convite para o XII Ritual das Águas Pataxó, 2016, que acontece na Aldeia entre 7 e 9 de outubro. O ritual festeja o surgimento da vida no mundo. É celebrado como a virada e o começo de um novo tempo, onde tudo se renova.