Voltada para a formação integral, iniciativa é dirigida a alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio

Estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio de nove escolas da Região Metropolitana de Belo Horizonte têm a oportunidade de participar de oficinas do programa Jovens Urbanos, que oferece formação integral por meio de diversas linguagens. São oficinas de gastronomia, grafite, fotografia, paisagismo e organização urbana, e expressão corporal, que acontecem desde o dia 22/08 e vão até o dia 16/09.

Jovens Urbanos: nove escolas participam do projeto na Região Metropolitana. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

O programa busca estudar as linguagens que combinem identidade da escola e dos estudantes. Segundo Fernanda Zanelli, da Fundação Itaú Social e coordenadora do Programa, o objetivo “é promover reuniões de jovens, professores, direção da escola, Superintendências Regionais de Ensino (SREs) e SEE para que possam decidir, em conjunto, como realizar as oficinas apontadas pelos jovens estudantes”.

Cada unidade de ensino pode oferecer até cinco oficinas, indicadas pelos alunos e professores, com turmas em torno de 25 estudantes. Os resultados das oficinas serão apresentados no dia 17 de setembro, durante a “Virada da Educação 2016”.
Os critérios de seleção dessas escolas levaram em conta o maior adensamento de matrículas no ensino médio, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e a localização em regiões com vulnerabilidade social. Elas foram indicadas pelas Superintendências Regionais Metropolitanas (SREs A,B e C). Já o conteúdo das oficinas foi escolhido durante rodas de conversa entre alunos e corpo docente.

Os amigos e colegas de turma Grazielle Ribeiro, Camila Dutra, e Ernandes Araújo resoleram fazer juntos a oficina. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

O programa “Jovens Urbanos” é fruto de parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (SEE), Fundação Itaú Social e Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ações Comunitárias (CENPEC), voltadas aos alunos do Ensino Médio.
Oficinas

Na Escola Estadual Santa Quitéria, em Esmeraldas, a frequência durante as cinco oficinas escolhidas pelos alunos tem chamado a atenção. Segundo a vice-diretora Fernanda Medeiros Diniz, a proposta foi muito bem acolhida por alunos e professores. “É um projeto maravilhoso e o envolvimento do corpo docente e dos alunos está sendo muito positivo. O número de faltas é quase nulo”, atesta.

Nas cinco oficinas escolhidas (gastronomia, grafite, fotografia, paisagismo e organização urbana, e expressão corporal), a média de alunos inscritos, segundo a diretora, chega a 25 em cada laboratório.

Entre os mais empolgados com a oficina de fotografia estão os colegas de turma e amigos Grazielle Ribeiro e Camila Dutra, de 17 anos, e Ernandes Araújo, de 18 anos. Todos cursam o 3º ano do Ensino Médio. “Estamos adorando o curso, acho que deveria ter continuidade”, afirmam. Os três se dizem muito interessados em fotos, e pela primeira vez tiveram a oportunidade de conhecer “o mundo da fotografia”.

As produções fotográficas serão fixadas nos muros da Escola. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Flaviane Dayana, 18 anos, também do 3º ano, quer ser fotógrafa. “Já tive algumas experiências, mas estou adorando essa oficina, gostaria que ela fosse oferecida por um período mais longo.”

Daniel Iglesias é o fotógrafo que ministra a oficina. Formado pela UFMG, atua na profissão há oito anos, e já promoveu oficinas para jovens no Vale do Jequitinhonha, através da Organização não Governamental (Ong) “Oficina de Imagens”.
Nesta oficina, a metodologia adotada é dividida em três segmentos: autorepresentação, onde os alunos fazem seus autorretratos e selfies; comunidade, quando saem a campo em busca de retratar objetos, pessoas, ícones, lugares e outros sinais que identifiquem as comunidades onde vivem; e experimentação, “quando a turma já tem conhecimento das ferramentas, linguagens da fotografia e gêneros fotográficos; é mais autoral”, explica Daniel Iglesias. “Promoveremos o lambe-lambe, quando todos os trabalhos serão ampliados, impressos, e faremos recortes das fotos que serão coladas, como um mosaico nos muros da escola”.

Gastronomia

Bolo de cenoura foi o cardápio escolhido pelo professor de gastronomia da Faculdade Promove, Frederico Divino, para o preparo na oficina da terça-feira (30/8). A proposta era de “enquanto o bolo assa, os alunos cuidam das hortas em garrafas pet”, explica Frederico. “Eles plantaram orégano, agrião e duas qualidades de pimenta, que levaram para casa, como mudas para suas hortas caseiras”.

O objetivo da oficina é aliar gastronomia, sustentabilidade e responsabilidade social. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

O objetivo da oficina é aliar gastronomia, sustentabilidade e responsabilidade social. Os ingredientes do “prato do dia” são utilizados em sua totalidade. “Fizemos, por exemplo, um creme de abóbora com a polpa, um quiche com as cascas, que foi misturado ao arroz dormido e as sementes foram torradas e salgadas”.

A gastronomia “agitou” a turma de Gustavo Henrique Siqueira, 18 anos, e Mateus Lucas Araújo, ambos do 2º ano. “Já gostávamos de cozinhar. Desde pequeno me interessava pelos ingredientes e inventava coisas em casa. Aí surgiu essa oportunidade”, explica Mateus, que pretende dar continuidade nas atividades gastronômicas.

Gustavo e Mateus já gostavam de gastronomia desde criança. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Miriele Martins Kiel, 17 anos, do 2º ano, que também gosta de cozinhar, destacou a parte do aproveitamento dos alimentos. “ Fiquei impressionada com a quantidade de partes de um alimento que jogamos fora e que poderiam ser aproveitados”.

O programa

O Programa Jovens Urbanos, desenvolve, implementa e dissemina tecnologias de trabalho com juventude por meio de processos de formação de profissionais que atuam com o público jovem, amparados nos conceitos: ampliação de repertório, inserção produtiva e participação na vida pública, além de contribuir para que esses jovens concluam o Ensino Médio e tenham acesso ao Ensino Superior.

Seus idealizadores defendem a pluralidade das práticas e conceitos em relação à juventude. A proposta é fazer com que se sintam autônomos para construir sua própria história e fortalecer políticas públicas, instituições e redes locais que têm objetivo de aprimorar as condições de desenvolvimento desses jovens.

As oficinas vêem fazendo sucesso entre os jovens das Escolas Estaduais. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Participam dessa edição do projeto das escolas estaduais Santa Quitéria, de Esmeraldas; Romualdo José da Costa e Antônio Miguel Cerqueira Neto, de Ribeirão das Neves; Celso Machado, Engenheiro Prado Lopes, de Belo Horizonte; Geraldo Teixeira da Costa e Tancredo de Almeida Neves, em Santa Luzia; José Brandão, de Caeté e Joaquim Correa, de Juatuba.