Em 2016, 114 mil novos estudantes se matricularam nestas modalidades de Ensino em Minas Gerais
No dia do estudante, comemorado nesta quinta-feira (11 de agosto), Minas Gerais tem um motivo a mais para comemorar. Este ano, mais de 114 mil alunos retornaram à escola para estudar, número que representa novas matrículas no Ensino Médio e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede estadual de ensino. Parte dessas matrículas é resultado da Campanha Virada Educação Minas Gerais (VEM), mobilização promovida em 2015 pela Secretaria de Estado de Educação (SEE), com o objetivo de trazer de volta mais de 170 mil estudantes, em idades entre 17 e 29 anos, que por algum motivo deixaram a escola ou não completaram o Ensino Médio.
As diversas oportunidades de acesso ao ensino superior, geradas nos últimos anos, foi quase unanimidade sobre os motivos de volta à escola, entre os alunos ouvidos pela SEE. As mudanças no ensino noturno resultantes das rodas de conversa, onde os alunos foram ouvidos e indicaram prioridades, também motivou esse retorno.

A possibilidade de início do primeiro horário às 19 horas (antes era às 18 horas) fez a diferença para muitos estudantes. Foi constatado que grande parte dos alunos do noturno deixava os estudos porque são trabalhadores que não conseguiam conciliar o tempo de saída e deslocamento do trabalho com o horário de entrada da escola e, por isso, acabavam perdendo o primeiro horário.
Com 17 turmas no noturno (duas da EJA), a Escola Estadual Santos Dumont, em Venda Nova, está entre as que mais receberam matrículas no início do ano de 2016. No segundo semestre, a EJA recebeu mais 63 novos alunos, 34 no 2º ano e 29 no 3º ano. Segundo o vice-diretor Rodrigo Ângelo Figueiredo são 688 alunos matriculados no ensino noturno.
Aos 12 anos, Luci Ferreira da Silva, hoje com 45, deixou a escola na zona rural da cidade de Ferros por decisão de seu pai. Aos 18, mudou-se para Belo Horizonte, onde concluiu o ensino fundamental no Centro Estadual de Educação Continuada (Cesec) de Venda Nova. Parou de estudar novamente aos 24 anos e agora tenta recuperar o tempo perdido. “ Encontrei um ensino bem mais completo, com novas matérias e muitos trabalhos em grupo, o que ajuda em nosso desenvolvimento”, disse Luci.

Cristiane Michele Martins resolveu se matricular na EJA aos 38 anos. A decisão veio no dia em que matriculou a filha na Escola Estadual Santos Dumont. Foi quando soube que haveria turmas da EJA e resolveu voltar à sala de aula. “Parei aos 18, quando fazia o 2º ano do Ensino Médio. Tinha começado a trabalhar e nunca conseguia chegar no primeiro horário. Além do mais, o cansaço me deixava desatenta e sonolenta em sala”, conta Cristiane. Trabalhando no setor contábil de uma mesma empresa há 15 anos, ela se diz decidida a terminar os estudos e se formar em tecnóloga em Ciências Contábeis.

A necessidade de trabalhar para ajudar a família tirou das salas de aula Wagner Mendes Silva, 41 anos. “Parei em 1996 e passei a vender coxinhas na porta da escola, depois me tornei caminhoneiro e as viagens não permitiam me matricular. Retornei agora em 2016 e pretendo fechar o curso. Estou gostando muito das novas disciplinas que encontrei, como Sociologia e Filosofia. O turno noturno precisa continuar a existir, senão muitas pessoas como eu, que trabalham, poderão concluir seus estudos?”, aponta Wágner.
Universidade
Isaias Aureliano Júnior Moreira deixou a escola na antiga 8ª série quando deixou a casa dos pais, na cidade de Arcos. Queria trabalhar e “pensava que não precisaria de estudos”. Isaias reconhece que perdeu um tempo que precisa ser recuperado. Aos 28 anos, matriculou-se na Educação de Jovens e Adultos da EE Santos Dumont. O manobrista reclama que perdeu diversas oportunidades de empregos melhores devido à escolaridade. “Voltei neste ano com força total. O ensino hoje conta com tecnologias que nos ajudam muito. Estou apaixonado com Biologia, que tem me dado muitas respostas sobre minha própria vida”. Isaías já vislumbra a possibilidade de se tornar biólogo. “Temos muitas portas abertas para a universidade e vou aproveitá-las”, comenta.

Devido à persistência dos filhos de 7 e 11 anos, Viviane Francisca Oliveira voltou para a escola aos 37 anos. Os filhos, que estudam na mesma instituição, a Escola Estadual Nazle Jabour, em Passos, souberam da campanha VEM pra Escola e convenceram a mãe a retornar às salas de aula. Trabalhadora em reciclagem, Viviane parou os estudos aos 26 anos. “Tinha muitas dificuldades de aprendizado e hoje sinto que há maior atenção dos professores. Estou muito entusiasmada e agradecida pelas portas abertas ao ensino, que me proporcionaram a oportunidade de voltar”, relata Viviane.

Para Júlio Cezar de Souza Nogueira, voltar às aulas aos 29 anos é, entre outras coisas, “questão de crescimento profissional”. Júlio deixou a escola no 2º ano. Locutor de rádio e profissional da área de comunicação, conseguiu conciliar o horário, o que o permitiu a retomada dos estudos. “O ensino noturno tem uma característica diferente. A turma é mais centrada e sinto que as pessoas têm a cabeça mais aberta. Temos conteúdos também bem interessantes. No primeiro semestre fizemos um trabalho interdisciplinar que envolveu um conteúdo muito comum no nosso dia a dia: o café. Estudamos desde a escolha da semente, o plantio, os cuidados e até chegar à xícara em nossas casas”, declarou. Júlio voltou a estudar na Escola Estadual Alice Autran Dourado, na cidade de Guaranésia (SRE/Passos).

As colegas de turma Vany dos Santos Lopes Silva, industriária, e Maria de Fátima Pinheiro, diarista, retornaram à escola com um objetivo em comum: fazer curso superior em Serviço Social. Vany, aos 47 anos, e Fátima, aos 43, se matricularam na Escola Estadual Santos Dumont, em Belo Horizonte em agosto do ano passado. Ambas fazem o 3º ano. Elas disseram que agora procuram uma boa faculdade para atingir a meta. “A mudança de horário na entrada do turno da noite nos possibilitou avançar nos estudos e hoje há maior possibilidade de entrar e bancar uma universidade”, disseram.
Vem
A campanha “Vem pra Escola” foi a oportunidade que Dulcemara Alves de Figueiredo viu de matricular sua filha Lívia Bulhosa na rede pública estadual. Vinda do Espírito Santo no final de 2014, Lívia se matriculou em escola particular onde, segundo sua mãe, não se adaptou muito bem. “Soube da campanha e pesquisei através do site da Secretaria, fiquei bem atenta às datas cadastrei minha filha e participei de reuniões na escola”.
Dulcemara considera que foi uma excelente decisão. “A Escola Estadual Firmo de Matos (em Contagem) é muito boa. Minha filha se adaptou muito bem e a qualidade do ensino é muito boa, superior até mesmo à escola privada em que estudava”, destacou.
Dia do Estudante
No dia 11 de agosto, é comemorado, no Brasil, o Dia do Estudante. Essa comemoração acontece desde o ano de 1927 e teve como ponto de partida algo que ocorreu cem anos antes, isto é, em 1827, na época do recém-instituído Império Brasileiro. Em 11 de agosto de 1827, o então imperador Dom Pedro I autorizou a criação das duas primeiras faculdades do Brasil, a Faculdade de Direito de Olinda, em Pernambuco, e a Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, em São Paulo. Por esse motivo, no dia 11 de agosto, também se comemora o Dia do Advogado no Brasil.
Fonte: FERNANDES, Cláudio. "11 de agosto — Dia do Estudante"; Brasil Escola.