I Encontro Estadual de Juventude reuniu lideranças estudantis em BH e discutiu o desafio de garantir a permanência do jovem na escola
“Nós acreditamos na educação pública. Nós acreditamos que a juventude pode fazer conosco uma grande experiência de educação, e, para fazer isso, é preciso ter mais participação, mais encontro, mais autoria, mais cooperação”. A fala da secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, na abertura do I Encontro Estadual Educação e Juventude, ocorrido no último fim de semana (16 e 17/07), resume a diretriz que a Secretaria de Educação tem dado para o atendimento ao seu público prioritário, os jovens.
O Encontro, que reuniu lideranças estudantis de todas as regiões do Estado, discutiu em roda de conversa os temas da participação e gestão democrática na escola; novas tecnologias e mídias alternativas e diversidade, inclusão e ações afirmativas como formas de garantir a permanência, com qualidade, do jovem na escola. Isso representa, ainda hoje, um grande desafio da Educação no Estado, no qual cerca de 15% dos adolescentes de 15 a 17 anos estão fora da escola, segundo dados de 2014. A iniciativa marcou também o lançamento da Virada Educação Minas Gerais 2016, que traz o tema “Escola em movimento”.

Foram mais de 200 jovens reunidos durante todo o sábado no Plug Minas, em BH, em debates e oficinas de experimentação. Na sexta-feira, os estudantes haviam sido recebidos com barraquinhas e diversas apresentações culturais. No sábado, como não podia deixar de ser num evento voltado para a juventude, a energia do público foi grande. Mas a animação ficou ainda maior por conta do pedagogo Flávio Paiva, o Russo, que recebeu os estudantes e mediou o debate, usando de improvisação, poesias e do som do funk para atrair a atenção dos jovens.
Na abertura do Encontro, a diretora de Juventude da Secretaria de Educação, Priscylla Ramalho, ressaltou o enfoque da gestão atual da Educação no Estado. “É fundamental enfatizar aqui a importância de uma gestão nova na Educação em Minas que coloca a juventude no centro da política educacional do nosso Estado. Isso é um marco na educação de Minas”, afirmou ela. “É pensar em uma política que dialogue melhor com o universo dos jovens, pensar em ações e iniciativas que busquem trazer os estudantes para dentro da política educacional”.
Para Priscylla, a construção de uma educação de qualidade passa pela atuação do estudante. “Quando a gente busca todos os esforços para envolver vocês diretamente nas ações da Secretaria, promovendo rodas de conversa, mobilizações e dias como este, é porque estamos pensando na importância da participação de todos os atores que constroem o cotidiano das escolas. E sem os estudantes nesta tarefa, a gente não consegue construir uma educação que seja verdadeiramente democrática, inclusiva, que consiga combater as desigualdades sociais em nosso Estado. Então, moçada, vocês estão convocadas e convocados a, daqui pra frente, construir conosco este movimento da Virada Educação”, conclamou.

A estudante Daniele de Almeida Neves, da Escola Estadual Djanira Rodrigues de Oliveira, representante da Superintendência da Metropolitana C e dos estudantes na abertura do evento, agradeceu a oportunidade que a SEE estava dando de dar voz ao estudante. “Antes a gente ficava em silêncio, calado, sem poder expor nossa opinião, e agora a gente tem oportunidade de passar o que vivemos para eles”.
A participação dos estudantes na escola, na escolha dos temas e no planejamento das aulas, bem como em espaços coletivos, como os grêmios, foi a principal demanda dos jovens nas rodas de conversa realizadas no ano passado, pontou a secretária de Educação, Macaé Evaristo. “A gente estabelece um currículo, a escola tem um projeto de trabalho, mas quais os caminhos para que os jovens possam participar efetivamente na escolha dos temas, na forma de tratamento destes temas e no planejamento das aulas? Como criar um currículo que possa estar mais afinado com vocês?”, questionou ela. “A participação também está na experiência de construir grêmios e espaços coletivos. Já temos experiências de jovens que querem discutir mídia e educação, outros a questão do racismo, outros a questão do campo, da sustentabilidade. A participação permite pensarmos juntos um bom percurso educativo e um projeto de vida”.
Virada Educação 2016
A Virada Educação Minas Gerais 2016 “Escola em movimento” pretende debater os temas apresentados no Encontro, mas também incentivar os jovens a construir a Virada em sua própria escola e no seu território. Foi o que explicou a secretária de Educação, Macaé Evaristo."No ano passado, a Virada foi orientada a partir da Secretaria de Educação. A ideia para este ano é que a gente consiga construir a Virada Educação em todos os municípios, na maioria das escolas, mas que cada vez mais ela seja um movimento assumido por vocês”, ressaltou Macaé. “A ideia da Virada é ser uma ação indutora de elementos da educação integral em cada uma das escolas da nossa rede estadual. Pensar educação integral é pensar uma escola que está interessada em priorizar os sujeitos, considerando a sua identidade, o seu pertencimento éticno-racial, a sua origem, o lugar que mora. Pensar educação integral é pensar o território, o bairro em que a escola está localizada”.
Os eixos do movimento foram debatidos em roda de conversa que contou com a participação de representantes do movimento estudantil, da sociedade civil e gestores da SEE. Na roda, Priscylla Ramalho, da (SEE), Késsia Cristina, da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), Bruna Helena, da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), Carla Kreefft ( SEE), Talles Lopes (Fora do Eixo) e representante do Fórum das Juventudes da Grande BH.
Oficinas de experimentação
Ao retornar para seus territórios, os estudantes que participaram do Encontro serão replicadores do conteúdo discutido e vão atuar como mobilizadores da Virada. Para isso, na parte da tarde do evento, eles foram divididos em grupos e participaram de oficinas práticas onde pensaram e socializaram ações que poderiam impactar positivamente em suas escolas. Ao todo, foram realizadas oito oficinas: midialivrismo e redes sociais, foto e vídeo, poetry slam, “sexualidade: vamos falar sobre o assunto?”, juventudes e metodologias participativas, feminismo e ativismo, pintura - o corpo lúdico, e Expressão Corporal.

Na oficina de “Foto e vídeo”, os alunos fizeram uma cobertura colaborativa das outras oficinas. Com celulares e máquinas fotográficas em mãos, os estudantes saíram pelos espaços do PlugMinas para registrar tudo o que estava acontecendo. O aluno do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Santa Quitéria, em Esmeraldas, João Luiz Monteiro Lara, é apaixonado por fotografia, por isso escolheu participar da oficina. “Eu gosto muito de fotografia, para mim é uma forma de arte. Foto é recordação, é uma lembrança que a gente leva. É por isso que acho importante estarmos registrando esse momento que estamos vivendo aqui”, conta.
Larissa de Fátima Sabino Brito é estudante do 3º ano do Ensino Médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Escola Estadual Afonso Pena, em Varginha. Por ter identificado que na sua escola pouco se fala sobre sexualidade, ela decidiu participar da oficina “sexualidade: vamos falar sobre o assunto?” e já sabe quais ações precisam ser implantadas para replicar o que foi discutido no Encontro. “É um tema que tem que ser mais abordado na escola. Temos que realizar uma roda de conversa que possibilite aos alunos discutirem o tema com clareza. Todo o conhecimento que adquiri aqui será uma contribuição para o debate que vamos fazer”.
A troca de experiências com os alunos de diferentes regiões do Estado vai ajudar Daniela de Almeida Neves a amadurecer ainda mais a ideia de criar um grêmio estudantil em sua escola. “No Encontro consegui expor minha opinião e também estou conhecendo a experiência dos colegas. Estou vendo que tem um incentivo muito grande para a criação do grêmio estudantil e na minha escola ainda não tem. A partir daqui, vou tentar implantar um na minha escola”, afirma a aluna do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Djanira Rodrigues de Oliveira, em Belo Horizonte.

Antes do Encontro, a Secretaria de Estado de Educação havia realizado, no mês de maio, um pré-encontro com representantes de jovens de todas as 47 Superintendências Regionais de Ensino do Estado. Durante o pré-encontro, os estudantes apresentaram propostas que deveriam auxiliar na concepção do I Encontro Estadual Educação e Juventude.Entre os participantes, estava a aluna do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Senador Levindo Coelho, em Ubá, Larissa Teixeira Noé. Para ela, o que foi pedido no pré-encontro foi atendido pela organização do evento. “Todas as ideias que nós apresentamos foram bem acolhidas. Queríamos um encontro que tivesse a nossa cara e que abraçasse bastante as oportunidades e a voz dos jovens. Os organizadores acertam em cheio. Espero poder levar muita bagagem daqui, poder multiplicar isso e fomentar essa semente dentro da minha escola, fazendo com que vários jovens tenham essa mesma sede de buscar pela educação e tenham força. É um momento de unir as nossas forças para que juntos possamos construir um bem em prol da educação”, conclui a estudante que participou da oficina “Pintura - O corpo lúdico”.
Após participarem das oficinas, os estudantes tiveram um momento onde fizeram o compartilhamento das produções das oficinas.