Quatro eixos definidos no Plano Nacional do Livro nortearão a construção do plano estadual
As secretarias de Educação e de Cultura publicaram no último dia 02/07 Resolução Nº 06/2016 que cria um grupo de trabalho constituído para elaborar o Plano Estadual do Livro, Leitura, Leitura e Bibliotecas de Minas Gerais. O grupo será composto por 51 membros, sendo 25 representando o poder público (12 da Secretaria de Educação e 12 da Secretaria de Cultura e 1 secretária executiva). Os outros 26 membros são da sociedade civil e foram eleitos no workshop sobre o Plano Estadual, ocorrido nos dias 20 e 21/6 na em Belo Horizonte. Trata-se de atividade voluntária, sem remuneração.
Nos próximos dias, a equipe se reúne para traçar metodologias de discussão, construção e acompanhamento do Plano Estadual do Livro da Leitura, Literatura e Bibliotecas.
O grupo criará um cronograma de debates e coletas de sugestões em todo o estado. Segundo a Resolução, “essas discussões devem culminar na definição de diretrizes, objetivos, ações e metas para política de livro e leitura em Minas Gerais, em um processo de construção conjunta entre Estado e sociedade”.
As contribuições estarão embasadas por quatro eixos indicados no Plano Nacional do Livro: a democratização do acesso ao livro; a formação de mediadores para o incentivo à leitura; a valorização institucional da leitura e o incremento de seu valor simbólico; e o desenvolvimento da economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao desenvolvimento da economia nacional.
A ideia, segundo Luana de Araújo Carvalho, coordenadora do grupo técnico da SEE que acompanha a elaboração do Plano Estadual, é que num primeiro momento se faça um diagnóstico da situação dos programas, ações e projetos que envolvam a leitura e o livro em todo estado. “Esse levantamento será a base de discussões para pensarem as metas e as estratégias a serem construídas para o estado de Minas Gerais. Bem como para articular e pensar os quatro eixos do Plano Nacional”.
A partir disso, será produzida uma minuta com propostas do Plano a serem discutidas “o mais amplamente possível, envolvendo educadores, estudantes, profissionais e usuários de bibliotecas, livreiros, editores, escritores, jornalistas, pesquisadores, lideranças políticas e comunitárias, além de agentes do poder público trabalharão nos próximos meses, em todas as etapas de concepção e execução do Plano”, afirma Luana.
Segundo a servidora, independente de indicação, todos os setores da Secretaria de Estado de Educação poderão participar e contribuir. “A arte de ler ultrapassa os limites dos livros e bibliotecas. Numa Secretaria tão complexa como a de Educação, precisamos de algo mais pautável e transversal, uma vez que as ações e programas da Secretaria são transversais. Precisamos da contribuição de pessoas envolvidas com a educação básica, infantil, fundamental e médio. Precisamos que enriqueçam esses debates com a participação das temáticas, como a educação especial, quilombola, do campo e indígena, bem como a área de formação de professores, do sistema prisional e de contribuições dos diversos segmentos do ensino médio como, por exemplo, ensino profissional, projetos especiais e Educação de Jovens e Adultos (EJA).”
O plano deverá valorizar alguns fatores identificados pela UNESCO como “necessários para existência expressiva de leitores em um país”:
- o livro deve ocupar destaque no imaginário nacional, sendo dotado de forte poder simbólico e valorizado por amplas faixas da população;
- devem existir famílias leitoras, cujos integrantes se interessem vivamente pelos livros e compartilhem práticas de leitura, de modo que as velhas e novas gerações se influenciem mutuamente e construam representações afetivas em torno da leitura;
- deve haver escolas que saibam formar leitores, valendo-se de mediadores bem formados (professores, bibliotecários, mediadores de leitura) e de múltiplas estratégias e recursos para essa finalidade.
Para tanto, recomenda a UNESCO, o acesso ao livro deve ser garantido, com disponibilidade de número suficiente de bibliotecas e livrarias e com tenha preço acessível a grandes contingentes de potenciais eleitores.
Abaixo a composição quantitativa do grupo de trabalho para elaboração do Plano Estadual do Livro de Minas Gerais.
