Evento contou com a participação do diretor do ensino médio da Secretaria de Estado de Educação e de uma professora da Escola Estadual Cassimiro Silva

“Será que os jovens têm pouco conhecimento sobre o que é ciência? Para que mesmo serve aquilo que o cientista faz? E como a universidade pode contribuir para que o conhecimento científico se aproxime da sociedade?”. Questões como essas permearam o debate da terceira edição do Fórum de Cultura Científica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O encontro aconteceu na tarde da última quarta-feira (15/06), na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, e foi transmitido ao vivo para 33 polos do Centro de Educação a Distância (Caed) da UFMG e para a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sectes).

A abertura contou com a participação das pró-reitoras de Extensão, Benigna Maria de Oliveira, de Pesquisa, Adelina Martha dos Reis e de pós-graduação Denise Maria Trombert de Oliveira, e ainda a titular da Diretoria de Divulgação Científica, Silvania Nascimento. O evento também contou com apresentações de experiências exitosas de divulgação científica.

A pró-reitora de Extensão ressaltou que a interface com a educação básica é uma missão e função da universidade pública e deve ser feita em todas as dimensões. "Esse é um fórum permanente de cultura científica, um espaço de diálogo, propositivo que agrega experiências da UFMG e dos parceiros. Hoje em especial é uma forma de interação da Universidade com a educação básica e vamos ouvir experiências desses parceiros aqui representados pela Secretaria de Estado de Educação de MG, pela Escola Estadual Casimiro Silva, de Boa Esperança e pelo Coltec”.

Evento contou com a participação do diretor de Ensino Médio da SEE, Wladmir Coelho. Foto: Zirlene Lemos

“Ninguém faz pesquisa para si mesmo, mas em beneficio de muitas pessoas, então temos que saber explicar isso. Enquanto não começarmos a aprender uma linguagem para falar com nossos filhos e nossas mães, vai ser difícil popularizar a ciência, temos que aprender a linguagem da população”, opinou a pró-reitora de Pesquisa Adelina Martha dos Reis ao destacar a importância de se fazer ciência, mas principalmente de divulgá-la.

A pró-reitora de pós-graduação Denise Maria Trombert constata que não dá pra pensar em produzir conhecimento científico sem interagir com a sociedade. “Há um abismo entre o conhecimento científico e a distância que se estabelece com a sociedade, com a escola da cidadezinha do interior e precisamos encurtar essa distância. Precisamos fazer a ciência realmente chegar a todos os brasileiros que inclusive nos financiam por meio de seus impostos. Esse tipo de fórum acaba nos provocando, pois estamos sendo induzidos a pensar e interagir com a educação básica”.

A titular da Diretoria de Divulgação Científica, Silvania Nascimento, apresentou resultados práticos alcançados nesse primeiro ano, recém completado pelo Fórum, como o implemento no Portal de Periódicos da UFMG e a disponibilização da Formação Transversal em Divulgação Científica para os currículos de graduação. Com carga horária de 210h, conta atualmente com 100 alunos matriculados e interação com cinco departamentos da UFMG. “Para nós é muito importante trazer a voz dos protagonistas dessa questão, tendo as escolas públicas aqui representadas”.

Logo após seguiu-se a mesa Jovens cientistas: experiências de sucesso na parceria da universidade com a educação básica. Entre os preletores Wladmir Tadeu Silveira Coelho, diretor de Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Em sua fala, ele apresentou números do ensino médio. “Hoje nas escolas estaduais de MG são 700 mil alunos no ensino médio, em 2.800 escolas, além da dificuldade de comunicação científica temos também o desafio de comunicação com essa rede. Nosso objetivo é mudar a percepção das escolas para que o aluno seja mais crítico, autônomo, mas para isso é preciso criar condições para que o aluno possa desenvolver sua criatividade e a iniciação científica permite isso”.

A professora Gisele Brandão Machado de Oliveira, do Coltec-UFMG, trouxe dados de sua tese de doutorado, onde analisou os percursos de socialização dos jovens que participaram do Programa de Iniciação Científica Jr. na UFMG, desde 1998.Começamos com 15 jovens e 5 pesquisadores e ampliamos para 700 estudantes do ensino médio e 350 pesquisadores, de acordo com dados desse ano". Segundo Brandão, as informações foram compilados numa publicação que será lançada em breve, intitulada Percurso dos jovens do ensino médio e profissional no Programa de Iniciação Científica Jovem da UFMG.

Em seguida, a explanação foi feita pela professora Jacinta Maria Silva, da Escola Estadual Cassimiro Silva. Com vasta experiência em feiras de ciências com projetos desenvolvidos em escolas públicas junto com alunos do ensino médio, ela participa da UFMG Jovem desde 2009, onde foi premiada algumas vezes. Posteriormente participou com seus alunos da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), onde foram selecionados para representar o Brasil no evento internacional 'Encontro Juvenil de Ciências’, em Portugal.

Em sua fala, ela destacou a importância dos jovens participarem efetivamente da ciência, além de despertarem a consciência sobre essa temática, mas a professora também questionou a falta de apoio financeiro da Secretaria de Estado de Educação na realização das feiras científicas nas escolas. “São muitas as dificuldades, acredito que com diálogo e com entendimento dessas dificuldades possamos ter políticas adequadas para saná-las”.

A plateia participou com perguntas e sugestões. Aberto a docentes, servidores técnico-administrativos, estudantes da UFMG e membros da comunidade externa, o evento é um espaço de diálogo com diversos setores da Universidade envolvidos em ações de ensino, pesquisa e extensão.

Fonte: Pró-reitoria de Extensão da UFMG