Atividades são resultado da parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e a Associação Imagem Comunitária (AIC)
Duas vezes por semana, Júlia Fernandes, estudante do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Instituto Agronômico, em Belo Horizonte, aprende técnicas que vão ajudá-la a implantar uma rádio em sua escola. Desde o mês de março, ela começou a entender como se monta uma programação e como escrever um texto para o rádio e até a identificar paisagens sonoras. Na rádio que pretende montar em sua escola, Júlia quer ser a locutora. “Já sei usar os microfones e gravar. Quero ser locutora e, para isso, sei que não posso ter vergonha de falar e nem posso gaguejar”, revela.
A estudante está entre os 120 jovens das escolas estaduais Instituto Agronômico e Professora Amélia de Castro Monteiro, ambas em Belo Horizonte, que participam das ações do polo PlugMinas de Educação Integral. As atividades são realizadas em parceria com a Associação Imagem Comunitária (AIC) no Colabora, núcleo que funciona no PlugMinas.
“O Colabora tem por objetivo promover a educação integral de adolescentes e jovens a partir de experiências formativas ligadas à comunicação. Acreditamos que, para que a educação integral seja efetiva, é preciso perceber os adolescentes e jovens como sujeitos sociais e culturais, que constroem conhecimentos e habilidades nas mais variadas experiências cotidianas. Assim, é preciso que a formação oferecida se conecte aos interesses, ao contexto, às vivências e à cultura em que o aluno está inserido. É preciso, ainda, que toda a escola se articule em prol de uma ação educativa coesa e que escola, família e comunidade estejam em permanente diálogo”, destaca a Diretora Institucional da AIC, Rafaela Pereira Lima.

A parceria teve início no final de 2015, quando foi realizado um diagnóstico participativo das relações comunicativas nas duas escolas. A iniciativa teve por objetivo identificar quais seriam as potencialidades e ações que deveriam ser realizadas para melhorar as relações comunicativas dentro daqueles espaços.
Para a realização do diagnóstico, foi criado um conselho de Educação Integral em cada escola, que contou com representantes dos alunos, professores, funcionários, gestores e pais. A partir do diagnóstico, foi criado um Plano de Ação de Comunicação. “Esse plano serviu para orientar algumas ações que a escola deveria empreender e o trabalho que estamos realizando atualmente no Colabora”, conta Emanuela de Avelar São Pedro, coordenadora do Colabora.
Atualmente, são realizadas quatro frentes de trabalho com os estudantes e professores das escolas participantes. A primeira é o “Colabora nas Escolas”, em que os estudantes foram divididos em dois grupos. Um grupo participa de oficinas de Rádio, que tem o intuito de trabalhar com os alunos a possibilidade de implantarem uma rádio dentro da escola, ensinando-os eles conceitos e técnicas radiofônicas. O outro grupo participa das atividades da Agência e Gráfica Jovem e nela recebem orientação para a produção de instrumentos de comunicação impressos e/ou digitais e aprendem técnicas de reprodutibilidade a baixo custo.

Desde que as oficinas tiveram início, no mês de março, os estudantes já produziram diferentes produtos. “Realizamos uma atividade junto com a professora de Língua Portuguesa e Literatura e os alunos produziram uma poesia e gravaram uma pílula, utilizando diferentes recursos tecnológicos. Também estão gravando rimas para passarem durante a festa junina. Na Agência e Gráfica Jovem, os estudantes produziram um zine de tweets literários. Eles escreveram os textos com o máximo de 140 caracteres, ilustraram, participaram da diagramação e acompanharam a impressão. Eles também diagramaram um jornal”, destaca Emanuela.
Amanda Madeira de Oliveira, aluna do 3º ano Ensino Médio da Escola Estadual Professora Amélia de Castro Monteiro, faz parte da Agência e Gráfica Jovem e está ajudando a confeccionar produtos que serão utilizados na festa junina de sua escola. “Nossa festa junina desse ano vai ser diferente. Aqui no Colabora estamos fazendo um painel para as pessoas tirarem fotos, fichinhas de lanche e brincadeiras e placas de barraquinhas para ajudar na identificação. É uma coisa para a escola e que vai envolver toda comunidade”.
Dalila Júlia Alves Ferreira também participa da Agência e Gráfica Jovem e é uma das pessoas que administra e escreve um blog que aborda diferentes temas sobre o cotidiano dos jovens. A estudante também criou um projeto que será implantado durante o intervalo entre o almoço e o início das atividades no Colabora. “A minha ideia são rodas de conversa que vão abordar temas como pintura, vídeo e pichação. Tudo para que a gente possa entender um pouco mais das coisas e aprender. Estou montando as aulas e pesquisando sobre pessoas que podemos convidar para virem conversar com a gente”, destaca a aluna do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Instituto Agronômico.
Outras frentes
Além do “Colabora nas Escolas”, outra frente de trabalho são os “Objetos de Aprendizagem”, que tem como foco a criação de aplicativos e software que podem ser utilizados dentro da sala de aula por professores ou alunos. Equipes da AIC já estão criando seis aplicativos relacionados, por exemplo, à criação de infográficos e a metodologias alternativas de ensino da palavra. Outros quatro aplicativos serão criados por professores das escolas participantes.
A “Agência de Comunicação Solidária” também é uma frente de trabalho e presta assessoria em comunicação estratégica e desenvolvimento institucional para as escolas. Os diagnósticos foram realizados pela Agência e um folder para esclarecer as funções de cada um dos setores das escolas também será feito por ela e contará com auxilio dos alunos, que irão apurar as informações e ilustrar o material. A quarta e última frente é o “Acesso público às mídias” que conta com ilhas de edição e equipe de audiovisual que dá apoio às outras.
Outra escola que também participa das atividades do Polo PlugMinas de Educação Integral é a Escola Estadual Presidente Dutra. A instituição está realizando o seu diagnóstico participativo das relações comunicativas para que no próximo semestre possa realizar as oficinas.

Polo PlugMinas de Educação Integral
Além das oficinas desenvolvidas pela AIC, os estudantes que participam do polo PlugMinas de Educação Integral também contam, durante a semana, com acompanhamento pedagógico e atividades de Inglês, esporte e lazer e artes. Ao todo, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) conta com seis polos de Educação Integral localizados na Região Metropolitana e no interior de Minas Gerais.
A coordenadora das Ações da Educação Integral na SEE, Rogéria Freire, ressalta a importância das atividades desenvolvidas nos polos para o desenvolvido da Educação Integral. “A formulação desses polos é para potenciar as ações de Educação Integral, vislumbrando aproveitar os diferentes espaços e a possibilidades de articulação com outros setores do próprio governo e instituições que têm uma expertise, como a AIC. É uma ação intersetorial, onde o polo é o irradiador de políticas públicas”, aponta Rogéria.