Seminário Internacional aponta diretrizes para tornar as escolas atraentes a jovens e adolescentes
Por que jovens e adolescentes abandonam as escolas? A pergunta foi dirigida à plateia presente no encerramento do Seminário Internacional sobre Inclusão de Adolescentes e Jovens no Ensino Médio pela professora e ex-ministra da Educação e Cultura do Equador, Rosa Maria Torres. A evasão escolar é um problema latino-americano, segundo ela. Metade dos jovens da América Latina em idades entre 15 e 17 anos estão fora da escola. Em Minas Gerais eles representam 15%.
A principal razão desta realidade, segundo Rosa Torres, é a falta de sentido da escola. “Eles não encontram sentido na educação. Fatores socioeconômicos agravam esse quadro, entretanto, uma escola desinteressante, com um conteúdo fora da realidade desses jovens, é de suma gravidade. Qual a escola ideal para os jovens? Por que estão insatisfeitos? Como fazê-los regressar a uma escola que os excluiu?”, questionou a ex-ministra.

Para a professora, o tempo é um dos inimigos do sistema escolar. Segundo ela, aprender é um processo que precisa pausa, apoderamento e socialização do conhecimento. “Não se aprende em 40 minutos de uma aula. Esse sistema precisa ser repensado. Nossa escola passa conhecimento como se fosse informação e o aprendizado necessita de processamento”.
Seminário
Promovido pela Secretaria de Educação, em parceria com o Unicef, Cenpec, Itaú Social e Ministério da Educação, o Seminário Internacional sobre Inclusão de Adolescentes e Jovens no Ensino Médio reuniu em Belo Horizonte, nestes 27 a 28 de abril, representantes de vários estados e países sul-americanos, entre eles Bolívia, Equador e Argentina.
O diálogo e o debate permanentes pautaram as discussões do Seminário. Entre os resultados das oficinas que aconteceram em sete grupos temáticos na tarde de ontem (27/04), alguns pontos comuns foram levantados, como a sugestão que os conteúdos curriculares apresentem um cardápio variado de atividades que atuem com sinergia e que os laboratórios cheguem às cidades do interior e às escolas mais longínquas.
As sete oficinas discutiram o desafio de apoiar os adolescentes retidos no Ensino Fundamental; Esporte, cultura e lazer como dinâmicas e linguagens que promovem a inclusão escolar; Estratégias multissetoriais a partir de políticas de assistência social, saúde, educação e trabalho; Educação integral e Juventude; A educação em territórios específicos, Educação do Campo, Educação Quilombola, Educação indígena e Diversidade; e Tecnologias da Informação e Comunicação.
Entre outras conclusões das oficinas, estão a necessidade de maior diálogo entre alunos e professores e o preparo das escolas para receber o novo e romper paradigmas, além de melhorias nos aspectos físicos, tecnológicos e humanos para o acesso de pessoas com deficiência.
Pensar escolas enquanto territórios que extrapolem os limites da unidade de ensino bem como uma educação diferenciada que atenda as populações rurais, do campo, indígena reconhecendo e compartilhando a cultura dos povos na reorganização das escolas foram também aspectos levantados nas oficinas. Um dos consensos das discussões do Seminário foi que a escola, por ser espaço de diversidade, deve estar preparada para atender com maior atenção aos jovens mais vulneráveis à exclusão.