Encontro de três dias na Faculdade de Educação da UFMG discute paradigmas desse segmento
Muita música, jograis e apresentações teatrais marcaram a abertura do Seminário de Avaliação do Projeto Escola da Terra - Formação Continuada de Educadores do Campo em Minas Gerais, na manhã desta quarta-feira (16/03), no auditório da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (FAE-UFMG). O encontro acontece até o dia 18 de março, em Belo Horizonte.
A Escola da Terra é uma ação do Programa Nacional de Educação no Campo (PRONACAMPO) de formação continuada de profissionais da educação que atuam no meio rural. O evento coroou uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (SEE/MG), o Ministério da Educação (MEC), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e prefeituras de 17 municípios mineiros. A perspectiva é atender principalmente professores que atuam em salas multisseriadas e o foco é o conceito de educação no campo.
O objetivo do Seminário é sistematizar e avaliar a formação oferecida e as repercussões nas práticas pedagógicas desenvolvidas pelos educadores inscritos, a partir da discussão dos princípios da Educação no Campo e das áreas de conhecimento.
A execução desse programa vinha sendo discutida desde 2012, mas somente se viabilizou em 2015, quando começou a formação de fato. São 1.200 professores nessa primeira turma. Desses, 70 são professores da rede estadual do município de São Francisco (Norte de Minas). Na perspectiva de continuidade do programa, a proposta é de oferecimento de 2 mil vagas, com participação efetiva dos educadores do campo da rede estadual.
Territórios de Desenvolvimento
Segundo a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica da SEE, Augusta Mendonça, com base em diagnóstico de todo o estado, a proposta é atender escolas das 17 regiões de desenvolvimento de Minas Gerais. Representando a Secretária de Estado da Educação, Macaé Evaristo, Augusta ressaltou a necessidade de ampliação do número de vagas nesses cursos de formação continuada do campo e a criação de uma rede em todo o estado incluindo os anos finais do Ensino Médio. “Nosso grande desafio é integrar as Escolas do Campo às políticas gerais da Secretaria de Estado da Educação. A formação profissional é uma delas. Em breve, estaremos implementando, como projeto inicial, a Escola Integral em 100 escolas do campo, um modelo que respeite suas especificidades. Posteriormente, a rede de ensino profissional, fortalecimento das bibliotecas escolares, projetos inovadores e investimentos em infraestrutura”, pontuou ela.
A coordenadora da Educação Escolar, Indígena e Educação do Campo da SEE, Érica Fernanda Justino explica que “a Escola da Terra vem plantando uma semente para que os sujeitos do campo tenham direito ao reconhecimento de suas especificidades e uma educação que lhe dê possibilidade de acesso ao conhecimento e formação em todas as dimensões: política, cultural, social”.
Érica Justino considera a formação continuada o início de mudanças de paradigmas. “Muitos ainda trabalham na perspectiva da escola rural, seguindo toda uma organização pensada para escolas da cidade”.
Maria Alves, representante da Rede Mineira de Educação no Campo e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), apelou aos presentes para que reproduzam seus conhecimentos de forma a envolver os demais atores da sociedade. “Há desafios e disputas ideológicas que nos levam a somar forças para garantir que todos compreendam a necessidade de que a Educação no Campo aconteça. Que cada um leve para as salas de aula o compromisso de refletir a conjuntura, pois se isso não for objeto de discussão pode levar ao retrocesso”.
Diretrizes da Educação do Campo
Em dezembro de 2015, a SEE lançou o caderno “Diretrizes da Educação do Campo do Estado de Minas Gerais”, resultado de trabalho desenvolvido pela Comissão Permanente de Educação do Campo.
As diretrizes foram instituídas pela Resolução SEE 2820, de 11 de dezembro de 2015. Composta de 20 artigos, o documento contempla temas como a formação de professores do campo, o transporte escolar e a alimentação dos estudantes, além do conceito de população do campo e escola do campo.