Visitas continuadas permitirão conhecer experiências a partir das metodologias de ensino e tornar as escolas referências das demandas da comunidade
A coordenadora de Educação no Campo, Sônia Roseno, coordenadora de educação escolar indígena, Célia Xakriaba e Silvania de Fátima Gonzaga Belmonte Galvão, diretora de ensino da SRE Pará de Minas visitaram, em novembro, as escolas estaduais indígenas Pataxó Muã Mimatxi, em Itapecerica, e Kaxixó Taoca Sérgia, de Pará de Minas, onde puderam acompanhar as atividades nas comunidades, como parte de uma agenda de visitas às 17 escolas indígenas em todo o estado.
A proposta da Secretaria é realizar visitas continuadas às aldeias indígenas de Minas visando observar e conhecer o processo educativo, sua contribuição pela retomada das identidades desses povos, bem como suas práticas culturais na construção de um plano de gestão territorial e ambiental. Objetiva, também, que as escolas indígenas sirvam de referência para outras demandas dessas comunidades.

Alguns dos processos educacionais indígenas contribuem na retomada da identidade cultural de seus povos, trabalhando temáticas culturais com enfoque em projetos que visem um plano de gestão territorial e ambiental.
Na escola Pataxó, “a alfabetização e o letramento se dão em forma de música, brincadeiras e jogos, com resultados bem interessantes”, observa Célia Xakriabá. “As crianças reproduzem esses ensinamentos em suas atividades fora da escola, o que torna a alfabetização um processo bem mais curto”, afirma Célia. Dessa forma, as escolas indígenas vão preparando seus jovens e crianças para “ter um pé na aldeia e outro no mundo, pois a escola é um planejamento de vida”, segundo a liderança indígena Kanatyo Pataxó.
De acordo com Célia Xakriabá, na Escola Estadual Indígena Kaxixó Taoca Sergia, há um forte envolvimento de toda a comunidade no levantamento e coleta de dados que permitirão o mapeamento e a gestão dos seus territórios que apresentem praticas sustentáveis.
A observação dos métodos de ensino em cada aldeia e a troca dessas experiências podem proporcionar uma metodologia que contribua na alfabetização de crianças e jovens indígenas, bem como a preservação de suas culturas.

Algumas demandas foram apresentadas durante a vista da SEE e SRE Pará de Minas, entre elas a ampliação do atendimento escolar à Escola de Jovens Adultos – EJA, além da implantação de práticas mais dinâmicas em atividades que envolvam a cultura indígena e valorização da produção de materiais específicos no ensino infantil, que levem em consideração o contexto da escola indígena.
A escola é o espelho da aldeia e, por isso, tem o importante papel na preservação e difusão da cultura indígena. Esse é o entendimento do líder Kanatyo E Siuê, da Escola Estadual Indígena de Itapecerica. Minas Gerais conta com, aproximadamente, 4.100 alunos indígenas das etnias Kaxixó, Krenak, Maxakali, Pataxó, Pankararu, Xacriabá, Xucuru-Kariri e Mokurin.
O Estado tem 17 escolas indígenas e duas turmas vinculadas a escolas não indígenas. O atendimento escolar indígena é feito em 64 endereços. As escolas estão localizadas em sete municípios.