Processo de escolha de diretores e vice-diretores das escolas estaduais teve participação ativa de servidores, estudantes e pais

Servidores, estudantes e pais de alunos compareceram, na terça-feira, 15/12, aos locais de votação instalados em 3.493 escolas de todo o Estado para escolha de diretores e vice-diretores. O processo é resultado do cumprimento de mais um item do acordo histórico, firmado entre o governador Fernando Pimentel e os educadores de Minas Gerais, em maio de 2015. A Resolução 2.795/15, de 28 de setembro de 2015, definiu o tempo de mandato das direções de escola, em três anos, com direito a uma recondução. A previsão é de que os gestores eleitos sejam empossados e designados, através de Ato Coletivo, até a primeira quinzena de 2016.

A intenção é que, no próximo ano letivo, as escolas já comecem os trabalhos executando planos de ação dos eleitos, segundo o diretor de Gestão e Desenvolvimento de Servidores Administrativos e de Certificação Ocupacional da Secretaria de Estado da Educação, Paulo Henrique Rodrigues.

A forma democrática de escolha permitiu que mais de 25 mil servidores se candidatassem à certificação para exercer a função de diretor e vice-diretor, pré-requisito para a formação das chapas, segundo Paulo Henrique. Destes, 10.196 foram certificados.

Servidores, alunos e comunidade se mobilizaram para escolher diretores e vices das escolas estaduais. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

A Resolução 2.795/15 inovou também na determinação de apresentação à comunidade de plano de gestão e a abertura à participação de efetivos e não efetivos.

O caráter democrático do processo chamou a atenção de Igor Siqueira Barbosa, que cursa o 2º ano do ensino médio, na Escola Estadual Governador Milton Campos (Estadual Central). Ele votou pela primeira vez: “mesmo sendo chapa única, o processo de escolha nos permite conhecer as intenções da próxima gestão e dar nossa opinião”.

Alunos participaram ativamente do processo. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

Michele Carvalho tem três filhos de 7, 13 e 17 anos estudantes do Instituto de Educação de Minas Gerais (IEMG) e já votou por outras três vezes. “Conheço as três chapas concorrentes e escolho aquela que se propõe a oferecer uma escola diferenciada para meus filhos”. Segundo Michele, o processo de escolha é muito importante por “provocar a discussão de mudanças que são possíveis no próprio ambiente escolar. A repetição desse procedimento vai mudando uma cultura de escolas autoritárias.”

Michele j já participou de três processos de escolha. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE
João Henrique Domingos Gomes, 16 anos, do 1º ano do Ensino Médio no IEMG, disse ter estudado as propostas das três chapas, e optou por aquele projeto que considera mais próximo da “realidade” e com melhores condições de ser executado. “Tem propostas que destoam da nossa realidade e sabemos que não serão implementadas”.

Mesmo licenciada, Jaqueline Cristiane Brás das Chagas, professora do Ensino Básico do Instituto de Educação fez questão de participar do pleito. Para ela é um direito que precisa ser exercido por todos, mesmo sendo opcional: “não podemos abrir mão de nossos direitos e a escolha de um projeto de escola é um exemplo para outras instâncias de poder.”
Na Escola Estadual Maria Luiza Miranda Bastos, no bairro Planalto, onde duas chapas concorreram à direção, 206 alunos e servidores já haviam votado nas primeiras horas da manhã. Durante todo o processo, houve grande mobilização e amplos debates, segundo Alexandra Lima, da Comissão Eleitoral.

Com o espaço de votação instalado em área comum na Escola Estadual Ari de França, a movimentação foi intensa durante o dia. No início da tarde, alunos, pais e servidores formavam filas para a votação. Lindolfo Aparecido Rosa, aluno do 2º ano do EJA, fez questão de dar uma “fugida” em seu horário de almoço para exercer o direito ao voto. “É muito importante poder opinar nos destinos de nossa escola”.

O corretor de imóveis, Paulo Sérgio Maia, compareceu à votação a pedido de sua filha: “Os pais têm papel fundamental na vida escolar dos filhos. Eles precisam sentir que estamos participando e interessados em sua vida escolar.”

De acordo com a diretora de Recursos Humanos da Secretaria de Estado da Educação, Sílvia Anderi, a instalação desse processo de escolha de diretores permitirá que “de três em três anos haja interlocução com a comunidade escolar, na busca de soluções para diversos problemas. Esta interlocução é fundamental para respeitar pontos de vista tanto dos profissionais quanto da comunidade que recebe aquele serviço.”

O processo de escolha acontece a cada três anos. Foto: Elian Oliveira/ACS-SEE

As escolas com menos de dois anos de funcionamento, do sistema prisional e socio-educativo não participaram do processo. As quilombolas, rurais e indígenas terão legislação própria que está sendo elaborada. Nas 171 escolas não apresentaram chapa, o Colegiado deverá, num primeiro momento, indicar servidor da própria escola, obedecendo os critérios definidos no artigo 9º da Resolução 2795/15.