Roda de Conversa mobiliza comunidade escolar em Teófilo Otoni e aponta caminhos para uma escola inclusiva e participativa

Uma escola onde o aluno é o autor e personagem de sua própria história. Com essas palavras, a educadora Terezinha Barreiros dos Santos, da Escola Estadual João Beraldo, do município de Carlos Chagas, definiu os objetivos da roda de conversa da Virada Educação Minas Gerais, encontro que reuniu, na última quinta-feira (26/11), em Teófilo Otoni, mais de 200 professores, alunos e orientadores pedagógicos de 135 escolas, dos 31 municípios que integram a Superintendência Regional de Ensino (SRE) de Teófilo Otoni. A roda de conversa do Território Mucuri, realizada na Escola Estadual Tristão da Cunha, em Teófilo Otoni, foi uma oportunidade de encontrar e discutir semelhanças e diferenças. Refletir sobre a escola de hoje e a que se pretende construir no futuro.

Durante todo o dia, estudantes e educadores puderam conversar sobre o que a escola tem de bom e em que ela pode melhorar, em especial para se tornar mais atrativa e afinada com a juventude. “Esta Virada Educação é um grande avanço, uma vez que nunca se construiu um projeto a partir da própria escola. Estávamos acostumados a receber propostas prontas a serem aprovadas ou não”, relata Maria Rosária Ribeiro Lopes Schaper, diretora educacional da SRE Teófilo Otoni.

Durante todo o dia, estudantes e educadores puderam conversar sobre o que a escola tem de bom e em que ela pode melhorar para atender à juventude. Foto: Elian Oliveira ACS/SEE

 

A proposta inovadora começa a reacender a “chama do encantamento”, disse a superintendente regional de ensino de Teófilo Otoni, Maria Helena Costa Salim. Com 39 anos de militância na educação, Maria Helena admite que a motivação da categoria estava em baixa há anos. “É uma proposta inspiradora, porque pela primeira vez se trata de ouvir todos os envolvidos e, principalmente, aqueles que estão na lida do dia a dia. Por um lado, é provocativo aos professores, ao colocá-los no centro da discussão de um novo projeto que cabe a eles propor e, por outro, aos alunos, que pela primeira vez têm espaço e voz para apontar os meios de tornar a escola atrativa”, relata a superintendente.

O evento foi precedido de várias apresentações culturais de alunos e ex-alunos de escolas públicas da região. Um quinteto de voz e violão de jovens estudantes trouxe um repertório de bom gosto e alto nível de profissionalismo. O coral Pingo de Gente, formado por crianças e adolescentes de 5 a 15 anos e regido pela professora Maria do Perpétuo de Jesus Luiz, da Escola Estadual Frei Antelmo Kropman, emocionou a plateia.

O encontro contou com várias apresentações culturais de alunos e ex-alunos de escolas públicas da região. Foto: Elian Oliveira ACS/SEE

A dinâmica das rodas de conversa seguiu a linha de alunos e professores debaterem e apontarem o que há de melhor e pior e propor soluções para suas escolas. As propostas serão compiladas e compartilhadas com todas as instâncias da educação. O mais importante, segundo o estudante Leandro Soares da Silva, 16 anos, da Escola Estadual Mestra Zulmira, município de Malacacheta, é a proposta ganhar a confiança de estudantes e professores que “passam a discutir seu próprio universo e como enfrentá-lo e transformá-lo”.

Chamou especial atenção o nível das discussões e a seriedade com que grupos de estudantes e de professores debateram seus problemas e suas propostas. “Temos muito o que construir, isso é apenas o começo e o debate demonstrou que a discussão leva ao interesse comum”, reconheceu o estudante Carlos Henrique Rodrigues dos Santos, 18 anos, que cursa o 3º ano na Escola Estadual Alfredo de Sá, em Teófilo Otoni.

Professores também tiveram a oportunidade de se reunirem para levantar propostas para a construção de uma escola mais participativa. Foto: Elian Oliveira ACS/SEE

A Virada Educação

O movimento Virada Educação Minas Gerais foi iniciado pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) com o objetivo de trazer o adolescente que está fora da escola de volta aos estudos e tornar o ambiente escolar mais atrativo para a juventude. Atualmente no Estado cerca de 160 mil jovens na idade entre 15 e 17 anos estão fora do ambiente escolar. Para trazer o adolescente, o movimento quer entender o que falta na escola e na educação que faz com o jovem abandone os estudos e o que pode ser feito para garantir que o estudante permaneça na sala de aula.

Assim, o movimento pretende criar estratégias para aproximar a escola do universo do adolescente, a partir do envolvimento de vários atores sociais que podem contribuir para a melhoria do ambiente escolar: pais, artistas, comunidade do entorno da escola, associações, educadores e o próprio jovem, dentre outros. Desde setembro as rodas de conversa vêm sendo realizadas e vai contemplar todos os 17 territórios de desenvolvimento do Estado. Para estas rodas, a SEE conta com o apoio do Unicef, que desenvolveu a metodologia.

Como ação da Virada, a Secretaria de Educação está realizando um cadastro para os jovens que querem retornar aos estudos em 2016. Saiba mais sobre o chamamento aos jovens, que termina na próxima segunda-feira (30/11) AQUI.