Ação aconteceu nesta quinta-feira (26/11) em Montes Claros e reuniu educadores e estudantes de cinco superintendências regionais de ensino
Chegou a vez dos educadores e estudantes do Norte de Minas conversarem sobre a educação no Estado. Foi realizada nesta quinta-feira (26/11), em Montes Claros, uma roda de conversa da Virada Educação Minas Gerais que incluiu professores e alunos de escolas das superintendências regionais de ensino de Januária, Janaúba, Araçuaí, Pirapora e Montes Claros. 202 professores e 170 alunos se reuniram para falar sobre o que precisa mudar na escola e o que já é bom.
Os participantes foram convidados a levarem suas experiências para a roda. Enquanto os professores contavam sobre o seu trabalho e as percepções que têm de seus alunos, os estudantes se reuniram para contar sobre o que gostam em suas escolas e o que gostariam que fosse diferente.

Tiago Uziel é aluno do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Professora Marlene Carmo e viajou os 200 quilômetros entre Rio Pardo de Minas e Montes Claros para levar sua experiência e dar sua opinião sobre a educação a escola. Ele acha importante o aluno ter a sua voz nesse processo de avaliação e reconstrução do ensino médio. “O professor vai falar sobre as dificuldades que ele tem para ensinar, mas a gente, como aluno, vai falar das dificuldades que temos pra aprender, o que pode ser aprimorado para que esse processo chegue até a gente”, explica.
Mas a contribuição dos alunos vai além das sugestões que eles podem dar à discussão, segundo a professora Maria Rosemary de Oliveira, de Porteirinha, que atua em duas escolas estaduais, Alcides Mendes da Silva e Miguel José da Cunha. “Vi aqui alunos preocupados com discriminação social, com a questão racial. Então, esse momento é importante e é bastante significativa a oportunidade de ouvir os alunos. Quando eles se sentem valorizados a escola fica fortalecida. Ele retorna com outra visão, começa a perceber que a escola de outro aluno é diferente da dele, e questiona por que a escola dele não pode ser melhor do que é”.
Para a professora, a importância da participação dos educadores não fica atrás. “Raramente tivemos oportunidades de nos encontrar pra falar de tantas questões e de modos diferentes sobre as necessidades que temos, os desafios da educação hoje e, principalmente, na possibilidade pra construir a educação em que acreditamos e sonhamos”.
Todas essas contribuições serão sistematizadas e culminarão na construção de uma educação que garanta que todos os jovens de 15 a 17 anos – idade ideal para cursar o Ensino Médio – nas escolas. Atualmente cerca de 160 mil jovens nessa idade estão fora do ambiente escolar. E para trazer estes jovens de volta, a Secretaria de Educação está realizando a Campanha VEM, que termina na próxima segunda, 30/11, chamando os jovens a ser cadastrarem para voltarem aos estudos em 2016. (saiba mais AQUI).

A professora Gisleide Costa, da Escola Estadual Jesusinha Araújo Magalhães, de São João do Pacuí, acredita que esse momento com os educadores e educandos do Norte de Minas pode ajudar nesse processo, mas o caminho é longo. “Acredito que nós não estamos no caminho certo. Se estivéssemos no caminho certo eles estariam dentro da escola. É preciso achar um caminho. Acredito muito que a escola tem que mudar pra atrair esse aluno”.
Passo a passo esse caminho é construído por professores, alunos e Secretaria. O aluno Tiago ressalta que se os alunos forem ouvidos, a mudança pode acontecer. “Se surgirem projetos efetivos a partir das nossas propostas, então, sim, isso pode mudar todo o sistema de ensino. Porque antes de pensar em trazer de volta esses alunos, temos que pensar em segurar os que já estão nas escolas. Não é somente trazer os de fora, é evitar que isso aconteça novamente.”
