Exposição, de forma lúdica, recupera em variadas linguagens, o tratamento dado às formas de resistência camponesa
Mais de 200 alunos da Escola Estadual Santa Tereza, na zona rural de Esmeraldas, visitaram a Cidade Administrativa e se deslumbraram com as exposições e apresentações no caminhão museu “Sentimentos da Terra: um museu itinerante” desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, por meio do Projeto República, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário, através do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD).
O veículo, em forma de museu, traz com tecnologia avançada e interativa a história da luta pela terra no Brasil, representada por seus principais personagens e eventos, como Chico Mendes, Canudos, entre outros. Ele está estacionado na Praça Cívica, diante do Palácio Tiradentes desde o dia 20 e fica no local até quinta-feira (26 de novembro). A exposição é realizada em parceria com a Secretaria de Estado da Educação.
Na visita, os alunos foram acompanhados de diretores, professores, servidores da escola, pais e moradores das comunidades rurais de Bambus, Vista Alegre, Padre João, Mandemes, Serra Negra e Fazenda Arroio. “São raras as oportunidades de essa turma sair dos limites da escola ou mesmo de suas localidades. Somente a vinda a Belo Horizonte, que muitos não conheciam, já é uma festa. Mas a oportunidade de contato com a história através de tecnologias avançadas e mesmo de contato com objetos, vídeos e histórias contadas pelos produtores do projeto, é uma forma inusitada de aprendizado para todos”, reconhece o vice-diretor da Escola Estadual Santa Tereza, Idelino Rodrigues Pereira.
Para Idelino, o Espaço Imaginação, onde podem ser consultados desde publicações e estudos sobre o desenvolvimento rural a livros de arte relacionados ao tema, combinado com o acesso a computadores “permite uma interatividade das crianças com seu próprio espaço de convivência, a vida no campo.”
As crianças e adolescentes, em idades entre cinco e 17 anos, assistiram com atenção e concentração os vídeos e relatos, com caracterização de épocas diversas, e exposições sobre a luta pela terra desde a descoberta do Brasil.
Silvéria Aparecida Baeça, professora do 1º ano, também estudou e se formou na escola Santa Tereza, onde leciona para seus próprios filhos, abraçou a ideia desde que o convite foi enviado pela Coordenação de Educação do Campo e Indígena da Secretaria de Educação: “Essas oportunidades são raras. Nasci e me criei em Vista Alegre (distrito de Esmeraldas) e nossa escola tinha pouco a oferecer. O resultado estamos vendo aqui, como eles estão concentrados em tudo e atentos às explicações.”
Para o aluno do 4º ano do ensino fundamental, Leandro Augusto Almeida Duque, de 10 anos, a visita foi um aprendizado: “Ouvi sobre os bandeirantes, índios, quilombolas. Algumas histórias, como de Canudos, já tinha ouvido alguma coisa, e outras ainda não”.
O caminhão-museu Sentimentos da Terra já visitou 16 cidades, em 17 estados, percorreu 23 itinerários e rodou mais de 20 mil quilômetros. Foi visitado por 25 mil pessoas.