Participação foi intensa nos dois municípios metropolitanos. A campanha Virada Educação Minas Gerais (VEM) é acolhida pelas comunidades
Adotando dinâmicas diferenciadas, as superintendências regionais de ensino (SREs) Metropolitanas A e C promoveram no sábado (14/11) uma ampla mobilização nas cidades de Sabará e Santa Luzia. A participação de pais, alunos, educadores, inspetores e diretores superou as expectativas da Secretaria de Estado de Educação. A iniciativa teve por objetivo sensibilizar os jovens e toda comunidade sobre a importância do retorno à escola dos jovens com idades entre 15 e 17 anos que, por algum motivo, deixaram as salas de aula.
Em Santa Luzia, a estratégia dos gestores e da SRE Metropolitana C foi a criação de seis polos, reunindo as escolas do entorno, onde as manifestações esportivas e culturais serviram de atrativo para que os adolescentes se inscrevessem. As escolas estaduais Rose Haas Klabin, Geraldo Teixeira da Costa, Lafaiete Gonçalves, Reny de Souza Lima e Raul Teixeira da Costa, além do Centro Estadual de Educação Continuada (Cesec) Conjunto Habitacional Cristina centralizaram as atividades recreativas e inscrições para ex-alunos interessados em retornar a uma das 22 escolas de Santa Luzia.
No polo da Escola Estadual Geraldo Teixeira da Costa, os jovens se preparavam desde cedo para as apresentações e competições esportivas. As finais de campeonato de futsal e natação foram marcadas para o dia de mobilização.
O diretor da SRE Metropolitana C, Igor Prieto de Andrade, explicou que esse foi apenas um passo dentro de um processo mais amplo, “apenas uma etapa de um movimento que é permanente”. Cada escola escolhida como referência nas diversas regiões de Santa Luzia promoveu um café da manhã, como acolhimento aos convidados das escolas do entorno, elaborou suas atividades e centralizou as inscrições”.
Cássia de Carvalho Pimentel, diretora da Escola Estadual Geraldo Teixeira da Costa, aponta como positiva a ação conjunta das cinco unidades de ensino: “Nos reunimos, levantamos o que cada uma poderia apresentar, encaminhamos a carta conjunta aos alunos e o resultado foi essa bela mobilização que aconteceu hoje aqui.”
Ítalo Felipe Nascimento da Paixão, 16 anos, ex-aluno da Escola Estadual Domingos Dornelas resolveu se inscrever na Escola Estadual Geraldo Teixeira da Costa. Segundo o adolescente a vantagem de estar na escola é a convivência com muitas pessoas. Amante da Matemática, disse ter algumas dificuldades no aprendizado do Português. Mas gosta mesmo é de jogar bola. “Ouvi muita falação de meus pais, avó, tias e até colegas. Então vi que aqui é o melhor lugar para crescer e conhecer pessoas.”Tailor Roberto, 14 anos, saiu no 6º ano e está pensando sério em retornar. “Quero estudar e, quem sabe, me tornar um médico. Participava de um time, o Santa Cruz, mas o técnico me disse que só posso voltar se me matricular de novo”, disse.
Sabará
Em Sabará, a SRE Metropolitana A e os gestores decidiram concentrar todas as atividades na Praça Melo Viana, um dos pontos mais movimentados do centro histórico da cidade. A mobilização das 17 escolas do município chamou a atenção, desde cedo, quando centenas de crianças e adolescentes ocuparam as ruas da cidade, em direção à praça.
Ouvir alunos e professores é um passo à frente para oferecer às comunidades a escola que necessitam. Esse é o entendimento do diretor do Ensino Médio da Secretaria, Wladmir Coelho, que aponta a intolerância e as diretrizes conservadoras que vêm ganhando campo como um dos frutos da falta de espaço de discussão na escola. “Não podemos continuar com um modelo de escola do século XVIII, isolada, onde o conhecimento nele gerado não se mistura. Ela precisa sair para as ruas, deixar as paredes do prédio. Com certeza essa é a chave para transformar a educação.”
De acordo com Wladmir escutar os alunos é acreditar na juventude que, hoje, é “associada à criminalidade por segmentos conservadores. A juventude, quando tem a oportunidade de mostrar seu trabalho, vem e mostra o que quer. Estamos vivenciando isso aqui em Sabará.”
Idalina Franco de Oliveira, diretora da SRE Metropolitana A, aponta a importância dessas mobilizações como passo fundamental para se mudar os paradigmas na educação. Foram 17 escolas que se encontraram, traçaram suas ações em conjunto e trabalharam o tempo todo, trocando ideias e sugestões. “Isso é muito bom. Esse é um primeiro passo: envolver a comunidade. A escola precisa ter um projeto político pedagógico e formação continuada tanto dos educadores quanto supervisores pedagógicos, e a direção do coletivo. Essa será uma escola atrativa e diferente.”
Confira mais fotos das ações realizadas no último sábado: