A secretária de Estado de Educação participa de mesa sobre racismo e leva o ponto de vista da educação básica para a discussão

Até o próximo domingo, Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, recebe o 3º Festival de História (fHist), evento que tem como objetivo discutir grandes temas do passado brasileiro e português que repercutem ainda hoje no modo de vida e organização desses dois países. Entre esses temas está a resistência dos negros à escravidão e ao preconceito no Brasil, discussão que teve a participação da secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo.

A secretária participou da mesa “Da Escravidão ao Racismo: Paradigmas da Resistência”, que também contou com os historiadores João José Reis, professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), e Rafael da Cruz Alves, pesquisador do Projeto República da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A secretária participou da mesa “Da Escravidão ao Racismo: Paradigmas da Resistência”. Foto: Lígia Souza ACS/SEE

Como educadora, Macaé levou para a discussão, além do tema da mesa, a educação básica. Ela destacou que a universalização da educação dos seis aos 14 anos de idade no país foi tardio, no final da década de 80, e que esse processo não basta para inserir a criança negra na escola. “Porque, a partir do momento em que ela se insere na escola, é que, de fato, mais fortemente se percebe negro. As crianças, ao entrarem na escola, se deparam fortemente com o racismo tal qual ele existe na nossa sociedade. É lá que nossas crianças negras percebem que são diferentes, que tem alguma coisa que as colocam em um lugar desigual. Temos aí um grande desafio quando falamos da escola pública: como lidar com a identidade, o reconhecimento, a valorização e a história da população negra no ambiente escolar”.

A Lei 10.639/2003 busca levar esse tema para a sala de aula. Ela inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira”. A Secretaria de Estado de Educação, desde o início dessa gestão, desenvolve uma iniciativa que busca colocar em prática essa lei e, finalmente, levar a história e a cultura negras efetivamente para as escolas da rede estadual. Foi com o vídeo que apresenta essa campanha que a secretária fechou a apresentação:

fHist

Promovido a cada dois anos, o festival inclui oficinas de história e programação cultural, como lançamento de livros e apresentações musicais. Em maio deste ano, uma edição do festival, com formatação semelhante, foi realizada em Braga, uma das cidades mais antigas de Portugal. Macaé Evaristo também participou da edição portuguesa. Lá, o tema da conferência que contou com a participação da secretária foi “Da Escravidão ao Racismo, Paradigmas da Diáspora Africana”

O coordenador do fHist, Américo Antunes, ressalta que o evento e as discussões que ele levanta passam pela educação básica. “O nosso festival tem tudo a ver com o ensino e a pesquisa de história, portanto tem tudo a ver com a academia, não só a universitária, mas sobretudo para aqueles que reproduzem a história, que passam as histórias à frente, que educam sobre os temas históricos. Então o convite à Macaé foi feito exatamente pela sua trajetória como educadora e agora na condição de secretária de Estado de Educação. A participação dela nos garante essa reverberação do festival na medida em que o evento não pode morrer em si, não é só esse momento”.

Clique aqui e confira a programação completa do fHist.