Evento reúne 75 escolas da Região Metropolitana e mais de 112 atrações, além de exposição de trabalhos pedagógicos e artísticos

Nesta quinta-feira, estudantes de escolas estaduais da Região Metropolitana de Belo Horizonte trocaram as salas de aula pelos palcos, gramados e demais espaços do PlugMinas. O local foi tomado por jovens, crianças e educadores de escolas estaduais no evento da Virada Educação das Metropolitanas. A alegria e o som da fanfarra da Escola Estadual João Guimarães Rosa, de Betim, abriram o encontro, que contou com várias apresentações e atividades artísticas e culturais, projetos pedagógicos e experiências bens sucedidas desenvolvidas nas unidades escolares.

Crédito: Osvaldo Afonso /Imprensa MG

A iniciativa compõe a programação da Virada Educação Minas Gerais, movimento iniciado em julho pela Secretaria de Estado de Educação que quer trazer o jovem que está fora da escola de volta aos estudos, dialogar com a juventude e compartilhar experiências a fim de transformar a escola em um espaço de aprendizagem verdadeiramente atrativo. O encontro acontece até amanhã, a partir das 9 horas, no PlugMinas, com a participação de 75 escolas estaduais e mais de 112 atrações. Ainda na abertura do evento, estudantes com deficiências auditivas da Escola Estadual Francisco Sales, do Barro Preto, apresentaram o hino nacional em libras, cantado pela professora Maria Lúcia Lemos.

 A secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, participou do primeiro dia do evento, que acontece até amanhã no PlugMinas, e destacou a importância desse momento para a educação em nosso Estado. “A ideia desse encontro é mostrar que as escolas estaduais têm boas práticas, é capaz de crescer, de formar bons cidadãos e criativos, mostrar a força dessa juventude e a força da Educação. Queremos fazer da prática do diálogo nosso grande instrumento de transformação”, disse Macaé.

 Secretária Macaé Evaristo participou do evento. Crédito: Osvaldo Afonso /Imprensa MG

“Em Minas Gerais, cerca de 15% dos jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola. Precisamos mudar essa realidade e para isso é necessário a participação de todos. A nossa tarefa, a partir do dia 21, é conversar com aquele amigo, aquele conhecido que está fora da escola e dizer da importância de acreditar na sua capacidade, no seu projeto de vida e saber que em nosso Estado temos escolas que estão dispostas a acolher, dialogar e recebê-los”, salientou a secretária.

A inclusão foi um dos temas presentes no evento. Alunos da Escola Estadual José Mário de Morais, de Barão de Cocais, entre eles um cadeirante, Wedner Souza, de 15 anos, e uma com dificuldade de locomoção, Franciele Coelho, de 19 anos, apresentaram um número de ginástica rítmica ao som da música Brasileirinho. A escola desenvolve vários projetos musicais e artísticos que sempre incluem os estudantes com deficiências em suas atividades.

Exposição da Escola Estadual Paulo Freire apresentou os trabalhos feitos pelos alunos detentos da penitenciária Nelson Hungria. Foto: Igor Ribeiro

Diego Wendel, de 15 anos, tem uma deficiência intelectual que não o impediu de cursar a escola regular, sempre contando com o suporte de professores de apoio e da sala de recursos da Escola Estadual Major Delfino de Paula Ricardo, no Bairro Santa Cruz. A escola apresentou na exposição “Passo a passo da superação” um pouco do trabalho de atendimento educacional especializado desenvolvido com estudantes como Diego, que hoje é aluno do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Santo Afonso, mas que continua utilizando a sala de recursos da Major Delfino. “Gosto muito dos jogos, minha coordenação motora melhorou bastante. Mas a minha atividade favorita é informática, faço muitas coisas no computador da escola”, conta o estudante. A diretora Flávia Ribeiro salientou a importância de colocar em evidência esse trabalho de acolhida e inclusão: “Os alunos têm limites, mas têm grande capacidade e nosso papel é incluir verdadeiramente esses jovens e crianças na escola”.

Crédito: Osvaldo Afonso /Imprensa MG

Já a Escola Estadual Silviano Brandão, no Bairro Lagoinha, apresentou uma exposição do projeto de Robótica desenvolvido pelos alunos da Educação Integral. “É um trabalho muito legal porque a gente monta os modelos a partir das revistas e das maletas de peças que a escola oferece e também criamos agora o alarme sonoro com sensor de luz. A robótica desenvolve a nossa criatividade e o nosso raciocínio lógico”, diz Paloma Cristina da Silva, 12 anos, aluna do 7º ano do Ensino Fundamental. “Os alunos curtem muito as atividades e nos surpreendemos com a criatividade deles. Ajuda na disciplina, a desenvolver o raciocínio e a nossa proposta é expandir o projeto e treinar para os alunos participarem das Olimpíadas de Robótica”, salienta o diretor da escola, Márcio Antônio Fonseca.

Projeto de Robótica da Escola Estadual Silviano Brandão foi um dos trabalhos apresentados no PlugMinas. Foto: Igor Ribeiro

O evento contou com uma intensa programação artística e cultural durante todo o dia, com apresentações de dança, teatro, música, além de moda, trabalhos acadêmicos, oficinas, palestras e exposições, dentre várias outras atrações. A estudante Isabela Antunes, de 16 anos, que cursa o 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Maria Luiza Miranda Bastos, no Planalto, e o curso de canto no Núcleo Valores de Minas, do PlugMinas acredita que uma das alternativas para tornar a escola mais atrativa é investir em cultura nas escolas. “Precisamos ter mais incentivo de cultura nas escolas, porque o jovem hoje precisa de atrativos para gostar da escola, para querer participar e as diversas atividades culturais podem ser um importante elo entre a escola e a juventude”, comentou a estudante.