Roda de conversa realizada na última terça-feira em Divinópolis reuniu 103 educadores e 77 estudantes da rede estadual

“Não exclua sua responsabilidade de mudar o mundo vendo o seu tamanho diante dos problemas dele. Faça o caminho inverso e responsabilize-se por fazer a sua parte diante das pessoas, lugares e situações que estão ao seu redor”. Não foi por acaso que a estudante Camila Eduarda Silva, de 17 anos, que cursa o 3º ano na Escola Estadual Nelson Fernandes Friaca, do município de Camacho, escolheu as palavras do autor Reinaldo Luz Santos, para sua apresentação na abertura da Roda de Conversa do movimento Virada Educação Minas Gerais (VEM), realizada na última terça-feira (01/09), em Divinópolis. O encontro, que reuniu 103 educadores e 77 estudantes de escolas estaduais do Território Oeste, foi uma oportunidade de refletir sobre os problemas enfrentados pelas escolas e compartilhar ideias para tornar o ambiente escolar mais atrativo e, consequentemente, melhorar a qualidade do aprendizado dos jovens mineiros.

Por meio de dinâmicas, brincadeiras e muito diálogo, os jovens presentes na roda de conversa puderam se expressar e colocar em debate quais os principais problemas que eles percebem na escola e quais as estratégias para melhorá-la.

Estudante do 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Padre Joaquim Xavier Lopes Cançado, do município de Pitangui, Luís Gustavo Castro Santos, 16 anos, destacou o desinteresse crescente dos alunos na escola. “Minha escola é bem estruturada, a maioria dos professores são bons, mas grande parte dos alunos não gosta das aulas. Em uma sala de 40 alunos, por exemplo, pelo menos 30 estão mexendo no celular, conversando, e não prestam atenção no professor”, relata Luís. Para ele, a escola ainda está no passado e não evoluiu junto com o jovem. “A escola precisa se unir ao aluno. Não dá mais pra ser na base do giz, quadro e garganta. Estamos em uma era tecnológica e fica atrasado pensar dessa forma. O celular, por exemplo, em vez de proibir, deveria ser usado na sala de aula como troca de aprendizado”, aponta o estudante.

Roda de conversa realizada na última terça-feira em Divinópolis reuniu 103 educadores e 77 estudantes da rede estadual. Foto: Andréa Hespanha ACS/SEE

 

Aulas diferenciadas e educação integral para os jovens com atividades alternativas nas áreas de esporte e cultura são algumas das sugestões compartilhadas pela estudante Lohayne Sousa, de 15 anos, na roda de conversa. “Acho que devemos ter aulas mais divertidas, que despertam nosso interesse, sair um pouco da aula clichê. E promover festivais, projetos de dança, música, teatro, musicais, estímulo ao uso da biblioteca. Acho que isso daria mais vontade de querer aprender. Na minha escola, temos experiência positiva de festivais e projetos culturais”, conta a estudante que cursa o 1º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Lauro Epifânio, em Divinópolis. Lohayne ficou muito satisfeita com a iniciativa da roda de conversa. “Estou achando o evento maravilhoso, nunca tive uma experiência como essa. A gente pode expressar o que a gente sente, sentimentos que podem ajudar a mudar a escola, mudar a aprendizagem nossa e das futuras gerações” , diz a adolescente.

A estudante Lavínia Faria da Silva, de 17 anos, que cursa o 3º ano do ensino médio na Escola Estadual Miguel Couto, em Divinópolis, acredita que a participação dos pais na vida escolar dos filhos, a melhoria da segurança nas escolas, o respeito ao professor e ao patrimônio público são mudanças de comportamento e ações que podem fazer a diferença nas escolas. Já o estudante Jonatas Santos, de 15 anos, que está no 1º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Ademar de Melo, em Pará de Minas, acredita que uma reformulação curricular e associar as tecnologias aos métodos de ensino são medidas que podem contribuir para a melhoria da Educação.

Educadores

A mobilização durou todo o dia e reuniu representantes de escolas dos municípios que compõem as superintendências regionais de ensino de Divinópolis, Pará de Minas e Campo Belo. Enquanto os estudantes realizaram sua roda, os professores também participaram de um debate e de várias dinâmicas sobre a realidade vivida hoje nas escolas e as ideias para tornar o ambiente educacional mais agradável para todos. Uma das atividades foi se colocar no lugar do aluno e pensar como ele vê a escola e o professor e quais as suas perspectivas de futuro. “Quando trocamos de lugar com o estudante podemos fazer esse olhar de outro ponto e essa não é uma tarefa fácil, mas fundamental. É preciso tornar a escola mais leve para o professor e para o aluno, humanizar o ambiente escolar”, aponta o professor Marcus Vinícius Cardoso, da Escola Estadual Judith Gonçalves, em Itaúna.

A mobilização durou todo o dia e reuniu representantes de escolas dos municípios que compõem as superintendências regionais de ensino de Divinópolis, Pará de Minas e Campo Belo. Foto: Andréa Hespanha ACS/SEE

 

Para Tamires Paula Souza, professora de Educação Física da Escola Estadual Manoel da Costa Resende, de Itaúna, existe muito a ser feito para encontrar o caminho da excelência na Educação. “No caso dos professores, vejo que precisamos nos qualificar mais. Também é preciso trazer os pais para dentro a escola, mudar a visão dos pais com relação ao professor, torná-los mais participativos e mais parceiros”, diz Tamires.

O professor Giovani Clementino da Silva, que leciona Filosofia da Escola Estadual Quinto Alves Tolentino, município de Cláudio, considera que, para as aulas se tornarem atrativas, é necessário o esforço e a criatividade do professor. “O material didático é oferecido, mas depende da criatividade do profissional para saber a forma como o conteúdo deve ser trabalhado, transformar a aula em algo atrativo. Na minha escola, temos laboratórios de ciência, de informática, temos datashow para trabalhar com os alunos, acesso à internet, o que falta é nos identificarmos mais com as tecnologias e os materiais e saber como trabalhar com isso na sala de aula”, destaca. Para Giovani, o futuro da escola passa pela discussão de uma nova grade curricular.

A Virada

A Virada Educação, um movimento iniciado pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE), quer trazer o adolescente que está fora da escola de volta aos estudos e aproximar a escola do universo do adolescente a partir do envolvimento de vários atores sociais que podem contribuir para a melhoria do ambiente escolar e do desenvolvimento intelectual e humano do estudante: pais, artistas, comunidade do entorno da escola, associações, educadores e o próprio adolescente, dentre outros. Estão sendo realizadas rodas de conversa nos 17 territórios de desenvolvimento do Estado. Para estas rodas, a SEE conta com o apoio do Unicef, que desenvolveu a metodologia e irá levar o movimento para outros 84 municípios do semi-árido do Estado de Minas Gerais que fazem parte do projeto Selo Unicef.

Com a intenção de ser um movimento contínuo, a Virada terá um momento de encontro e celebração, que vai acontecer no dia 19 de setembro, quando as escolas estaduais vão realizar debates, exibições de filmes, curtas-metragens e apresentações artísticas e culturais, dentre outras iniciativas a serem programadas pelas próprias escolas.

Para mais informações sobre as rodas de conversa do VEM em outros territórios do Estado acesse o site: http://novotempo.educacao.mg.gov.br.