Durante esta quinta-feira, a Secretaria de Estado de Educação e parceiros debatem os desafios e as especificidades para a educação quilombola
Em Minas Gerais, as políticas educacionais têm sido construídas a partir do reconhecimento da diversidade. Nesta quinta-feira (30/07), a Secretaria de Estado de Educação (SEE) realiza a ‘1ª Reunião do Grupo de Trabalho da Educação Quilombola’. Durante todo o dia, representantes da SEE, de outros órgãos do poder público, de universidades e de comunidades quilombolas discutem as especificidades e os desafios a serem superados nessa modalidade ensino.
Durante a abertura da agenda que marca a constituição do grupo, a secretária de Estado de Educação, Macaé Evaristo, destacou a importância desse passo. “Pela primeira vez, nós estamos organizando um grupo de trabalho para o desenvolvimento de um plano de implementação das diretrizes da educação escolar quilombola em nosso Estado. No início da gestão, nós assumimos o compromisso de instituir esse grupo de trabalho para que pudéssemos também nos aproximarmos um pouco mais das demandas das comunidades, além de estabelecer ações concretas para fortalecer as escolas quilombolas de Minas Gerais”, disse.

A partir da sua constituição, o grupo de trabalho terá desafios importantes para a construção/implementação das diretrizes educacionais para a educação quilombola no Estado. “Em Minas Gerais, os desafios apresentados estão relacionados à formação dos professores, às condições das escolas e à necessidade de um mapeamento dessas comunidades”, destacou a professora da Faculdade de Educação da UFMG, Vanda Lúcia Praxedes.
Outro aspecto a ser superado está relacionado à necessidade de conhecer a diversidade dentro da própria diversidade. Além das tradicionais comunidades remanescentes de quilombos e que se encontram localizadas no campo, existem os chamados quilombos urbanos que, apesar de estarem localizados nas cidades, preservam suas tradições mesmo com o crescimento das áreas urbanas.
Esse é o caso do ‘Quilombo Mangueiras’, na região Norte de Belo Horizonte, que possui 25 famílias. “O que nós precisamos é alavancar aquilo que começou na comunidade, mas que, infelizmente, virou um processo moroso, para não dizer parado. Queremos aproveitar o grupo de trabalho e fazer com que esse novo governo tente alavancar o estudo, não só em Mangueiras, mas em todos os quilombos. Ficamos muito tristes quando procuramos políticas públicas para quilombos urbanos e não achamos. A hora é agora”, enfatizou o presidente da Associação Quilombola da Comunidade de Mangueiras, Maurício Moreira dos Santos.
Minas Gerais conta com 23 escolas estaduais localizadas em comunidades quilombolas. Essas escolas atendem a 5.366 estudantes em 17 municípios. Segundo informações do CEDEFES, há no Estado mais de 450 comunidades quilombolas.
Importância do diagnóstico
A formação dos professores para a educação quilombola foi destacada pela mestranda do curso de Psicologia Social da Universidade Federal de Minas Gerais, Suely Virgínia dos Santos. De acordo com a educadora, a realização de diagnósticos é um passo importante para a elaboração dos cursos. “A partir dos diagnósticos, as formadoras terão uma visão mais geral das comunidades quilombolas e poderão atuar de forma mais solidária com as cursistas. As culturas, os valores, a religiosidade, os estilos de vida de cada grupo devem ser contemplados nessa modalidade de educação”, avaliou Suely, que também integra o curso de Formação de Professores para a Educação Escolar Quilombola da Faculdade de Educação da UFMG.