Em Minas Gerais, cerca de 3,5 mil alunos são atendidos em 17 escolas estaduais indígenas
No próximo domingo (19-04) é comemorado o “Dia do Índio”. A data que representa um momento de intensificar as ações de valorização e fortalecimento da cultura indígena ganha um papel de destaque nas escolas estaduais mineiras, principalmente, naquelas que visam o atendimento escolar de crianças das aldeias. Atualmente, Minas Gerais conta com oito etnias: Krenak, Pataxó, Xacriabá, Maxakali, Mokurim, Kaxixó, Xucuru-Kariri e Pankararu. Nelas existem 17 escolas indígenas que atendem cerca de 3.500 alunos.

Na Escola Estadual Indígena Xucuru Kariri Warcanã de Aruanã, na aldeia Xucuru-Kariri, no município de Caldas, as atividades começaram no início da semana, como explica a professora de Matemática e Ciências, Giselma Ferreira de Brito. “Todos os anos realizamos atividades em comemoração ao ‘Dia do Índio’. Desde o início da semana estamos fazendo várias atividades. Já organizamos as brincadeiras e as regras que serão apresentadas no domingo e também já pintamos todas as crianças da escola com o sumo do jenipapo”.
Entre as brincadeiras já programadas para a data está a ‘zarabana’, na qual crianças e adultos disputam quem acerta mais o alvo; ‘arco e flecha’; e ‘derruba toco’, nesta brincadeira duas pessoas fazem uma luta corporal e vence quem derrubar o adversário primeiro sem sair do círculo delimitado. Além dos jogos indígenas, também são realizadas brincadeiras que foram incorporadas ao dia a dia dos estudantes. “São todas atividades legais e que brincamos desde crianças. Não nasceram na nossa cultura, mas acabamos aderindo, como pular corda e corrida de saco”, ressalta Giselma.
Professora na aldeia há 15 anos, Giselma destaca a importância de trabalhar as duas culturas de maneira articulada. “Ao longo do tempo a cultura vem sofrendo transformações e temos que ter cuidado para não perder os costumes do nosso povo. Fazemos uma aula intercultural que apresenta conhecimentos das duas culturas. Na escola estamos ligados à rede e têm coisas que devem ser feitas, mas também temos autonomia para desenvolver o nosso trabalho. Para os alunos passamos os nossos saberes através da oralidade e do fazer que as crianças vão vendo e aprendendo”, afirma a educadora.

Nesta sexta-feira, a cultura Xucuru-Kariri foi apresentada para alunos de uma escola privada da região onde a aldeia está localizada. “É um intercâmbio. A escola nos fez o convite e vamos levar os nossos alunos para uma roda de conversa. Vamos falar da nossa cultura e eles vão falar da deles”, conclui Giselma.
As atividades realizadas no dia 19 de abril na aldeia serão abertas para toda comunidade.
Mutirão de povos e comunidades tradicionais no território Xakriabá
A servidora da Secretaria de Estado de Educação, Célia Nunes Correa, participou nesta sexta-feira das atividades do “I Mutirão de povos e comunidades tradicionais no território Xakriabá”. Realizado no município de São João das Missões, o encontro será realizado até o dia 19 de abril. Ao longo dos três dias ocorrerão apresentações culturais e discutidos temas como a conjuntura política brasileira e os desafios para a garantia e efetivação dos direitos constitucionais de povos e comunidades tradicionais.
Célia pertence a uma tribo Xacriabá e passou a integrar a equipe da Secretaria este mês. A servidora, conhecida entre as etnias indígenas como Célia Xacriabá, atua na Superintendência de Modalidades e Temáticas Especiais de Ensino.
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Foto de capa: Arquivo SRE