Cecília e Kátia visitaram o CERN em 2013

As professoras Cecília e Kátia realizaram um sonho de muitas pessoas que estudam Física: conheceram o Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), na Suíça, em 2013. Agora, as duas educadoras mineiras da rede estadual têm textos publicados em que contam como cada uma usou o que aprendeu na Europa dentro de suas salas de aula.

As duas professoras fazem parte de um grupo de 45 educadores de todo o Brasil que tiveram artigos publicados no livro ‘Nós, professores brasileiros de Física do Ensino Médio, estivemos no CERN’. Em seus textos, eles contam como aplicaram o que viram no laboratório dentro das salas de aula.

O livro será colocado à venda a partir de março. Imagem: Divulgação

Cecília Heliete Silva Resende dá aula em duas escolas da rede estadual de Uberaba, na Escola Estadual Minas Gerais e na Frei Leopoldo de Castelnuovo. Logo que voltou da viagem, em setembro de 2013, contou aos alunos o que viu e aprendeu. Depois, fez uma pesquisa com os estudantes sobre essa abordagem. O resultado da pesquisa foi bem positivo. “Eles gostaram muito, a maioria nunca tinha ouvido falar do acelerador de partículas, então era um assunto novo para eles. Eles elogiaram o trabalho, a maneira que passei esse conhecimento. Eles acharam interessante”, conta a professora.

Kátia Ferreira Guimarães, da Escola Estadual Zinha Meira, de Bocaiúva, procurou fazer um trabalho mais prático. Ela fez com os alunos um projeto para cada um dos detectores do Large Hadron Collider (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo. Esses detectores fazem a detecção das partículas resultantes das colisões dos prótons. “Por exemplo, fizemos um projeto de fotografias; de outro detector, que se chama ALICE, fizemos uma alegoria com a história Alice no País das Maravilhas; e ainda trabalhamos com vídeos. Com cada um a gente trabalhou de uma forma”, explica Kátia.

O livro que traz os textos das professoras foi lançado em janeiro, no XXI Simpósio Nacional de Ensino de Física, realizado pela Sociedade Brasileira de Física (SBF), em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A previsão é que ele esteja à venda a partir de março. O livro, de 544 páginas, tem 43 textos escritos por 49 autores, dos quais 45 são professores de Física do ensino médio.

Cecília, de Uberaba, fez uma pesquisa com seus alunos. Foto: Arquivo pessoal

As duas professoras gostaram da oportunidade de participar dessa obra. “Já tenho artigos publicados, mas dentro de um livro é a primeira vez. Pra mim foi fabuloso. Foi gratificante para mim e para os alunos. Quando uma escola que fica no interior tem essa oportunidade como essa, fica marcado para a história, além de servir de incentivo pra outros professores. Tenho o prazer de levar também o nome da escola comigo”, conta Kátia.

Mas o trabalho não para por aqui. Como destaca Cecília, um dos objetivos da Sociedade Brasileira de Física ao levar os professores ao CERN é que eles sempre levem para a sala de aula o que viram no laboratório. “A Sociedade Brasileira de Física cobra isso da gente, então é um trabalho contínuo desde 2013”.

Para essa continuidade, Kátia conta com as pessoas que conheceu na sua viagem. Com seus contatos, ela pretende dar a seus alunos um gostinho do que viu pessoalmente na Suíça. Ela vai fazer uma visita virtual em tempo real com eles, durante a qual eles verão pelo vídeo tudo o que a professora descreveu e ainda terão a possibilidade de ter uma pessoa respondendo as suas dúvidas enquanto conhecem um pouco do CERN.

CERN

O Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (na sigla em inglês CERN) foi criado em 1954 por meio de uma parceria de países europeus com o objetivo de recuperar a ciência europeia, desmantelada pela Segunda Guerra Mundial. Suas instalações principais se situam na fronteira da Suíça com a França, no entorno da cidade de Genebra.

O trabalho que Kátia, de Bocaiúva, realizou com seus alunos foi focado nos detectores do acelerador de partículas. Foto: Arquivo pessoal

O mais recente acelerador de partículas construído no CERN é o Large Hadron Collider (LHC), uma obra sofisticada de Física, Engenharia e tecnologia, com um perímetro de 27 quilômetros, construído abaixo do solo com o objetivo de prover prótons com grande velocidade e alta energia e fazê-los colidir uns contra os outros em pontos específicos de seu perímetro, onde se localizam os chamados experimentos - o CMS, o ALICE, o LHCb e o ATLAS - que farão a detecção das partículas resultantes dessas colisões. Conectados a um complexo sistema de eletrônica e de análise de dados, produzem conhecimentos que permitem melhor estudar, dentre outros aspectos, as interações entre as partículas, a matéria, a antimatéria e a matéria escura.

Escola para professores

O Cern desenvolve vários programas voltados para professores de Física, que envolvem visitas às suas instalações, além de cursos sobre tópicos da disciplina, ministrados no idioma dos participantes. Desde 2007, professores de escolas portuguesas podem participar desses cursos. A partir de 2009, depois de negociações envolvendo o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e da diretoria da Sociedade Brasileira de Física, o projeto foi ampliado e passou a envolver também professores de brasileiros.

A organização é feita pela Secretaria para Assuntos de Ensino da Sociedade Brasileira de Física e do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), de Portugal. Já o financiamento da viagem dos professores de escolas públicas é feito pela Secretaria da Educação Básica da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Depois de seis edições, um total de 143 professores já participaram do programa, sendo dez deles mineiros.