Com mais de seis mil peças, Museu proporciona ao visitante um passeio pela história da Educação em Minas Gerais

Barulho de crianças brincando, cadeiras escolares ainda vazias, lousa limpa, pronta para receber a lição. Poderia ser o cenário de início de aula em qualquer escola estadual de Minas Gerais, não fossem alguns detalhes desse ambiente. As carteiras são do início do século passado, os equipamentos já foram aposentados há vários anos e os quem passa por lá não vem para estudar e sim para visitar. Trata-se do Museu da Escola Ana Maria Casasanta Peixoto, que foi reinaugurado nesta quinta-feira (04-12-14), quando foi comemorado também os mil dias da Magistra — Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores — onde o Museu está instalado.

O Museu conta com mais de seis mil peças e passou, nos últimos dois anos, por restauração. Agora reaberto, voltou a ser uma lição sobre a história da educação em Minas para lá de divertida. Quem entra, ouve ao fundo uma gravação com crianças conversando e o sino anunciando o início da aula. Da porta para dentro, o visitante pode conferir um acervo repleto de peças interessantes, como mobiliários, jogos educativos, livros, cadernos, cartazes, cartilhas, mapoteca, manuais de ensino, fotografias, além de documentos textuais e arquivo de depoimentos orais, com educadores que fizeram parte do desenvolvimento da educação mineira.

Todas as peças do Museu da Escola, mais de seis mil, foram restauradas. Foto: Guilherme Brasil ACS/SEE

Chama atenção, por exemplo, a coleção de uniformes utilizados ao longo do século passado. Os mimeógrafos, aparelhos utilizados para fazer cópias de papel escrito em larga escala, contrastam com os primeiros computadores usados na educação. Também despertam bastante interesse as palmatórias, os ábacos, as merendeiras feitas em aço, ou mesmo as fotografias que retratam turmas de estudantes do século XX. Outro ponto alto do Museu é a iluminação amarelada, que reforça o tom afetivo e de memória do Museu. O professor da Escola de Belas Artes da UFMG Evandro Lemos coordenou a restauração e a nova exposição do Museu e revela o que o visitante vai perceber em uma visita. “O Museu da Escola tem uma essência memorialista. Ele não faz o acompanhamento didático da história da Educação, mas busca, através da iluminação, dos objetos expostos, da sonoridade, uma afetividade com a educação e uma memória da escola que todos, em qualquer época, temos”.

E é verdade, tanto que a secretária adjunta de Estado de Educação, Sueli Pires, fez uma viagem ao passado tão logo conheceu a nova disposição das peças no museu e se deparou com um filtro de barro que se encontra em exposição. “Quando eu era estudante, na Escola Estadual Barão de Macaúbas, cada sala de aula tinha um filtro de barro como aquele. Ou ficavam na própria sala ou nos corredores”, relembrou.

Já para o professor Evandro Lemos, as peças favoritas são os globos, que costumavam fazer parte das salas de aula no início do século XX. No trabalho de restauração e de criação da nova exposição, foram essas as peças que exigiram mais atenção. “Trabalhamos muito a questão dos globos, para os quais criamos uma sala especial. Chamamos a atenção através do globo e da exposição dos mapas, esses foram objetos que nos deram muitas dificuldades e nos quais trabalhamos muito”, conta.

As peças do Laboratório de Ciências Leopoldo Cathoud também foram restauradas. Foto: Guilherme Brasil ACS/SEE

Laboratório de Ciências Leopoldo Cathoud

O Museu da Escola Ana Maria Casasanta também conta com o vasto acervo do Laboratório de Ciências Leopoldo Cathoud. Criado oficialmente em 1946, no Instituto de Educação de Minas Gerais, o Cathoud é constituído de equipamentos de física, química, astronomia, amostras mineralógicas, zoológicas, botânicas, paleontológicas, entre outros. Os visitantes podem conferir peças como telescópios, animais empalhados e esqueletos.
“O que nós mantivemos foi a originalidade do museu. Ampliamos essa originalidade e ampliamos a elegância do museu, é um museu mais clássico. Acho que conseguimos isso com uma introdução mais atual de um estudo sobre a célula, inclusive voltada para os deficientes visuais. É um museu que tem essa essência como laboratório”, explica o professor Evandro Lemos.

Museu que também tem história

O Museu da Escola de Minas Gerais foi criado em 1994 para preservar a memória da educação e valorizar a herança cultural mineira. Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico em 2005, o Museu foi transferido para a Magistra, no bairro Gameleira, em 2012, quando a Magistra foi inaugurada. Na ocasião, o espaço foi inserido na escola de formação e rebatizado com o nome Museu Ana Maria Casasanta Peixoto e absorveu o Laboratório de Ciências Leopoldo Cathoud.

O espaço homenageia a educadora mineira, que idealizou o Museu, quando organizou, em 1990, uma exposição sobre a educação e recolheu em escolas da rede estadual algumas das peças que estão hoje em exposição na Magistra. Pesquisadora, Casasanta foi docente da UFMG e da PUC Minas e orientou trabalhos na área da história da educação.

Esse olhar para o passado, proporcionado pelo Museu, provoca, segundo a diretora da Magistra, Ângela Dalben, uma reflexão sobre o futuro. “O resgate da história é justamente para mostrar às gerações futuras a importância de se mirar nas realizações do passado, porque elas trazem para nós princípios, alicerces e elementos para uma criação. Ninguém cria do nada. Nós criamos com base naquilo que nós vivemos. O passado, o presente e o futuro se agregam na construção das gerações”, analisa Ângela Dalben.

Serviço

O Museu fica na Avenida Amazonas, 5855, Gameleira – Belo Horizonte. O horário de funcionamento é de terça a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h. Visitas guiadas para grupos podem ser agendadas previamente pelo telefone: (31) 3379-8593.