Alunos de mais de 20 escolas da capital inseridos no projeto ‘Educar com Arte Afrikana’ expõem trabalhos desenvolvidos em oficina

Alunos da rede estadual de mais de 20 escolas de Belo Horizonte aprenderam sobre a cultura e arte nigeriana na prática. Eles participaram do projeto ‘Educar com Arte Afrikana’, uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação, através do ‘Escola Viva, Comunidade Ativa’, com o Instituto de Arte e Cultura Yorùbá. A terceira edição desse projeto chega ao fim essa semana, com a realização de palestras dos trabalhos dos alunos no Instituto.

O projeto começou com oficinas ministradas por uma artista nigeriana, Folashade Temitope Ogunlade. Os alunos exploraram o pensamento africano por trás de nomes e seus significados, através da contação de histórias folclóricas africanas e a análise de símbolos do continente.

Depois de conhecerem a arte africana, os estudantes tiveram a oportunidade de criar seus próprios trabalhos com tinta, papel, tela, cola, pincéis, lápis e chapas com símbolos Adinkra, que, originários de Gana, representam provérbios e aforismos. Agora, os estudantes veem seus trabalhos e os que foram realizados por outras escolas expostos no Instituto de Arte e Cultura Yorùbá.

Essa foi o terceiro ano em que o projeto foi realizado. Foto: Lígia Souza ACS/SEE

A aluna do 7º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Diogo de Vasconcelos, Camila Nascimento Leão Coelho está orgulhosa do trabalho. “Eu acho que é incrível expor nosso trabalho, porque todo mundo vai ver a nossa arte, o que nós aprendemos”, afirma.

Da mesma escola, a aluna do 6º ano do ensino fundamental Patrícia Suélen de Souza Batista gostou do que aprendeu. “Eles nos ensinaram várias coisas, vários tipos de escritas. Foi uma coisa diferente”.

Apenas de os alunos acharem o conteúdo das oficinas diferente do que costumam ver, a cultura Yorùbá está presente na brasileira, segundo o presidente do Instituto, Olúségun Michael Akínrúli. “A gente consegue trazer pra essas crianças essa cultura que já faz parte da formação da cultura brasileira, às vezes de uma forma contemporânea e fazer essa interação com o Brasil. A gente consegue explorar vários símbolos, como esses símbolos são usados nas nossas roupas, como uma forma de comunicação social. E trazemos para as crianças o gênero de contação de história africana, que é diferente. O uso de som, as palavras que carregam som e imagem”, conta.

Além de aprenderem um pouco sobre a cultura africana, os alunos tornam-se mais conscientes, segundo Olúségun. “Nós acreditamos informação é conhecimento, é luz. Quando a gente consegue trazer informação para as crianças elas conhecem mais sobre a África e isso diminui bastante a discriminação racial e o preconceito com a África e com os negros. As entendem que a África tem suas formas de expressão artística que podem circular em qualquer espaço do mundo”.

Os alunos viram na exposição seus próprios trabalhos e os de estudantes de outras escolas. Foto: Lígia Souza ACS/SEE

Continuidade na escola

O que os alunos da Escola Estadual Hermenegildo Chaves aprenderam no Instituto vai chegar para o resto da escola. Professores da instituição já usam o conteúdo na aula e, em novembro, quando é comemorado o Dia da Consciência Negra, uma feira de cultura com o tema na escola.

Para Suzan Karen Gomes, professora do Projeto de Educação em Tempo Integral, que acompanhou os alunos na execução do projeto, é importante que eles aprendam na prática sobre a cultura africana e que levem o conteúdo para os colegas. “Talvez, só com a aula na escola, eles não conseguem imaginar como é a cultura, a história”.

Instituto Yorùbá

O Instituto foi criado em 2008 e tem por objetivo divulgar a cultura africana da origem Yorùbá no Brasil. Além das oficinas de artes, são atividades do instituto o ‘Coral Vozes da África’, o Congresso Yorùbá, entre outros.

A Cultura Yorùbá é uma milenar e tradicional cultura africana que tem forte influência na cultura e sociedade brasileira. Ela tem sua origem na Nigéria, país da África Ocidental. Historicamente a ligação do Brasil com esta cultura dá-se com a entrada no país dos africanos escravizados oriundos da Nigéria. Dentre a diversidade cultural africana existente no Brasil, a cultura Yorùbá é a de maior influência.