Alunos de escolas estaduais de Montes Claros participam de programa da UFMG sobre a cultura material da agricultura familiar

“Eu gostei de tudo, gostei que no quiosque das plantas  a gente fez chá de várias folhas, como hortelã, erva cidreira... Só não gostei de ter que ir embora. No final a gente ainda ganhou muda do coquinho azedo que eu plantei lá em casa com meus pais e contei que aprendi um tanto de coisa”. Essa foi a percepção do pequeno Kellysson Luis Ramos Soares, 07 anos, aluno do 2º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Irmã Beata, em Montes Claros, ao participar com sua turma de atividades em um espaço não-formal do conhecimento.

Durante os meses de fevereiro e março todas as 250 crianças do 1º ao 5º ano da escola, visitam o Centro de Referência da Cultura Material da Agricultura Familiar de Minas Gerais - Sítio de Saluzinho, que conta com uma área de dois hectares e reproduz uma pequena unidade familiar de produção formada por casa, pomar, horta e lavoura. O Sítio de Saluzinho pertence ao Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e está localizada em Montes Claros.

Alunos da Escola Estadual Irmã Beata participaram das oficinas ofertadas pela iniciativa. Foto: Arquivo da Escola

A iniciativa recebe visitas de alunos dos anos iniciais ensino fundamental de escolas públicas para participarem de oficinas conduzidas por produtores de Montes Claros que praticam agricultura rural e agricultura urbana e conservam conhecimentos tradicionais sobre solo, plantas, beneficiamento de produtos agrícolas e preparo de alimentos. Também ministram oficinas os estudantes da UFMG, do Núcleo de Pesquisa e Apoio à Agricultura Familiar (Núcleo PPJ), do Grupo de Estudos em Frutíferas Exóticas e Nativas (GEFEN) e do PET-Agronomia, além de voluntários da Pastoral da Criança.

Nas visitas as crianças são acompanhadas por servidores da escola e por pais, como explica Alexandra Simone Cruz Espírito Santo, especialista dos anos iniciais da Irmã Beata. “Da nossa escola sempre participam o professor responsável pela turma, um servidor da escola, que pode ser uma cantineira, um supervisor, ou auxiliar de biblioteca e ainda pais de alunos. Esse rodízio é para permitir que o máximo de pessoas participe e interaja”, explica.

Ao longo do percurso, que conta com cinco quiosques onde acontecem as atividades, são ofertadas oficinas, que duram em média 45 minutos, sobre plantas aromáticas, a importância dos remédios da natureza, conservação e uso de recursos da natureza, horta vertical, compostos orgânicos, reciclagem, sementes, produção de mudas e brinquedos e brincadeiras, entre outras.

Na ocasião os alunos também participam de um lanche especial com produtos da agricultura familiar. “O lanche também é um momento educativo, o suco vem de cooperativa agroextrativista, chás, frutas sem agrotóxicos, tudo para a criança compreender que existe uma soberania alimentar que é imensa com alimentos produzidos com qualidade de recursos naturais de onde a gente vive”, pontua Flávia Maria Galizoni, professora da UFMG e membro do conselho executivo responsável pelo Sítio do Saluzinho.

Oficinas realizadas no Sítio de Saluzinho  tem reflexos nas salas de aula. Foto; Arquivo da Escola Estadual Irmã Beata

Ganhos pedagógicos

Quando retornam à sala de aula, as crianças fazem atividades de registro complementar  relacionando o que aprenderam na visita,  com  a vivência em família, o que,  de acordo com a professora Dione  Antunes Madureira, permite ganhos pedagógicos visíveis.  “Voltamos para sala de aula e colocamos o aluno para desenhar ou relatar o que mais gostou. Eles falam sobre flores, cores, remédios, das mudas de plantas que ganharam e plantaram em casa com seus pais. Fato é que as crianças aprendem cantando, jogando, brincando e a gente aprende com elas”, comemora.

Visitas

As visitas ocorrem todas as terças e quintas e têm apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico que financiam transporte dos alunos, lanche e ajuda de custo dos agricultores.

Atualmente há cinco escolas públicas com visitas agendadas, sendo três estaduais. Os interessados em conhecer a proposta devem entrar em contato com o Núcleo de Pesquisa e Apoio à Agricultura Familiar da UFMG, pelo telefone: (38) 2101-7789.