Uma década de ações com foco na alfabetização elevaram aprendizado dos estudantes mineiros nos últimos anos
Na data de 08 de setembro, a alfabetização será lembrada em todo o mundo com o ‘Dia Mundial da Alfabetização’. Instituída pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a data tem o intuito de ressaltar a importância da alfabetização como a base de toda a aprendizagem, além de ser um direito de todos. Em Minas, há cerca de 10 anos, políticas públicas têm sido desenvolvidas com foco nessa temática e garantem que os estudantes sejam alfabetizados na idade certa.
“A alfabetização é o período da descoberta, porque não tem momento mais significativo na nossa vida e na vida das nossas crianças que descobrir que elas aprenderam a ler. Isso é uma coisa bonita, não só para os alunos, mas para os pais e os professores. Por isso é importante a dedicação de todos nesse início da vida escolar”, destaca a superintendente de Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental, Maria das Graças Pedrosa Bittencourt.

Uma das primeiras ações educacionais desenvolvidas pelo Estado na última década, com foco na alfabetização, foi o ingresso das crianças no ensino fundamental aos seis anos de idade. A medida de Minas, adotada a partir de 2004, foi pioneira no país e ajudou a alavancar a qualidade da educação no Estado. “Com essa medida Minas universalizou o ingresso da criança com seis anos na escola e nós sabemos que quanto mais cedo ela começa, sistematicamente, a ser alfabetizada, melhores serão os resultados na sua aprendizagem”, lembra a Maria das Graças Pedrosa Bittencourt.
Mais do que um ensino fundamental com mais tempo de duração, o Governo de Minas criou políticas públicas para auxiliar os estudantes no processo de aprendizagem. A principal delas foi o Programa de Intervenção Pedagógica (PIP). Criado em 2007 com foco na alfabetização, o PIP realiza um trabalho permanente de visitas e acompanhamento nas escolas estaduais para orientar o plano pedagógico, propor estratégias de intervenção e apoiar pedagogicamente os professores e alunos.

A importância das ações adotadas em Minas com foco na alfabetização é comprovada em números. De acordo com o Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa), destinado aos alunos do 3º ano do ensino fundamental, em sete anos — de 2006 a 2012 — o percentual de alunos que sabem ler, escrever, interpretar e fazer síntese em um padrão considerado recomendável praticamente dobrou. Em 2006, eram 48,65%, já em 2012, última avaliação realizada, esse percentual foi de 87,3%. A avaliação verifica as habilidades e competências adquiridas até os oito anos de idade.
Bons exemplos
Na Escola Estadual Dom Eliseu, em Unaí, no Noroeste de Minas, o Programa de Intervenção Pedagógica tem contribuído para a mudança de visão dos educadores. “Com o PIP, o professor não teve que abandonar sua forma de trabalhar, mas teve a oportunidade de adequá-la. Se não tivéssemos esse programa de intervenção, talvez a gente não tivesse despertado para essa melhora”, diz a especialista dos anos iniciais, Elem Cristina Silva Costa e Melo. A escola conta com cerca de 250 alunos no ciclo da alfabetização.
Na Escola Estadual Duque de Caxias, em Belo Horizonte, o uso do lúdico é o ponto forte dos educadores com o ciclo da alfabetização. Projetos de leitura e o uso do teatro e de histórias infantis auxiliam na prática pedagógica diferenciada. “Em nossa sala, nós temos uma caixa com várias histórias e em cada vez um aluno é selecionado para contar uma das histórias do seu jeito. Eles se envolvem muito com a atividade e até se sentem professores, por um momento. O professor da alfabetização tem que trabalhar muito o lúdico, pois é através dele que a criança pega o apreço pela leitura”, ressalta a professora do 3º ano do ensino fundamental, Glauce Maria de Souza Borges.

Reconhecimento nacional
Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb 2011), último realizado, confirmaram que Minas Gerais continua sendo referência nacional, quando o assunto é educação. A rede estadual mineira apresentou crescimento em todos os níveis avaliados — 5º e 9º anos do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio — e está entre as primeiras do país.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, fase na qual os alunos são alfabetizados, a rede estadual mineira é a melhor do Brasil, com índice 6,0, padrão considerado pelo Ministério da Educação como referência de desenvolvimento em países desenvolvidos, sobretudo daqueles que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A rede estadual de Minas foi a primeira e a única do Brasil a alcançar esse patamar, que é a meta brasileira para 2021; nos anos finais, a rede estadual é a 2ª no Brasil com índice de 4,4, atrás apenas de Santa Catarina (4,7); já no ensino médio a rede estadual é a 3ª melhor do Brasil, atrás de Santa Catarina (4,0) e São Paulo (3,9).