Relatos de experiências desenvolvidas em escolas estaduais foram apresentados durante o Fórum de Promoção da Paz no Ambiente Escolar

Localizada em uma área de vulnerabilidade social, a Escola Estadual João Cotta de Figueiredo Barcelos, no município de Timóteo, se viu diante de um desafio: resgatar a imagem da instituição diante da comunidade na qual se insere e promover a autoestima dos alunos. Para que a intenção se transformasse em ação, um projeto foi criado a partir de parcerias com moradores da região e empresas locais. Nos finais de semana, a escola se abre para a oferta de oficinas esportivas como futsal e handebol. A boa prática da instituição começou em 2011 e vem promovendo uma mudança no contexto escolar. O relato de experiência da iniciativa foi compartilhado com os cerca de 350 participantes do Fórum de Promoção da Paz Escolar e Articulação em Rede (Forpaz) que concluiu nesta quarta-feira sua edição em Ipatinga, no Vale do Aço.

“A escola tinha muitos problemas e a gente tem percebido que a relação entre as pessoas tem melhorado. Por isso, nossas ações foram além das oficinas e buscaram envolver as famílias na formação escolar dos alunos. Temos pais e alunos que nos auxiliam, voluntariamente, na disciplina escolar e apoio aos estudantes que precisam. Acreditamos na pedagogia do exemplo”, disse a diretora da escola, Silvana Aparecida Moreira dos Santos.

Alunas da Escola Estadual Almirante Toyoda durante apresentação no Forpaz. Foto: Vanessa Peçanha Analista Educacional / SRE Coronel Fabriciano

Se para o quesito disciplina a escola já havia conquistado o apoio da comunidade escolar, era preciso focar em outro ponto: a autoestima dos moradores locais. Para elevá-la, a escola investiu em ações pedagógicas, com a criação do projeto ‘Q bom ler!’. “Fizemos a revitalização da biblioteca, enquanto espaço de construção de linguagem. Nós sabíamos que mudar a realidade no entorno é muda a realidade na escola”, destacou a diretora.

Dentro do projeto várias ações são desenvolvidas com os cerca de 670 alunos dos anos finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental, médio e educação de jovens e adultos. Para incentivar a leitura os estudantes fazem recitais de poesias em ônibus do transporte público municipal. Os cálculos mentais da Matemática são realizados dentro da ação ‘Na ponta da Língua’.

Um estudo para conhecer as demandas e problemas da comunidade e traçar o ‘clima organizacional’ da instituição foram iniciativas adotadas pela Escola Estadual Herbert de Souza ‘Betinho’. Localizada no município de Santana do Paraíso, a escola também buscou nas parcerias locais uma forma para se integrar à comunidade. “Durante este estudo, nós recebemos demandas para aumentar os muros da escola com o objetivo de garantir mais segurança para os nossos alunos e funcionários. Porém, apresentamos uma proposta diferente: a de manter o nível dos muros e abrir a escola para a comunidade”, disse o diretor Cláudio Lopes da Silva.

Com a abertura do espaço físico, diversas atividades passaram a ser ofertadas aos diferentes públicos locais. Exercícios aeróbicos, coma orientação de um profissional, são ofertados às mães. A quadra da escola serve de cenário para os jogos de futsal dos pais e os próprios estudantes. “Agora a nossa comunidade cuida do espaço. Aqueles que antes depredavam e pichavam não o fazem mais. A escola tem uma identidade e a comunidade também”, conclui o diretor.

Alunos da Escola Estadual João Hemétrio durante o segundo dia do Forpaz. Foto: Vanessa Peçanha Analista Educacional / SRE Coronel Fabriciano

Último dia

Neste segundo e último dia do Forpaz em Ipatinga, os cerca de 350 participantes discutiram a ‘Mediação de conflitos como técnica facilitadora do trabalho em rede: compreendendo as diferenças para transformar conflitos e prevenir violências’, e ‘Noções gerais sobre técnicas de mediação de conflitos: estratégias práticas no planejamento de atividades’.

“É preciso difundir a cultura de que a diversidade é uma riqueza. Isso torna o ambiente escolar mais amistoso e menos conflituoso. Somos diversos, porém não adversos. O aluno precisa de um projeto de vida. É importante desenvolver valores interpessoais, e intrapessoais, como ética, cidadania, respeito ao próximo, responsabilidade socioambiental e autonomia. De todas as virtudes, a mais importante é a solidariedade: base das relações sociais a partir da qual se fundamenta um a convivência pacífica”, disse a diretora da SRE Coronel Fabriciano, Maria do Carmo Silva Melo. 

Forpaz

O objetivo do Fórum é fomentar a articulação em rede para a prevenção e resolução de problemas relacionados à violência no ambiente escolar. Nos Fóruns Regionais, educadores e diretores são estimulados a identificar possíveis parceiros na comunidade local, além de serem capacitados a levar a mediação de conflitos para dentro das escolas da rede pública. Atualmente, 22 instituições, organizações, entidades e órgãos atuam junto ao Forpaz, criado em 2007 pela Defensoria Pública de Minas Gerais, e adotado pela Secretaria de Estado de Educação em 2012.