Capacitações serão realizadas em seis polos
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgado no ano passado mostrou que a rede pública estadual mineira é a melhor do país nos anos iniciais, tendo alcançado índice 6,0. O principal instrumento que fez com que a rede estadual se consolidasse como a melhor na etapa inicial da educação básica foi o Programa de Intervenção Pedagógica (PIP), que a partir da próxima semana será expandido para as redes municipais de praticamente todos as cidades do Estado. O Governo de Minas assinou convênio com prefeituras de 840 municípios para transferir a metodologia do programa para as secretarias municipais de educação.
Entre os dias 18 e 27 de março, serão capacitados 1.750 educadores que atuarão pelo programa nas secretarias municipais de educação. Serão oferecidos às prefeituras suporte, apoio pedagógico, material de apoio, além das capacitações continuadas das equipes que atuarão nas escolas municipais. As capacitações acontecerão em seis diferentes polos no Estado: Centro, Vale do Rio Doce, Zona da Mata, Sul, Norte e Triângulo.
“A extensão do PIP para os municípios vem com o objetivo da cooperação e também para facilitar o desempenho dos alunos na trajetória escolar, porque muitas redes municipais respondem pelos anos iniciais do ensino fundamental e esses meninos, em algum período, vão estar na rede estadual. Então vamos ter a mesma comunicação, uma mesma preocupação com o aluno, porque o aluno é do Estado, não importa a rede em que ele estiver estudando”, afirmou a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Raquel Elizabete de Souza Santos
As equipes municipais do PIP trabalharão com os anos iniciais do ensino fundamental, 1º ao 5º ano, fase na qual o estudante desenvolve e consolida as habilidades de leitura e escrita e todo o conhecimento que o prepara para o restante da educação básica. Com o PIP municipal, cerca de 850 mil estudantes de escolas municipais em todas as regiões do Estado serão beneficiados. No total, mais de seis mil escolas municipais em todo o estado vão contar com o programa a partir da capacitação das equipes.
Acompanhamento e resultado
Criado em 2007, o PIP realiza um trabalho permanente de visitas e acompanhamento nas escolas estaduais para orientar o plano pedagógico, propor estratégias de intervenção, apoiar pedagogicamente os professores e alunos e, assim, garantir a qualidade do ensino. Com o Programa, as escolas da rede estadual conseguiram elevar consideravelmente a qualidade da alfabetização dos estudantes das escolas estaduais.
De acordo com os números do Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa), em sete anos — de 2006 a 2012 — o percentual de estudantes que sabem ler, escrever, interpretar e fazer síntese em um padrão considerado recomendável praticamente dobrou. Em 2006, eram 48,65%, já em 2012 esse percentual foi de 87,3%. O índice entre estudantes de redes municipais foi de 73,6% no ano passado.
O bom desempenho apontado pelo Proalfa na rede estadual é confirmado pelo resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ano base 2011, apurado pelo Ministério da Educação (MEC). Minas Gerais é, entre as redes estaduais brasileiras, a unidade da federação que está em 1º lugar nos anos iniciais, com Ideb 6,0, ultrapassando a meta estabelecida para a rede estadual em 2011, de 5,7. Em 2007, esse índice era de 4,9.
O índice 6 do Ideb é considerado pelo Ministério da Educação como referência em países desenvolvidos, sobretudo daqueles que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Novas etapas da intervenção
Desde que foi criado, o PIP atuou de forma intensa nos anos iniciais do ensino fundamental das escolas estaduais. Devido aos bons resultados apresentados nos últimos anos, o Programa foi ampliado em 2012 para os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º anos) nas escolas estaduais.
Atualmente, a equipe do PIP conta com mais de 2,3 mil profissionais, que atuam tanto no órgão central da Secretaria, em Belo Horizonte, quanto nas sedes de cada uma das 47 Superintendências Regionais de Ensino. Esses educadores visitam as escolas, trabalham com os diretores e gestores escolares, visitam as salas de aula, identificam alunos de baixo desempenho e trabalham com eles.
O acompanhamento das escolas acontece de acordo com a necessidade. Escolas que apresentam resultados mais baixos nas avaliações educacionais, por exemplo, recebem um acompanhamento mais frequente, com visitas semanais, enquanto aquelas que já conseguiram alcançar índices mais altos são visitadas em períodos mais espaçados. Só em 2012, foram feitas quase 50 mil visitas de profissionais da educação em escolas da rede estadual.
Só na rede estadual, o PIP já beneficia cerca de 1,3 milhão de estudantes em mais de três mil escolas. Com a expansão do PIP para escolas das redes municipais, outros 850 mil estudantes serão beneficiados.