Encontro foi organizado pela Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais
Aproximadamente 200 professores da rede pública de ensino de Minas Gerais participaram na tarde da última terça-feira, 04, de um encontro, em Belo Horizonte, que reuniu o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, a secretária de estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, e o economista e especialista em Educação no Brasil, Cláudio Moura Castro, que palestrou por mais de uma hora sobre métodos de ensino.
Realizada com intuito de sensibilizar e esclarecer os educadores participantes, a reunião organizada pela Associação de Professores Públicos de Minas Gerais (AAPMG), em parceria com a SEE, foi marcada por quatro momentos.

Educação em Minas e investimentos previstos
O governador Antonio Anastasia, que apareceu como elemento surpresa do encontro, explicou que a “homenagem” foi para agradecer a primeira colocação alcançada pelo ensino da rede estadual de Minas Gerais, nos anos iniciais, 2º lugar nos anos finais do Ensino Fundamental e terceiro lugar para o Ensino Médio, de acordo com o último Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb).
“Eu sou professor também, e minha família se dedicou ao magistério. Sou o primeiro a reconhecer as dificuldades e sei o quanto é difícil (progredir). Mas temos novas prioridades e parabenizo o esforço imenso de cada um de vocês”, frisou o governador, lembrando ainda que Minas Gerais, pela quinta vez, obteve o maior número de municípios inscritos e de estudantes premiados na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).
“Sete municípios mineiros foram colocados também entre os dez melhores do país, no quesito Língua Portuguesa no 9º ano do Ensino Fundamental”, se referindo ao ranking da Organização Não Governamental Todos pela Educação. Segundo o governador, a educação que já foi elitizada no Brasil nas primeiras décadas e que sofreu perda de qualidade com sua universalização nas décadas de 1970 e 1980, é alvo atualmente em Minas Gerais, de políticas públicas cujo objetivo é torná-la “robusta”. E informou que, a revitalização da rede física das escolas (bibliotecas, quadras poliesportivas, criação de laboratórios e obras de reforma) está sendo priorizada neste momento, para atender a implementação de programas educacionais, que segundo ele, irão ajudar a “assessorar o ensino”.
Programa de Intervenção Pedagógica (PIP) e o Reinventando o Ensino Médio – que está em fase de implementação em mais 122 escolas do estado, e que será universalizado em toda a rede em 2014 – foram os programas destacados pelo governador, que mencionou igualmente a preocupação com a qualificação permanente do que chamou de “corpo humano da rede estadual de ensino, e que inclui os servidores das escolas, das SREs e da própria Secretária de Estado de Educação”. Promover capacitações, eventos, e palestras, como a de Cláudio Moura Castro, a quem se dirigiu como personalidade de referência no Brasil na área da educação foi outrossim apontado como caminho.
Presidente da Associação Professores Públicos de Minas Gerais abriu evento
Organizada pela Associação de Professores Públicos de Minas Gerais (AAPMG), a abertura do encontro, ficou a encargo da presidente da AAPMG, Joana D´Arc Gontijo, que relembrou a criação da Lei 100, em 2007, e as garantias conquistadas pelos servidores designados, como estabilidade empregatícia, antes prerrogativa dos efetivos.“O Governo de Minas, em um trabalho que envolveu a Associação dos Professores Públicos de Minas Gerais revogou o artigo que previa a substituição de servidores efetivados por servidores aprovados em concurso público. Havia muitas pessoas em situação fragilizada. E isso só possível graças a uma mobilização prudente e gradativa”, observou a presidente da entidade.
Para Joana D´Arc, que também gravou um vídeo junto ao governador Antonio Anastasia para contextualizar o trabalho conjunto feito na época, é imprescindível que os educadores internalizem a importância de uma mobilização consequente. “Conquistamos as novas garantias da lei 100 sem greve. Para realizar algumas mudanças é preciso fazer análise de conjuntura política e econômica e fazer a correlação de forças da forma correta, sob a pena de jogarmos todos no abismo, por causas perdidas. Antes esta lei abrangia apenas 20 mil servidores, hoje já são quase 100 mil”, complementou.
Prêmio por produtividade e pagamento de retroativos
A secretária de estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, por sua vez, voltou a lembrar que “não é único governo que conseguirá resolver todos os problemas. Eliminar os retroativos e passivos - as 270 mil taxações pendentes até o final do ano – é nossa meta agora. O prêmio por produtividade sairá, mas ainda não temos uma data. Temos orçamento, mas aguardamos o recurso em caixa para fazer o pagamento. Apostamos nossas fichas também nos subsídios, entretanto, o impacto financeiro precisa ser analisado, porque o sistema é imenso – são 404 mil contracheques. Não estamos reclamando do tamanho do sistema. Ao contrário, isso significa que estamos presentes em todos os municípios. Inclusive, já visitei 20 das 47 Superintendências Regionais de Ensino existentes em Minas, porque eu entendo que nenhum secretário consegue conhecer bem a realidade na ponta, dando ordens de um prédio em Belo Horizonte. Até o final do ano pretendo ir as 27 restantes. Sou uma colega de vocês”, concluiu a secretária.

Educação de ponta a cabeça por Claúdio Moura Castro
Superar o modelo de ensino que chamou de pré-científico que até hoje muitas sistemas de ensino no país e no mundo adoram, o especialista em educação Cláudio Moura Castro falou para os professores presentes sobre a importância de adotar métodos que levem “os alunos subirem a escadinha do analisar, avaliar e criar”.
Para ele “o vício crônico das provas que só testam memória” somados a decoreba, onde “ouve-se de tudo, e nada se entende”, podem ser substituídos por práticas que ajudem os alunos a testar a portabilidade do conhecimento. Ou seja, aprender é aplicar, citando a máxima da Corporação de Ofício francesa que diz que o conhecimento mora na cabeça, mas entra pelas mãos.
“Se eu te mostrar este laser datashow de todos os ângulos, você no final ainda me pedirá para pegar. É isso, precisamos da mão para aprender. A escola precisa incentivar a função ‘pegar’.Não é só mostrar a lição, como cálculo de juros compostos. É preciso mostrar a aplicação: - qual o juros real de um carro. No EUA, uma professora de matemática pediu que os alunos utilizassem a fórmula do cálculo de volume de um paralelepípedo na construção de uma cama de um dado tamanho e ninguém soube fazer”, explicou.

Claúdio Moura Castro lembrou ainda que fatores como o emprego de metáforas (‘que são dificilmente esquecidas’), o estudo da taxonomia (diferença e semelhança), da analogia (normalmente abandonada depois que se entendem os conceitos) podem ser aliados na apresentação de conteúdos em sala de aula, que na visão dele são demasiados, na grade curricular brasileira. “No Brasil temos 28 disciplinas, herança de um modelo francês ultrapassado. Em Cingapura, que desponta em educação, são apenas quatro. E os alunos aprendem bem as quatro”, observou o especialista defendendo que as “longe da realidade do aluno, devem ser bem estruturadas”.
Segundo ele, ensinar o aluno a ler as passo a passo do uso várias partes de um livro, como orelhas, prefácios, índices, sumários, contracapa, já pode ser uma boa entrada para as páginas do miolo que guardam a história. Pedagogia Para o especialista, a montagem de uma aula deve demandar também muito do educador, mais que a explanação de um material.
“O segredo da passagem de conhecimento está também na pedagogia do professor e cada um tem a sua”.
Dicas
Incentivar a anotação “quando acontece o exercício de aprendizagem mais profundo, porque se seleção o que é mais relevante”, sugerir resumos, praticar o elogio “que é melhor que a recompensa material”, o para casa “momento de concentrar a aprendizagem, quanto mais, melhor”, são também outras ferramentas que segundo ele, podem ser valiosas.
O uso da palavra e da imagem “e nossa cabeça gosta desta redundância”, os trabalhos de cooperação “grupos pequenos, e com tarefas bem definidas para cada aluno”, também foram citadas como dicas para os professores, que ouviram a seguinte sugestão de Cláudio: ao professor cabe oferecer exercícios e aplicações criativos, fazer boas perguntas, que extrapolem a decoreba, se não quem deve tomar bomba é o professor. Criar duplas de alunos para discutir problemas e respostas, estimulando hipóteses e soluções já foi também comprovado como boa prática pedagógica”, lembrou aos professores da rede pública.
No final da atividade, um bingo para a distribuição de três tablets para os professores presentes como prêmio, foi promovido.