Educadores da rede estadual de ensino estarão reunidos até o final da noite desta quarta-feira para estabelecerem projetos personalizados que deverão nortear o ensino nas escolas de acordo com sua realidade
Papéis e modelos de projetos pedagógicos nas mãos. Nesta quarta-feira (04-07), o dia letivo das 3.762 escolas da rede estadual de Minas Gerais foi alterado por um motivo especial. Excepcionalmente hoje, quem ocupa os bancos escolares são os educadores mobilizados em todo o território mineiro, de Caratinga a Uberlândia, de Januária a Santa Rita do Sapucaí, para uma espécie de força tarefa que tem como objetivo elaborar os novos planos pedagógicos que deverão nortear a rotina dos 2,3 milhões de estudantes pelos próximos seis meses.
Os projetos serão elaborados, até o final do dia, tomando como base os resultados nos dois principais indicadores de avaliação da Secretaria de Estado de Educação (SEE), divulgados para o Programa de Avaliação da Alfabetização (Proalfa) e do Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (Proeb). Na Escola Estadual Nair de Oliveira Santana, de Belo Horizonte, bem como em todo o estado, os trabalhos começaram cedo, por volta das 7h da manhã.No primeiro momento, os educadores se reuniram com a diretora da escola, Maria Helena Dumont, para estudarem o painel repleto de indicadores gráficos pregados no quadro negro da sala de aula. O objetivo era extrair dos dados numéricos que traziam o nível de participação dos alunos (previsto e efetivo) na escola, e os índices de desempenho alcançados pelos estudantes nas avaliações, em comparação com o restante do estado e com as outras instituições da Superintendência Regionais de Ensino.
Apesar de ter registrado um rendimento aquém do desejado entre os alunos Ensino Médio, houve no geral uma melhora significativa no Ensino Básico da EE Nair de Oliveira Santana que avançou em várias frentes de intervenção. Á frente da escola desde o ano 2000, a diretora Maria Helena ressalta que o Projeto de Intervenção Pedagógica, criado neste Dia D, vem para formalizar um trabalho que já vem sendo desenvolvido nos últimos anos pela instituição. “Diminuímos a falta de disciplina dos estudantes, por que passamos a responsabilizá-los em relação ao patrimônio escolar. Trouxemos a família também para dentro da comunidade, e temos desenvolvido atividades diferenciadas que sejam capazes de diminuir o hiato entre a teoria e a prática na sala de aula, principal razão para a resistência dos alunos quanto ao conteúdo. Mas há muito ainda a ser feito. A cada prática, ano aprendemos mais com nossas limitações”, explicou Maria Helena.
A especialista de ensino e professora de matemática há 23 anos, Cecília Resende visitou a escola para fazer algumas observações no momento de elaboração dos projetos que serão apresentados aos pais e alunos, no próximo sábado dia 07-07. Cecília frisou que os projetos pedagógicos devem conter um “olhar pelo aluno”, ou seja, entender quase a nível individual as aptidões e deficiências de cada um. A busca por um conteúdo que dê aos estudantes habilidades mais plurais, demanda dos professores, por esta razão, uma postura mais versátil. “É preciso que o educador tenha domínio não só, por exemplo, da Geografia, mas também sobre quem é o João que assisti à aula. Se ele conhece só um ou outro ele se torna somente um colega ou um professor que repete um conteúdo que não é absorvido”.

Trabalhos em grupo
Na Escola Estadual Inês Geralda de Oliveira, a especialista em educação Ana Lima, desenvolveu algumas dinâmicas que segundo ela, fizeram diferença na forma como os educadores se predispuseram para os trabalhos de grupo na elaboração dos projetos pedagógicos. Um vídeo motivacional de sete minutos sobre os profissionais de uma escola brasileira foi exibido, além de uma brincadeira que propôs redefinir o significado das palavras Proeb e Proalfa. “Os 25 professores não encararam esta tarefa com a imposição de um trabalho estatístico, mas sim como um diagnóstico importante de melhoria para o ensino”.
O diretor da escola, Frederico Maximiliano, destacou que os dados de 2011 traduziram para os professores a necessidade de retomar a participação da família na vida escolar dos filhos. “Nossa meta é mobilizar outros pais para se empenharem neste projeto de parceria. Equilibrar o rendimento de nossos alunos em uma mesma sala de aula”, contou o diretor.
Nos planos pedagógicos definidos neste Dia D os professores deverão definir os objetivos, as ações, as atividades destas ações, os prazos para executá-las, o andamento destes projetos, bem como os responsáveis.