Escola comemorou cinco décadas de vida homenageando personalidades que já estudaram nela
“Minhas obras são como cartas que escrevi para á posterioridade, sem esperar resposta do futuro”, foi parafraseando esta citação de Heitor Villa - Lobos, um dos maiores compositores da música erudita brasileira, que a secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, deixou seu recado para a platéia da Escola Estadual Ordem e Progresso, que comemorou 50 anos, nesta quarta-feira, 23.
Criada para receber os filhos de policiais civis do estado de Minas Gerais, a Escola Ordem e Progresso homenageou personagens e autoridades ligadas à história da instituição, inclusive, funcionários de longa data, como Neide Maria, a “Nedinha”, que desde 1987 frequenta as dependências da escola, onde se formou na última turma de magistratura e trabalha há 20 anos. Não foi à toa, que a funcionária recebeu sob fortes aplausos e gritos de alunos, a placa que homenageou as pessoas que ajudaram a construir a história da Ordem e Progresso, em 1962.
“Lembro da época quando tínhamos que nos deslocar para a Praça da Liberdade para fazer aulas de Educação Física. Isso porque as instalações do prédio não tinham este espaço convencional de um colégio, como conhecemos hoje. Os jovens se relacionavam também muito bem com os adultos que estudavam na escola daquela época. Vivi bons anos da minha vida aqui”, contou a ex-funcionária, que ficou fortemente emocionada quando ouviu seu nome ser gritado por dezenas de jovens alunos, durante a homenagem.

Jovens, como Beatriz Barbosa de 12 anos, que escolheu cursar o ensino fundamental na Ordem Progresso, já antevendo os desafios escolares que irá enfrentar futuramente na disputa por uma vaga no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. “ Escolhi a escola por a educação é sólida. Além disso, minha mãe já trabalha na escola há 17 anos. Tenho duas tias que também se formaram na Ordem e Progresso, e hoje estão em boas colocações na vida”.
O também muito aplaudido professor José Roberto, que lecionou durante 12 anos na instituição, explicou que toda a familiaridade que o ambiente exala é resultado de “uma educação que passa pelo afeto”. A ex-vice diretora da Ordem e Progresso, Sônia Jesus disse ter muito orgulho e saudade da escola, que já formou alunos tidos como referência, como o jornalista Carlos Viana, conhecido por seus trabalhos em rádio e tv no Estado. “O Carlos Viana entrevistou a escola há pouco tempo para falar sobre os feitos que a Ordem e Progresso vem alcançando nos últimos anos. Ele tem o maior o orgulho desta instituição”, lembrando de resultados significativos, como o primeiro lugar da escola no Exame Nacional do Ensino Médio de 2008, que fez a procura por vagas na instituição se elevar.
Na cerimônia também foram homenageados o aluno do ensino médio, campeão da 7ª Olimpíada Brasileira de Matemática nas Escolas Públicas, Stefano Davi, e a vencedora do concurso de redação “Eu, minha cidade e os 300 anos do ciclo do ouro em Minas”, Lorrayne Chaves. A própria secretária Ana Lúcia Gazzola iniciou sua carreira como educadora, na Ordem e Progresso, ensinando francês. “Esta escola me deu régua e compasso. Foi aqui que tive minha primeira turma”, destacou a secretária, que também falou sobre legado, futuro e desafios. “A Ordem e Progresso está entrando numa nova fase da sua história. Estamos ampliando o ensino médio noturno e pretendemos ampliar as vagas para o público em geral. Queremos implementar também a Escola em Tempo Integral com o apoio da Academia de Polícia Civil de Minas Gerais,” disse a secretária.

O chefe da Polícia Civil, Cylton Brandão da Matta parabenizou a estrutura organizacional que une educação e segurnaça, no seu nível máximo e defendeu o “bom ensino como antídoto contra a criminalidade. O diretor da Escola, delegado Osmiro Coelho, relembrou em seu discurso que foram as importantes parcerias entre a Secretaria de Estado de Educação e a Polícia Civil nos último anos, as responsáveis pela superação das crise de gestão, que a instituição passou.
A história da Ordem e Progresso
A escola Ordem e Progresso começou sua história em 1962, quando recebeu da extinta Secretária de Segurança Pública de Minas Gerais verbas para formar sua primeira turma de 28 alunos, todos os filhos de policiais civis. Em 1965 recebe a denominação de colégio estadual, e o nome “Ordem e Progresso”. No ano de 1967 foram implantados os cursos científicos e clássicos. Em 1978, a parceria firmada com a Secretaria de Estado e Educação criou a denominação “escola estadual” para a Ordem e Progresso. Atualmente a escola apresenta aproximadamente 1600 alunos, funcionando nos turnos da manhã, tarde e noite. Todo o corpo docente e administrativo da escola pertencem à Secretaria de Estado de Educação. A diretoria da escola fica a cargo de um delegado indicado pela Polícia Civil, nomeado pelo governador do estado de Minas Gerais.