No próximo dia 30 de março terminam as inscrições de escolas para a
8ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Para se inscrever, as escolas precisam acessar o
site da Olimpíada e preencher uma ficha de inscrição. Esse é o primeiro passo para um caminho de sucesso na competição, que Minas Gerais já trilhou várias vezes. Nas últimas cinco edições, o Estado liderou o quadro de medalhas da Obmep e o mérito, além dos alunos, é também dos professores. Entre os docentes mais premiados na competição matemática está Maria Botelho Alves Pena, que se destaca em nível nacional.
A professora da Escola Estadual Messias Pedreiro, em Uberlândia, Triângulo Mineiro, é recordista, quando o assunto é a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Ela é um dos três professores do país que foram premiados em todos os sete anos de realização do torneio.
“Fico feliz com a conquista, mas não me considero um destaque porque tenho que me esforçar muito. A conquista é resultado de um trabalho de mobilização dos alunos em torno da Matemática. Explico para os meus alunos que é uma matéria para pessoas perseverantes. A solução de um problema não é imediata, mas as várias tentativas de se chegar ao resultado são mais enriquecedoras que a solução”, explica.
Atualmente, a professora leciona para alunos do 2º e 3º anos do ensino médio. Segundo ela, não existe uma receita para se destacar na competição, mas algumas dicas podem ajudar educadores a ajudar os seus alunos na Matemática. “O professor tem que pesquisar sempre as tendências, como o que cai nas provas do Enem. O foco do trabalho deve ser na resolução de problemas para tornar o aluno um pesquisador. Tenho tido uma resposta positiva. Tenho um reconhecimento deles também”, avalia.
Apenas na sétima edição, a Escola Estadual Messias Pedreiro contou com 53 alunos premiados, sendo 1 medalhista de prata, 5 medalhistas de bronze e 47 menções honrosas. “Gosto muito de dar aulas, porque os alunos me fazem sentir mais jovem”, comenta a educadora de 50 anos.
O cálculo para premiar um professor na Obmep leva em conta o número de alunos medalhistas ou com menções honrosas, sendo que o número de pontos varia de acordo com o tipo de medalha. Apenas na sétima edição, o estado de Minas Gerais teve 25 professores premiados, sendo 22 da rede estadual.
No sul de Minas, no município de Santa Rita do Sapucaí, a da Escola Estadual Doutor Luiz Pinto de Almeida conta com dois professores premiados na sétima edição da Obmep. São eles: Maurisa Ribeiro Monteiro e Carlos Alberto Bernardo. Entre os estudantes, são três medalhistas de ouro e três de bronze.

Lecionando há 13 anos, Maurisa explica o banco de dados de questões passadas da Obmep é trabalhado com os alunos em sala, mas que na segunda etapa da competição, a escola realiza um trabalho específico com os estudantes. “Nós formamos grupo de estudos com os alunos classificados para a segunda etapa. Nesse caso, as aulas funcionam no contraturno da aula regular”, explica a professora.
A preparação dos estudantes não está apenas nos exercícios. O lado psicológico também é trabalhado com os alunos. “Digo a eles que o que importa não é ganhar, mas sim o conhecimento que é acumulativo. Já tive caso aqui na escola, em que nenhum aluno da minha turma foi medalhista em um ano, mas no seguinte, vários deles conquistaram medalhas”.
Hoje dou aula para alunos do 2º e 3º anos do ensino médio. O professor tem que pesquisa e sempre as tendências, o que cai em provas do Enem, o foco maior é na resolução de problemas, para tornar o aluno um pesquisador. Tenho tido uma resposta positiva. Tenho um reconhecimento deles também.
Na Escola Estadual Professor José Hugo Guimarães, no Alto Paranaíba, duas professoras também estão entre os educadores premiados: Cleide Maria Gontijo Pires e Karina Rodrigues Faria Honório. Na escola, elas desenvolvem o ‘Treinamento da Olimpíada de Matemática’, o ‘TOM da Matemática’. O projeto é realizado desde o início da competição, no ano de 2005. Nele, os alunos realizam exercício com o auxílio dos professores e aprendem a explicar o passo a passo das atividades que realizam. “Os alunos explicam, em texto, a linha de raciocínio que utilizaram para resolver a questão”, explica.
A professora explica ainda que outro fator que viabiliza a aprendizagem do estudante é a aproximação entre ele o educador. “Minhas aulas de Matemática não têm nada de diferente. Apenas procuro cativar o meu aluno, mostrar a ele que sou uma pessoa legal e que ele pode gostar de mim. Quando o aluno se identifica com o professor, as chances de uma aprendizagem de sucesso são bem maiores”, avalia.
Pela competição, os professores premiados serão contemplados com um computador portátil, com programas livres relacionados ao ensino de Matemática.
Inscrições
As inscrições para a 8ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas continuam abertas. O cadastro para participar da competição deverá ser feito pela escola, mediante o preenchimento da ficha de inscrição disponível no site da competição. Na primeira fase, a escola deverá indicar na ficha, apenas, o número total de alunos inscritos em cada nível.
A Obmep é dividida em duas fases. Na primeira, todos os alunos inscritos pela escola fazem uma prova objetiva. A aplicação dos testes acontece na própria instituição. Já para segunda fase, a escola deverá selecionar 5% do total de alunos inscritos. Serão classificados os alunos com maiores notas. Nessa fase, os estudantes fazem prova discursiva.
De acordo com o calendário da competição, as provas da primeira fase serão aplicadas no dia 5 de junho. Já os testes da segunda etapa serão realizados no dia 15 de setembro. O resultado final está previsto para o mês de novembro.