Museu localizado no centro de Belo Horizonte retrata as diversas fases da educação mineira no período republicano
Quem busca entender o universo da educação encontra no Museu da Escola de Minas Gerais, o cenário ideal para seus estudos. Localizado no segundo andar do Instituto de Educação de Minas Gerais, em Belo Horizonte, o Museu retrata as diversas fases da escola mineira no período republicano. Com um acervo de seis mil peças, entre objetos e documentos, o espaço é um dos locais a ser lembrado no Dia Internacional dos Museus, comemorado nesta quarta-feira (18/05).
Pesquisadores e estudantes de escolas públicas e particulares representam a maioria dos visitantes do espaço, que recebe uma média mensal de 1500 visitas. “O Museu foi criado em 1994 e é composto por peças dos grupos escolares mais antigos de Minas Gerais. O nosso visitante encontra um acervo muito rico em livros, objetos escolares, jogos pedagógicos, carteiras, móveis antigos, entre outros”, explica a coordenadora do Museu da Escola, Sônia Aroeira Barbosa.

A escola e suas fases
Em uma espécie de linha do tempo, o Museu apresenta ao visitante as quatro fases da escola mineira, a começar do final do século XIX, com a ‘Escola Tradicional’. Até o início da década de 1930, esse modelo de escola vigorou nas instituições de ensino do estado. Conhecida pelo autoritarismo dos professores e os castigos físicos, a ‘Escola Tradicional’ marcou época para os alunos do antigo primário. A primeira escola pública mineira destinada aos alunos deste nível de ensino surgiu em 1906. “Em Belo Horizonte foi criado o prédio do Grupo Escolar Afonso Pena, mas que na época atendia aos alunos do Barão do Rio Branco. O grupo foi a primeira escola pública do estado a receber alunos do primário. Esse grupo escolar e outros atendiam, em sua maioria, a filhos de funcionários públicos que ajudaram a construir a cidade de Belo Horizonte”, lembra Sônia Aroeira Barbosa.
Com a ‘Escola Nova’ (1930-1950), surgiu a Escola de Aperfeiçoamento que capacitava professores mineiros que davam aulas para o primário. Esta formação era dada por educadores europeus, no mesmo lugar em que atualmente funciona o Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. “Para participarem dos cursos, os professores tinham que ter, no mínimo, dois anos de regência nos grupos escolares, porque assim eles levavam para o curso as suas experiências de sala de aula. Os nossos professores eram sérios e muito capacitados na área de Pedagogia. Na época, Belo Horizonte foi a capital da Pedagogia no país. O governo do Rio Grande do Sul selecionava a ‘nata’ de professores gaúchos para estudarem em Minas”, lembra a ex-aluna da Escola de Aperfeiçoamento e freqüentadora assídua do Museu, Elza de Moura, de 95 anos.
(Clique na imagem para ver em tamanho maior)
O Museu da escola também apresenta a educação no período de grande desenvolvimento do país. Com as grandes obras realizadas nos anos de 1950 e 1960, como a construção de Brasília, as escolas tiveram que acompanhar esse contexto de mudanças. O modelo ‘Escola Tecnicista’ trouxe ao país o Programa de Assistência Brasileiro-Americano ao Ensino Elementar (Pabaee). O Programa auxiliou as escolas a formarem profissionais necessários ao desenvolvimento do país. “A fase mais recente retratada no Museu é a ‘Escola Contemporânea’. A partir da década de 1980, os professores começaram a seguir as orientações da Pedagogia Construtivista-Interacionista. Os alunos realizavam trabalhos em grupo, as salas de aula tinham um cantinho para a leitura. Então a gente vê, em uma linha do tempo, todo o processo em que foi desenvolvida a história da educação”, avalia a coordenadora do Museu.
Objetos que marcaram época
As salas de aula, conhecidas por muitos como o espaço do saber, também conseguem levar os visitantes a entender a realidade de cada uma das épocas. No Museu da Escola, cada período exposto foi ambientado em uma sala de aula. Das carteiras aos jogos pedagógicos utilizados para a alfabetização dos alunos, cada objeto traz em sim um conjunto de significados. “Uma vez, quando o Museu ficava na Praça da Liberdade, recebemos a visita de um senhor que chorou muito ao ver a palmatória. Ele se emocionou muito e relutou para tocar no objeto”, lembra o assistente técnico educacional do Museu, Henrique Queiroz de Lima.
Para auxiliar o professor na sala de aula, os chamados jogos pedagógicos eram utilizados para prender a atenção dos alunos e fixar o conteúdo dado. O ábaco, também conhecido como contador numérico, foi muito utilizado na ‘Escola Nova’ para ensinar a Matemática aos alunos do primário.
Museu e a escola
Cerca de 70 alunos dos anos iniciais da Escola Municipal Vereador Benedito Batista, em Contagem, tiveram a oportunidade de visitar o Museu da Escola de Minas Gerais. “Na nossa turma a gente estava estudando as escolas antigas. Temos um projeto de entrevistas, no qual meus alunos entrevistaram os pais e os avós, então achei que seria interessante trazê-los aqui. Eu adorei e acho que eles também gostaram”, avalia a professora Sheila da Silva.
Uma das alunas de Sheila da Silva diz ter gostado do que viu, mas com ressalvas: “Os objetos de antigamente são legais, mas eu não queria estudar naquela época, não. A palmatória deve doer demais quando bate na mão”, explica a estudante.

Agendamento de visitas
Os professores que desejarem complementar os seus trabalhos em sala de aula com atividades externas podem fazer o agendamento de visitas ao Museu da Escola de Minas Gerais que fica na Rua Pernambuco, nº47, Bairro Funcionários. A visitação é gratuita e pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Os interessados devem entrar em contato pelo telefone: (31) 3273-2090. As visitas têm a orientação de guias que apresentam o museu em uma linguagem que varia de acordo com a faixa etária dos estudantes. Os pesquisadores interessados em uma visita orientada, de acordo com o foco do seu trabalho, também podem fazer o agendamento.
Mudança de endereço
Outras imagens (clique para aumentar):
Abaixo seguem algumas outras fotos de peças que compõe o acervo do Museu. Em ordem, uma calculadora, uma copiadora, exemplos de jogos pedagógicos, uma máquina de escrever, uma merendeira, as temidas orelhas de burro, uma palmatória, o primeiro computador da SEE e, por fim, o uniforme usado na época da escola tradicional.