Na rede estadual de Minas Gerais, as mulheres correspondem a 85% do quadro de pessoal

 

Todo estudante ou ex-estudante certamente teve alguma mulher que lhe marcou a educação. A vocação para o ensino é tradicionalmente atrelada ao público feminino, que está em peso nas escolas do Brasil e de Minas Gerais. Da cantina à sala da direção, as mulheres ocupam a grande maioria das funções exercidas na área educacional do Estado, portanto cabe a elas boa parte do mérito da educação dos cerca de 2,4 milhões de estudantes da rede estadual de Minas. No quadro de servidores da Secretaria de Estado de Educação (SEE), por exemplo, existem cerca de 250 mil pessoas, entre professores, especialistas, auxiliares de serviços gerais e outros. Desses, 85% são mulheres.

A massiva presença feminina começa no órgão central da SEE, na Cidade Administrativa. Nos dois andares que cabem à Educação no prédio Minas, as mulheres dão o ar da graça na maioria das estações de trabalho. São 484 mulheres e apenas 181 homens, uma relação de quase três mulheres para cada homem. Nas escolas do estado a conta pesa ainda mais em favor da presença feminina. Em Minas Gerais existem cerca de 3,8 mil escolas estaduais e o comando da maioria, obviamente, fica a cargo de mulheres. Mais de três mil escolas têm uma diretora. “A mulher é muito sensível, ela aproxima mais do aluno, sabe entender o dia que o menino não está bem, tem uma palavra maior de conforto”, explica Mônica Ribeiro, diretora da Escola Estadual Doutor Luiz Pinto de Almeida, em Santa Rita do Sapucaí.

Se a sensibilidade feminina favorece a educação, os estudantes mineiros estão muito bem servidos. Saindo da sala da diretora à caminho da sala de aula, qualquer estudante terá plenas oportunidades de escolher uma professora favorita. É diante do quadro negro que as mulheres mostram a real vocação para lecionar. Existem cerca de 170 mil professores em escolas estaduais de Minas Gerais, e por volta de 140 mil mulheres orientam os estudos dos alunos do Estado. Para a professora Vanessa Arruda, da Escola Estadual Coronel José Venâncio, no município de Águas Vermelhas, Região Norte do Estado, a grande quantidade de mulheres em sala não é obra do acaso. “A mulher tem o pé no chão, é mais perseverante e paciente. Ensinar exige isso, pois não é algo que acontece de hoje para amanhã. A mulher sabe dosar todas essas características de uma forma mais eficaz”, garante.

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A presença feminina, aliás, não é exclusividade da área pedagógica. O comando da Secretaria de Estado de Educação o Governador Antonio Anastasia confiou a duas mulheres. A atual secretária Ana Lúcia Gazzola e a secretária-adjunta, Maria Céres Spinola. Na análise de Maria Céres, secretária em exercício, o papel da mulher não é importante apenas na educação, mas em todos os setores produtivos da sociedade. “O trabalho como educadora ou em qualquer outra área passou a ser integrado à vida da mulher. Antes a mulher trabalhava ou porque precisava ou porque faltava a figura masculina em casa. Hoje o aspecto profissional faz parte da composição da identidade da mulher como cidadã”, explica a Secretária de Estado de Educação em exercício.

Em qualquer área da educação as mulheres são maioria. Seja entre as diretoras, inspetoras escolares, diretoras de superintendências regionais de ensino, cantineiras, auxiliares de serviços gerais ou professoras. O único número da educação no qual o homem consegue equilibrar um pouco o jogo é no alunado. De acordo com o Censo Escolar 2010, na rede estadual mineira são 1,176 milhão de alunos homens contra 1,214 milhão de mulheres. E já que estão em tão boa companhia, convenhamos, os alunos podem muito bem fazer um esforço para parabenizar carinhosamente as mulheres de sua escola no Dia Internacional da Mulher, mesmo que o abraço venha com um dia de atraso, depois da quarta-feira de cinzas. Afinal, quem nunca quis agradar a professora, ou a diretora, ou a colega de turma, ou...

Confira no Blog da Educação

Até a próxima quarta-feira (09), o Blog da Secretaria de Estado de Educação vai publicar uma série de perfis de mulheres que trabalham com educação em Minas. A primeira da lista foi Stela Vasconcelos (foto), a funcionária mais antiga da SEE, com 60 anos de casa e 85 de idade. De sábado em diante outras servidoras que trabalham dentro das escolas estaduais de Minas vão ter suas histórias contadas:

- 05-03: Mônica Ribeiro, Diretora

- 06-03: Vanessa Cristina Arruda, Professora

- 07-03: Maria Cecília Mendes Borges, Bibliotecária

- 08-03: Janésia Moreira Pereira, Cantineira

- 09-03: Ilka Conceição e Fernanda Batista, estudantes