“Encontramos uma Secretaria consolidada e que avançou nos últimos anos. A rede estadual melhorou bastante, mas ainda há muito por fazer”, destacou a secretária durante o encontro. Ana Lúcia Gazzola aproveitou para ressaltar as quatro prioridades de sua gestão: ampliar o Programa de Intervenção Pedagógica (PIP) para os anos finais do ensino fundamental, aumentar a qualidade do ensino médio e torná-lo mais atraente para o jovem, investir em formação continuada e aumentar a interlocução com outros atores da educação.

Um dos principais desafios apresentados pela secretária será a revitalização do ensino médio e o combate à evasão de alunos, que hoje atinge 40% dos estudantes em todas as redes de ensino. “Do conjunto de toda a educação em Minas Gerais, ao terminar o ensino fundamental, nós já perdemos 42% dos jovens. Desses, só 20% terminam o ensino médio. Nós estamos um pouco melhor do que a média nacional e melhoramos diminuindo a média nos últimos anos, mas temos que fazer um grande esforço para diminuir a evasão no ensino médio, diminuir a perda do número de alunos que terminam o ensino fundamental e não avançam imediatamente”, garantiu.

Foto: José Carlos Paiva

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Secretária-adjunta, Maria Ceres Spinola, e secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, conversam com os jornalistas sobre as prioridades para a educação mineira

 

Para a secretária adjunta Maria Ceres Spínola Castro, um dos fatores que explicam o fenômeno é que os jovens saem da escola e retornam depois de dois anos porque percebem que para melhorarem, precisam do ensino médio. Segundo ela, os alunos evadem, mas voltam depois pela Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Gazzola explicou como a situação será contornada. “Temos que convencê-los de que o ensino médio faz sentido para a vida deles. Eles ficam oito horas em uma lan-house e não querem ficar quatro horas na escola. Então, temos de encontrar maneiras de tornar o ensino médio mais atraente, mais flexível, mais em sintonia com a faixa etária e com os interesses dos alunos. Para isso, a Secretaria de Estado de Educação irá trabalhar parcerias para deixar o ensino médio mais inovador. O objetivo é criar projetos que possam identificar os talentos que os jovens têm para reanimar a nossa escola, especialmente o ensino médio”, disse.

Em relação ao currículo diferenciado do ensino médio, adotado em todo o país, a secretária explicou que a escola pode organizar o currículo de forma diferente, privilegiando mais algumas disciplinas em um ano e menos em outro e essa escolha é feita de forma que o aprendizado do aluno não seja comprometido. Segundo ela, os currículos têm que ser muito mais flexíveis. “O que ocorre muito é a incompreensão dos novos modelos, mais atuais. As mães querem reencontrar os modelos da maneira que conhecem, mas a escola deve acompanhar a contemporaneidade”, afirmou.

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Ana Lúcia Gazzola ressaltou a importância de fortalecer o ensino médio



Rede física

Ana Lúcia Gazzola ressaltou a importância de continuar investindo na rede física das escolas. Apesar da melhoria da estrutura física das escolas ter sido evidente nos últimos anos, a secretária explicou que se trata de uma demanda permanente. “Esse é um trabalho que não termina nunca. Precisamos investir constantemente na rede física. Temos que ampliar, reformar, construir novas escolas e apoiar a rede municipal”, disse.  A demanda inicial observada é de R$730 milhões para pequenas e grandes reformas de escolas, quadras e ampliações. A secretária esclareceu que de imediato estão sendo investidos R$220 milhões para atender essas necessidades iniciais. “Temos buscado terrenos estaduais nos municípios e a doação de terrenos por parte dos municípios”, disse.

Em relação aos avanços, o destaque é o aumento do nível de leitura e escrita dos alunos mineiros. “86,2% dos alunos mineiros estão completamente letrados aos oito anos, ou seja, leem, escrevem e interpretam perfeitamente. Minas Gerais ocupa hoje o primeiro lugar no Brasil nos índices de alfabetização, mas temos que avançar porque faltam 14% ainda. Preocupa não só a proficiência média, mas também a redução do percentual de alunos com baixo desempenho”,  destacou. Outro tema pautado na reunião foi o projeto Escola de Tempo Integral. “É um desafio extraordinário. Aumentar o número de alunos de tempo integral não é simples porque requer não só recursos, mas também espaços. Todo o planejamento está sendo feito para a ampliação desses espaços”, exemplificou.


Ampliação do PIP

Outra prioridade destacada pela secretária durante o encontro com os jornalistas foi a ampliação do Programa de Intervenção Pedagógica (PIP). Adotado em todas as escolas do estado nos anos iniciais do ensino fundamental, o PIP vai estender o programa aos cinco anos finais do ensino fundamental. “O PIP insere equipes em cada uma das salas de aula dos primeiros quatro anos do ensino fundamental, em todas as escolas”. O programa será ampliado para que todo o ensino fundamental seja abrangido.

Outro destaque é o Programa de Educação Profissional (PEP) que já formou 170 mil jovens em cursos profissionalizantes gratuitos. “Credenciamos instituições por meio de edital para oferecer os cursos a jovens formados ou ainda cursando o ensino médio. E então fazemos um vestibulinho de português e matemática. Esse ano oferecemos 30 mil novas vagas e tivemos 300 mil candidatos. O PEP é um grande programa, mas precisa crescer. E vamos incluí-lo como proposta para o governo federal”, garantiu.

Secretária Ana Lúcia Gazzola reúne jornalistas e ressalta a importância do debate sobre educação

Ampliar o número de vagas da Escola de Tempo Integral, diminuir a evasão escolar no ensino médio e torná-lo mais atraente. Esses são alguns dos objetivos estabelecidos para a rede estadual de ensino e que estiveram em pauta no encontro da secretária de Estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola, com representantes da imprensa mineira. Jornalistas de vários veículos de comunicação do estado foram convidados para discutir a educação em Minas Gerais. A eles foram apresentadas as principais propostas para a rede estadual, que atualmente conta com 3.808 escolas em atividade e mais de 2,4 milhões de alunos.