As inscrições para o Programa Educacional de Atenção ao Jovem (Peas Juventude), da Secretaria de Estado de Educação (SEE) terminaram no último dia 12. Serão selecionados projetos de escolas estaduais que oferecem os anos finais do ensino fundamental ou ensino médio.

O objetivo é formar os Grupos de Desenvolvimento Profissional (GDPeas) para promoverem ações de caráter educativo e participativo, focalizadas nas questões relacionadas à afetividade e sexualidade, juventude e cidadania, mundo do trabalho e perspectiva de vida, tendo, como eixo, o protagonismo juvenil.

O início

O Peas surgiu em 1994, depois da boa aceitação e da repercussão de um concurso de vídeo promovido pela Fundação Odebrecht. No início dos anos 90, havia uma grande discussão entre educadores a respeito da educação sexual. Pesquisas indicavam um grande aumento das taxas de gravidez entre adolescentes e de contaminação pelo vírus HIV nesta faixa etária. E o tema ainda era um tabu: nas escolas, professores nem sempre se sentiam preparados para abordar o assunto com seus alunos, assim como os pais também não sabiam como conversar com seus filhos.

Em 1992, a Fundação Odebrecht abriu um concurso que premiaria os melhores vídeos produzidos por adolescentes. Um grupo de Belo Horizonte formado por alunos de uma escola particular ficou em terceiro lugar com o vídeo “Segredos de Adolescentes”. Seu roteiro, construído numa linguagem tipicamente adolescente, abordava, de forma criativa e inteligente, questões como a angústia do namoro e iniciar a vida sexual. Por um lado, os jovens não se sentiam seguros e informados o suficiente sobre o tema, e, por outro, viviam uma intensa exposição do sexo na mídia. Por serem temas pertinentes com a discussão da época sobre a sexualidade, a SEE começou a utilizar o vídeo como uma ferramenta para os professores em sala de aula. Ele foi distribuído para escolas de todo o estado e a aceitação foi muito grande.

Os professores tinham, então, a oportunidade de abordar o assunto. Foi assim que surgiu a idéia de se criar um projeto específico para dar suporte à educação sexual nas escolas. No início era chamado de Programa de Educação Afetivo-Sexual e era um projeto-piloto, financiado pela Fundação Odebrecht, que produzia todo o material didático. Na SEE, havia uma equipe multidisciplinar preparada para capacitar os professores que, por sua vez, realizariam atividades pedagógicas de caráter extra-classe com o objetivo de discutir temas afins sobre a sexualidade, levando em consideração o papel do jovem na sociedade. Desde o início, houve um grande envolvimento dos estudantes e educadores e a participação de todos foi fundamental para o desenvolvimento do projeto. Participavam do Peas, 64 escolas.

De projeto para programa

Em 1998, o Peas Juventude deixou de ser um projeto para se transformar em programa. A partir de então, recebeu a parceria da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e ganhou novo formato. Duplas de profissionais das duas secretarias eram capacitados e enviados a todas as Superintendências Regionais de Ensino (SRE) do estado para repassar informações sobre sexualidade em postos de saúde e escolas. Este modelo foi desenvolvido até 2004. Em 2001, o Centro de Pesquisa Materno-Infantil de Campinas (Cemicamp) realizou uma avaliação para saber se aquilo que os alunos atendidos aprendiam era realmente colocado em prática. O resultado mostrou que as 80 horas de capacitação pelas quais o professor passava não eram suficientes para manter a proposta pedagógica.

Em 2004, nova avaliação foi realizada: desta vez interna, feita pela própria SEE. Mas os resultados foram os mesmos. Por isso, o Peas foi mais uma vez reformulado. Foi introduzido o modelo dos chamados Grupos de Desenvolvimento Profissional. Os grupos são formados por, no mínimo, oito professores (antes, a escola participante do programa podia ser representada por apenas um professor). A capacitação passou a ser de 180 horas, distribuídas de forma sistemática durante o ano inteiro. Outra novidade seriam os APPeas: os grupos formados por até 30 alunos das escolas participantes. Estes alunos participavam das atividades do Peas durante um ano e no outro ano eram responsáveis por auxiliar, como monitores, a turma seguinte. Ao final destes dois anos, o grupo de professores e alunos entregava um projeto, que era avaliado pela SEE, para ser aplicado no terceiro ano. Caso aprovado, a escola recebia um recurso em dinheiro para utilizar na produção do projeto.

Com a análise de todos os projetos recebidos, a equipe da SEE percebeu que as temáticas abordadas iam além de questões de sexualidade. Era comum a ligação com temas de cidadania, trabalho e escolha profissional. Por isso, em 2008, o Peas ganhou uma nova roupagem: foram organizados três grupos temáticos: Afetividade e Sexualidade; Adolescência e Cidadania; e Mundo do Trabalho e Perspectiva de Vida. Os três temas têm em comum a abordagem que o Peas sempre teve, desde o início: o Protagonismo Juvenil. Agora, os projetos avaliados devem estar focados em um dos três grupos temáticos. Cada grupo é supervisionado por uma equipe de professores universitários, especialistas no assunto. Neste novo modelo, há uma diferença fundamental: se antes as escolas eram convidadas a participar, agora qualquer escola do estado pode participar, desde que elabore um projeto e que o mesmo seja aprovado.

Desde 2005, o Peas já atendeu a cerca de 900 escolas, com cerca de 18 mil professores e 42 mil alunos participantes. Hoje, são 423 escolas, com cerca de 4.500 professores e 10.600 alunos. Para acompanhar todo este contigente, a SEE elaborou um sistema de blogs. Toda escola atendida possui um blog, onde publica informações relativas ao seu projeto. Os blogs são divididos de acordo com o grupo temático ao qual pertencem. Cada grupo de blogs é acompanhado pelo professor-orientador e pelos seus assistentes.


Exemplos que deram certo

Um exemplo de sucesso do Peas está na Escola Estadual Sagrada Família, localizada no município de São Francisco, SRE de Januária. A região faz parte do semi-árido, onde há carência de recursos básicos e um alto índice de vulnerabilidade social. Um dos maiores problemas enfrentados no município, por exemplo, é a prostituição de jovens. A escola, no entanto, tem cumprido seu papel de agente transformadora. Com o Peas, a escola desenvolveu um projeto focado na temática Afetividade e Sexualidade. Através dele, promove várias oficinas culturais, como dança, teatro e música. O envolvimento de professores e alunos é muito grande.

Outro bom exemplo é o da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio, que funciona dentro da Penitenciária do Município de Uberaba. A escola, que atende à ala masculina da penitenciária, também participa do Peas. Seu projeto, focado no Mundo do Trabalho e Perspectiva de Vida, promove oficinas de marcenaria para os alunos. Eles aprendem a fazer mesas, cadeiras, armários e até objetos de arte e decoração: uma esperança para quem está construindo seu futuro. 

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO