
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) e o Instituto Unibanco, parceiros no desenvolvimento das ações do Jovem de Futuro nas escolas estaduais mineiras, realizaram, na manhã desta quarta-feira (14/4), o “3º Seminário de Gestão Educacional: aprendizagem e equidade”. O encontro virtual discutiu a importância da gestão como vetor de transformação da Educação, além de mobilizar os profissionais para a implementação do programa Jovem de Futuro em suas escolas e fortalecer suas práticas de gestão com foco na equidade e aprendizagem.
O Jovem de Futuro é uma iniciativa desenvolvida nas escolas estaduais de ensino médio de Minas, em parceria com o Instituto Unibanco, no âmbito do Programa Gestão pela Aprendizagem. A metodologia da ação tem como objetivos o combate à evasão escolar, a redução das desigualdades regionais no ambiente escolar e a elevação dos indicadores de aprendizagem.
A parceria teve início em 2019, em 1.343 unidades de ensino, de 24 Superintendências Regionais de Ensino (SREs) o estado. Na segunda e atual fase, a iniciativa contempla mais 11 regionais, chegando ao total de 1.928 escolas beneficiadas. Já em 2022, na terceira etapa, a previsão é que todas as escolas que ofertam o ensino médio na rede farão parte.
A secretária de Estado de Educação de Minas, Julia Sant’Anna, falou dos benefícios trazidos para a rede estadual de Minas com a parceria com o Instituto Unibanco, que soma experiências ao programa Gestão Pela Aprendizagem. Em sua fala, Julia contou que no momento em que aceitou o desafio de assumir a condução da pasta pensou sobre todos os desafios da rede, entre eles, o atraso de repasses importantes de recursos financeiros para a merenda e transporte escolar que vinham do governo anterior. “Um ponto muito importante é reconhecer que a gente consegue”, disse a secretária, que conseguiu regularizar esses repasses. Ela destacou a importância da boa gestão, indicando como exemplo a experiência da Escola Estadual Monsenhor Domingos, em Divinópolis.
Ainda de acordo com a secretária de Educação de Minas, a gestão permitiu que, já no primeiro ano do atual governo, a rede estadual conseguisse resultados expressivos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), alcançando a nota mais alta da história para o ensino médio. De acordo com os números, Minas Gerais subiu duas posições no ranking dos estados, ficando na nona posição, em relação ao Ensino Médio, alcançando a melhor nota desde 2011. Trata-se do maior salto na história do Ideb do ensino médio no estado, passando de 3,6 para 4,0. Por isso, ela agradeceu a dedicação da rede que tem utilizado as ferramentas da Gestão Pela Aprendizagem e impactado na melhoria dos indicadores. “O quão importante é o programa Jovem de Futuro, a gestão pela aprendizagem. (...) A gente já está fazendo um trabalho lindo que vai ficar ainda mais bonito com a participação de todos”.
O superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, ressaltou que o maior comprometimento do Jovem de Futuro é sistematizar as boas intenções e, a partir disso, conseguir alcançar os bons resultados de aprendizagem. “A gestão adequada dos mecanismos da escola implica no retorno dos que estão fora e a permanência dos que estão dentro. A ideia é que a gestão contribua para isso: o avanço contínuo”. Para ele, o projeto contribui para que a gestão seja entendida não como uma forma de amarra, de burocracia, mas como um direcionador de caminhos que valoriza evidências e produza o círculo virtuoso de bons resultados. “Não é para dar mais trabalho, mas fazer com que os dados possam dar mais prioridade e foco no estudante”
Durante sua fala, Henriques ainda apresentou dados que mostram que entre os alunos das escolas que participam do Jovem de Futuro a melhoria de aprendizado em língua portuguesa foi de 25% e, de matemática, mais de 40%.
Estudante como foco
O subsecretário de Articulação Educacional da SEE/MG, Igor Alvarenga, contou que viveu as duas experiências com o Gestão pela Aprendizagem: como diretor da Escola Estadual Ari da Franca, em Belo Horizonte, e como responsável pela subsecretaria. Em ambas as posições, ele disse que o compartilhamento das responsabilidades e o entendimento do aluno como foco fizeram toda a diferença. “Nosso desafio é fazer chegar ao estudante”. Para Igor, o programa Gestão pela Aprendizagem promove essa oportunidade de sanar as angústias com as oportunidades de resolver as dificuldades a partir da implementação com a consciência das estratégias a serem tomadas.
Para a subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica, Geniana Faria, a análise dos dados promove a oportunidade de organizar as ações, refletir e superar os desafios. “O circuito gestão e o Jovem de Futuro tem esse papel, de nos ajudar tanto aqui, centralmente, como nas escolas, de colocar no processo aquilo que os gestores já fazem. Além de refletir sobre como superar os desafios e como podemos ter clareza de quais ações e em que momento elas podem ser feitas”, disse. Geniana ainda ressaltou que esse acompanhamento, feito através de um processo bem planejado, faz toda diferença para atingir bons resultados. “O circuito de gestão nos permite pensar no ciclo todo”.
Experiência
Ângela Soares Garcia, diretora da Escola Estadual Monsenhor Domingos, em Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas, destacou que a gestão baseada na análise de dados é o caminho para o direcionamento das ações. De acordo com ela, o maior desafio é entender como fazer o estudante estar no foco do processo de aprendizado. Para isso, segundo ela, é preciso o exercício de ouvi os estudantes e, até mesmo, abrir mão de práticas que já vinham sendo aplicadas. Ela enumerou uma série de “porquês” que foram analisados pela equipe, que resultou na reestruturação da dinâmica pedagógica da unidade de ensino. “O Jovem de Futuro sistematizou tudo que já estávamos sentindo e nos deu suporte para trabalhar com os dados”, contou, comemorando os resultados alcançados com os alunos.
A especialista em Educação Básica da escola, Cátia Mourão, ressaltou também que, a partir da análise dos dados, foram montadas estratégias para trabalhar com alunos, famílias e as equipes de professores e administrativa da escola. “A gestão compartilhada é o que diferencia a escola”.