Atividades desenvolvidas por professores de escolas do Alto Paranaíba tornam aulas mais dinâmicas

Depois de nove anos atuando como vice-diretora, Keny de Melo Sousa resolveu voltar para dentro da sala de aula e, segundo ela, sempre se perguntava como poderia fazer para reinventar a forma de dar aula. O questionamento surgiu em 2016 e ela encontrou a resposta.

“Para dinamizar as aulas, comecei a deixar os meus alunos do ensino médio a usarem o celular. Eu deixava fotografar páginas do livro que seria trabalhado”, conta a professora de Língua Portuguesa. Já em 2017, o aplicativo whatsapp também ganhou espaço. “As turmas normalmente montam grupos e eu estava inserida neles. Enviava para os alunos atividades, quizz, link de filmes e PDF de obras literárias. Meu objetivo era usar o telefone como aliado e deu certo”, completa a professora da Escola Estadual José Caetano Ribeiro, em São Gotardo.

Nas aulas da professora Keny de Melo Sousa o celular é utilizado como ferramenta de aprendizagem. Foto: Arquivo Pessoal

As atividades contam com a participação de todos os alunos, inclusive daqueles que não têm o aparelho, como explica Keny. “Ninguém fica de fora. Na sala de aula, 90% dos alunos têm celular, mas os que não têm ou que estão impossibilitados de usar podem sentar com os colegas e podem fazer as atividades em dupla ou grupo. Um aluno apoia o outro”.

A dinâmica nas aulas conquistou os estudantes. Para Vitória Luciana Mendes, que é aluna do 3º ano do Ensino Médio e está com a professora desde o 1º ano, as aulas estão cada vez melhores. “Melhorou demais. Até o 9º ano do ensino fundamental, às vezes pegávamos o celular só para implicar com o professor. Mas nas aulas da Keny sabemos a hora certa de mexer. Ficou muito melhor e o nosso rendimento melhorou também”, revela.

Segundo a professora, o laboratório da escola está disponível, mas a facilidade de acesso do celular ajuda a tornar a aula mais dinâmica. “O celular é um instrumento que está na mão do estudante. O acesso é rápido e eles podem pesquisar em tempo real. Se tem uma dúvida que surgiu durante a aula, eu deixo eles pesquisarem. É uma ferramenta didática que uso em sala de aula. Só não pode usar nas provas”, explica.

Intervenção pedagógica

Na Escola Estadual Cônego Getúlio, em Patos de Minas, a tecnologia é ferramenta que auxilia na intervenção pedagógica e na reescrita de textos. Uma vez por semana, a professora do 4º ano do ensino fundamental, Eliane Alves Silva, leva seus alunos para a sala de informática. Lá, eles produzem diferentes trabalhos.

“Eu entendo que o laboratório de informática deve ser usado pelos alunos e procuro levá-los uma vez por semana. Começamos as ações no início do ano. Levei as crianças para o laboratório e fui explicando cada parte do computador e dos programas. Alguns não sabiam nem ligar o aparelho. Depois pegamos um texto que eles já haviam produzido e pedi para eles digitarem”, conta Eliane.

Ela lembra que o espaço também foi utilizado na produção do presente do Dia das Mães. “Eles digitaram receitas e imprimimos no formato de um livro. São coisas simples, mas que para o aluno é muito significativo e prazeroso. Além disso, consigo trabalhar a reescrita do texto e, com jogos matemáticos e probleminhas, vou trabalhando algumas intervenções pontuais”, destaca a professora.

Na Escola Estadual Cônego Getúlio, a professora Eliane utiliza o laboratório de informática semanalmente. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a educadora, colocar em prática todo aprendizado que tem da área, adquirido depois de curso de especialização, trouxe resultados positivos. “Os estudantes estão mais colaborativos e cumprem os combinados que fazemos em sala de aula para que possamos ir para o laboratório. Eu penso que a tecnologia é um instrumento que não podemos deixar de utilizar. Melhora a disciplina, facilita a aprendizagem, enriquece o trabalho do professor e os estudantes ficam muito felizes”, afirma.

São exatamente as aulas no laboratório de informática as preferidas da Cecília Helena de Souza Teixeira. “É muito bom aprender assim. Têm uns jogos de matemática e de língua portuguesa que são muito legais”, conclui a aluna do 4º ano do ensino fundamental.


Capacitação

Cada uma das 47 Superintendências Regionais de Ensino (SREs) conta com um Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) que, além da manutenção dos equipamentos dos laboratórios de informática das escolas, são responsáveis por desenvolver atividades sobre boas práticas no uso das tecnologias, informações sobre licenças, descarte de equipamentos, dentre várias outras ações que vinculam educação e tecnologia. Eles também são responsáveis por realizar a formação dos professores.

Além das ações realizadas pelos NTEs, a Secretaria de Estado de educação (SEE), por meio de uma parceria com a Safernet Brasil, está ofertando o curso “Educando para boas escolhas on-line”. As aulas da primeira turma terão início no dia 02 de agosto.

Gratuito e ofertado na modalidade EaD, o curso tem o objetivo de facilitar e ampliar o debate de diferentes temáticas nas salas de aula e nos projetos políticos pedagógicos. A formação é dividida em quatro módulos que abordarão: direitos e deveres on-line, cyberbullying, segurança digital, entre outros. As inscrições para a segunda turma ainda estão abertas e podem ser feitas até o dia 13 de agosto. Clique AQUI para se inscrever.